Iniciativa desenvolvida em Grajaú leva experiências de astroturismo à aldeia Arymy e gera renda para comunidade índigena
Genilson Vieira Martins

Possui graduação em Licenciatura em Física pelo Instituto Federal do Maranhão (2010) e mestrado em Física pela Universidade Federal do Maranhão (2012). Coordena projetos de divulgação científica, incluindo o ‘Astronomia no Sertão’ e ações de robótica em escolas indígenas de Grajaú.
VENCEDOR DO PRÊMIO FAPEMA 2026
Categoria: Pesquisador Extensionista
Área do Conhecimento: Ciências Sociais Aplicadas
Título: Rota das estrelas: astro e etnoturismo em comunidades tradicionais

Observar o céu pode ser também uma forma de conhecer uma cultura. É essa a proposta do projeto Rota das Estrelas, desenvolvido pelo pesquisador Genilson Vieira Martins, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão (IFMA) – campus Grajaú. A iniciativa utiliza a astronomia como ponto de encontro entre o conhecimento científico, os saberes tradicionais e o turismo de base comunitária. A região de estudo foi a Aldeia Arymy, localizada na Terra Indígena Bacurizinho, em Grajaú.
A iniciativa surgiu a partir da experiência do projeto de extensão ‘Astrofotografia no Sertão de Grajaú’, que passou a incorporar o turismo como uma possibilidade de geração de renda para a comunidade indígena. A proposta foi construída em diálogo com as lideranças locais e prevê fazer dos próprios moradores protagonistas das experiências oferecidas aos visitantes.
“Eu tenho um carinho muito grande pelo Rota das Estrelas porque ele dá a oportunidade para as pessoas conhecerem as culturas indígenas. Ao mesmo tempo dá oportunidade para os indígenas de terem uma fonte de renda. Com isso, há geração de renda de forma sustentável”, pontuou o pesquisador Genilson Vieira.

Área de acampamento na comunidade para receber visitantes
As atividades são realizadas em formato de acampamentos de dois dias, nos quais os visitantes participam de observações astronômicas com telescópios e de diferentes experiências relacionadas à cultura e ao cotidiano da comunidade. A programação inclui pintura corporal com jenipapo, alimentação tradicional, conversas sobre cosmologias indígenas, trilhas ecológicas, banho de rio e atividades como competições de arco e flecha.
A divulgação dos eventos é feita pelas redes sociais, com inscrições abertas aos interessados. A proposta é que a experiência vá além da observação do céu, promovendo uma troca entre visitantes e moradores. “Uma das coisas que eu considero mais bonitas de se ver são as pessoas de diferentes lugares chegando até a aldeia e conhecendo os costumes, ouvindo as histórias, compartilhando os conhecimentos. Há um compartilhamento de conhecimento tanto das pessoas que estão indo para a aldeia quanto dos indígenas com os turistas”, revela.
Nesse processo, a astronomia científica também se encontra com diferentes formas de interpretar o céu. Para o pesquisador, “a experiência não se resume a levar equipamentos e conhecimentos científicos para a aldeia, mas envolve aprender com os saberes construídos pela própria comunidade”.

O projeto conquistou o Prêmio FAPEMA 2026, na categoria Pesquisador Extensionista, área de Ciências Sociais Aplicadas. O pesquisador já foi vencedor do Prêmio LED 2025 – Luz na Educação, da Rede Globo, com o projeto Astronomia no Sertão.
Renda e cultura
Entre dezembro de 2024 e abril de 2025, foram realizadas três edições do projeto, envolvendo 45 famílias indígenas. Cerca de 30 moradores foram capacitados para atuar como guias e organizadores das atividades de turismo de base comunitária.
A geração de renda acontece diretamente por meio das experiências oferecidas aos visitantes, além da comercialização de artesanato e alimentos. Os recursos obtidos são destinados integralmente à própria comunidade. “O turismo de base comunitária pode criar oportunidades econômicas, sem desvincular as famílias de seu território e práticas culturais”, observa Genilson Vieira.
Tecnologia e tradição
Além dos telescópios utilizados nas observações, o projeto também desenvolveu um protótipo de plataforma digital com imagens em 360 graus, permitindo experiências imersivas relacionadas ao turismo na comunidade.
A experiência contribuiu para a inclusão da Aldeia Arymy na rota turística de Grajaú e no polo turístico Serras Guajajara Timbira Kanela. A proposta também apresenta possibilidades de adaptação para outras comunidades indígenas, quilombolas e rurais interessadas no turismo sustentável, a partir de seus territórios e conhecimentos.






