Desenvolvidas por pesquisadores da UFMA, formulações com nanopartículas de niobioapatita apresentaram resultados promissores em testes laboratoriais de adesão e de capacidade de deposição mineral
Rayssa de Macêdo
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Técnica em Química formada pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão (2013). Cirurgiã-Dentista formada pela Universidade Federal do Maranhão – UFMA (2018). Mestra e Doutora em Odontologia com ênfase em materiais odontológicos aplicados à reabilitação oral, pela Universidade Federal do Maranhão. Especialista em Dentística – FACIT (2023).
VENCEDORA DO PRÊMIO FAPEMA 2026
Categoria: Tese de Doutorado
Área do Conhecimento: Ciências da Saúde
Título: Desenvolvimento e caracterização de sistemas adesivos universais contendo diferentes concentrações de nanopartículas bioativas de niobioapatit
Orientador: José Roberto Bauer
Voltar ao dentista para refazer uma restauração significa reservar tempo, enfrentar novas consultas e, muitas vezes, assumir uma despesa que não estava nos planos. Para quem depende do atendimento público ou mora longe dos serviços de saúde, esse caminho pode ser ainda mais difícil. Foi pensando nesse problema que Rayssa Ferreira Cavaleiro de Macêdo, pesquisadora egressa da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), desenvolveu sua pesquisa de doutorado, reconhecida no Prêmio FAPEMA 2026. O trabalho contou com a orientação dos professores Dr. José Roberto de Oliveira Bauer e Dr. Paulo Vítor Campos Ferreira.
A pesquisa concentrou-se nos chamados “adesivos odontológicos universais”, materiais que reúnem componentes em um único frasco e permitem diferentes estratégias de aplicação ao tecido dentário. Apesar da praticidade que oferecem ao trabalho do dentista, a durabilidade da camada de ligação formada por esses materiais ainda motiva investigações. Assim, a proposta do estudo foi desenvolver adesivos universais experimentais com nanopartículas de niobioapatit, buscando associar a adesão ao dente ao potencial de favorecer a formação de minerais.
“Em restaurações adesivas, o dentista utiliza um material chamado sistema adesivo, que funciona como uma ponte de ligação entre o tecido dentário e o material restaurador. Essa camada precisa manter a capacidade de união ao longo do tempo, pois quando se degrada, pode comprometer o tratamento e contribuir para a necessidade de reparo ou substituição da restauração. Nossa proposta é que, além de manter o material restaurador unido ao dente, o adesivo experimental favoreça a deposição de minerais, com potencial para contribuir para a remineralização do tecido dentinário, e preservação dessa união, sem acrescentar etapas ao procedimento realizado pelo dentista”, explica a pesquisadora.
Mais sobre a pesquisa
As partículas estudadas foram produzidas a partir de hidroxiapatita modificada com um composto de nióbio, formando a niobioapatit. Essa combinação produziu partículas de escala nanométrica, muito menores do que conseguimos enxergar a olho nu, as quais foram incorporadas aos adesivos. A equipe de pesquisa preparou três formulações, com concentrações de 1%, 2,5% e 5% de nanopartículas, e comparou seu desempenho com o de um adesivo experimental sem essas partículas e o de um produto comercial.

Foto perfil da pesquisadora
Os ensaios foram realizados em laboratório, utilizando dentes humanos. Entre os aspectos investigados estava a resistência da união entre o material restaurador e a dentina, tecido localizado abaixo do esmalte e que representa um dos principais desafios para a adesão em Odontologia. Nos testes iniciais, foram observados resultados favoráveis de resistência adesiva nas formulações com nanopartículas. Os adesivos experimentais apresentaram maior resistência adesiva a curto prazo e menor nanoinfiltração da interface dente-restauração a longo prazo.
Outro resultado importante foi a capacidade de formar depósitos minerais contendo cálcio e fósforo, elementos importantes na composição dos dentes. Esse achado aponta potencial para favorecer a remineralização, processo de reposição de minerais no tecido dentário. A pesquisa incluiu também testes com células humanas para observar possíveis efeitos tóxicos. Nas condições avaliadas, a incorporação das partículas não comprometeu a compatibilidade biológica em relação aos adesivos de comparação.
Resultados promissores
Embora ainda sejam necessários estudos clínicos para verificar o desempenho desses materiais em pacientes, o trabalho avança o conhecimento em adesivos odontológicos ao apresentar resultados laboratoriais promissores que associam adesão ao tecido dentário, técnica simplificada e deposição mineral, com potencial para favorecer a remineralização. Socialmente, isso representa a possibilidade de reduzir o ciclo de falhas e retratamentos que penaliza principalmente quem mais sofre com a falta de acesso: as camadas mais vulneráveis da população.

O trabalho também abre perspectivas para o uso do nióbio em materiais destinados à saúde. Essa aplicação pode fortalecer a pesquisa e a formação de profissionais no Maranhão, além de criar oportunidades para parcerias, investimentos e desenvolvimento de novas tecnologias. Os resultados mostram, portanto, como a ciência produzida no estado pode contribuir para o avanço dos biomateriais odontológicos e para a busca de soluções voltadas a problemas presentes no cotidiano da população.





