Vencedora do Prêmio FAPEMA 2026 na categoria Pesquisador Sênior, Lívia Maia Pascoal aproxima a pesquisa das necessidades do SUS e forma novas gerações de cientistas no Maranhão
Lívia Maia Pascoal
![]()

Possui graduação em Enfermagem pela Universidade Federal do Ceará, Especialização em Emergência em Enfermagem pela Universidade Estadual do Ceará , Mestrado e Doutorado em Enfermagem pela Universidade Federal do Ceará.
VENCEDORA DO PRÊMIO FAPEMA 2026
Categoria: Pesquisadora Sênior
Área do Conhecimento: Ciências da Saúde
Título: Memorial Descritivo
Antes de se tornar projeto de pesquisa, a Caderneta Pré-Natal Digital foi uma demanda da Atenção Primária à Saúde de Imperatriz. Havia uma necessidade do serviço de saúde à espera de uma ferramenta para facilitar o acompanhamento das gestantes, ampliar o acesso às informações do pré-natal e melhorar a comunicação entre usuárias e profissionais de saúde. Foi nessa aproximação entre as necessidades dos serviços públicos e a investigação científica que a enfermeira Lívia Maia Pascoal desenvolveu uma de suas frentes de pesquisa.
O projeto traduz uma escolha que atravessa sua carreira. Professora da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), no campus de Imperatriz, desde 2012, Lívia transforma desafios dos serviços públicos em perguntas de pesquisa. Dessa relação surgem estudos sobre Diabetes Mellitus, Processo de Enfermagem e tecnologias para apoiar profissionais e oportunidades para que estudantes aprendam a produzir conhecimento a partir da realidade em que vivem.
É esse percurso que foi reconhecido pelo Prêmio FAPEMA 2026 na categoria Pesquisador Sênior. A distinção reconhece uma trajetória na qual investigar, ensinar e cuidar se articulam. “Minha trajetória científica é orientada pela integração entre produção de conhecimento, inovação tecnológica e impacto social, com ênfase no fortalecimento do SUS no Maranhão”, destaca a pesquisadora.
Na saúde materna, a proposta da caderneta digital busca facilitar o acesso dos profissionais às informações da gestação, apoiar a tomada de decisão clínica e qualificar o acompanhamento pré-natal.
O mesmo vínculo com os serviços aparece nas pesquisas sobre Diabetes Mellitus. Lívia coordena projetos de software para auxiliar enfermeiros no acompanhamento de pessoas com a doença e de aplicativo para apoiar o autocuidado. As ferramentas são desenvolvidas para oferecer suporte tanto à tomada de decisão dos profissionais quanto à participação dos pacientes no tratamento.

Outra frente investiga a fotobiomodulação, terapia que utiliza luz, e seus possíveis efeitos sobre parâmetros metabólicos, circulação e complicações do diabetes. Os estudos clínicos buscam avaliar os efeitos da terapia e produzir evidências que apoiem seu uso seguro e eficaz no cuidado às pessoas com diabetes. “Essas pesquisas respondem a demandas concretas do sistema de saúde e contribuem para a construção de intervenções mais resolutivas e custo-efetivas”, explica Lívia Pascoal.
A pesquisa continua em outras mãos
A contribuição de Lívia para a ciência se multiplica nas trajetórias das pesquisadoras que formou. Lorrany Fontenele Moraes da Silva e Paula Vitória Costa Gontijo ingressaram como professoras efetivas na UFMA. Hellyangela Bertalha Blascovich e Alana Gomes de Araujo Almeida assumiram cargos de professoras efetivas na Universidade Estadual do Tocantins. “A formação de recursos humanos constitui eixo estruturante da minha atuação”, registra a pesquisadora.
Ao longo da carreira, ela concluiu a orientação de dez dissertações de mestrado, 45 trabalhos de conclusão de graduação e 31 planos de iniciação científica. Desde 2015, lidera o Grupo de Estudo sobre os Cuidados de Enfermagem Sistematizados, reunindo estudantes e pesquisadores em torno da qualificação da assistência.
Essa base construída no Maranhão se ampliou com redes de colaboração no Brasil e no exterior. Entre 2024 e 2025, realizou pós-doutorado na Florida Atlantic University, nos Estados Unidos, com financiamento do CNPq. Sua trajetória também conta com apoio da FAPEMA, por meio de projetos, bolsas e incentivo à produtividade científica.

O alcance desse trabalho pode ser acompanhado nas publicações e parcerias. Mas uma parte de seu legado já tem nome e destino. São as profissionais que formou e que hoje ensinam, pesquisam e abrem espaço para outras gerações. Assim, a ciência produzida por Lívia e sua equipe em Imperatriz ganha continuidade e alcança novos espaços pelas mãos de quem aprendeu a produzi-la.





