Iniciativa atendeu 127 estudantes do interior do estado, promovendo o ensino de ciências por meio da cultura maker
João Otávio Bandeira Diniz

Graduado e Mestre em Ciência da Computação pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA) Doutor em Engenharia Elétrica (processamento de imagens) pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA).
VENCEDOR DO PRÊMIO FAPEMA 2026
Categoria: Pesquisador Extensionista
Título: Popularização de tecnologias emergentes para alunos de escolas públicas e comunidades tradicionais de Grajaú.

Robótica, prototipagem em impressoras 3D, informática básica e lançamento de foguetes de garrafa PET tornou-se realidade no cotidiano do ambiente escolar de 127 estudantes de escolas públicas, áreas rurais e aldeias indígenas no município de Grajaú. A iniciativa é fruto do projeto de extensão “Popularização de Tecnologias Emergentes para Alunos de Escolas Públicas e Comunidades Tradicionais de Grajaú”, desenvolvido pelo Instituto Federal do Maranhão (IFMA – Campus Grajaú).
Coordenado pelo pesquisador João Otávio Bandeira Diniz, no âmbito da Fábrica de Inovação da instituição, o projeto foi estruturado para expandir o acesso à educação científica e impulsionar a inclusão tecnológica na região. Segundo João, a iniciativa busca complementar o aprendizado em sala de aula com práticas inovadoras. “No interior do Maranhão, levar tecnologias emergentes às salas de aula é um passo fundamental para o fortalecimento da cidadania e do desenvolvimento local. Nosso objetivo foi levar a cultura maker e a robótica para somar com o ensino tradicional, proporcionando experiências práticas e transformadoras aos estudantes”, afirma.
Para além da robótica e do uso de computadores, o projeto utilizou a astronomia prática e a física experimental como portas de entrada para despertar a curiosidade científica dos estudantes. As sessões de observação astronômica e os testes de lançamento de foguetes ajudaram a desmistificar conceitos complexos da física, demonstrando de forma lúdica como as leis da natureza funcionam no dia a dia.
Estrutura metodológica do projeto, que venceu o Prêmio FAPEMA 2026 na categoria Pesquisador Extensionista, garantiu que o aprendizado não ficasse restrito a uma única via. Enquanto o eixo do ensino capacitou os estudantes na montagem de artefatos tecnológicos, o pilar da pesquisa registrou e analisou os impactos sociais do uso dessas ferramentas em áreas de vulnerabilidade. Na extensão, esse ciclo se completou ao devolver à sociedade soluções práticas que aproximam a universidade das demandas reais do interior maranhense.
Aprendizagem “mão na massa” e protagonismo discente
Diferente das aulas convencionais, as atividades propostas pelo IFMA baseiam-se em metodologias ativas e no conceito de “aprender fazendo” (cultura maker). As oficinas itinerantes percorreram escolas urbanas e rurais, além de territórios indígenas, permitindo que as crianças e jovens manipulassem componentes eletrônicos, programassem circuitos e colocassem teorias de física e astronomia em prática.
O impacto pedagógico dessa abordagem se traduz nos números do projeto: ao longo de 18 oficinas práticas, os estudantes construíram 35 protótipos de robôs, criaram 40 artefatos através de impressoras 3D e projetaram cerca de 150 foguetes experimentais.
Para João Otávio, ver os alunos interagindo com os experimentos transforma a relação deles com o conhecimento. “Quando um estudante de escola pública ou de uma comunidade indígena monta o seu próprio robô ou lança um foguete construído por ele, a relação dele com a ciência muda completamente. Ele deixa de ser um mero espectador e passa a se reconhecer como criador e protagonista”, avalia Diniz.
Diálogo de saberes nas comunidades tradicionais
Um dos pilares do trabalho promovido em Grajaú foi a escuta atenta às lideranças locais e gestores escolares antes do início dos minicursos. O cuidado garantiu que o uso das ferramentas digitais respeitasse a identidade e o contexto cultural de cada grupo atendido, especialmente nas comunidades indígenas e rurais. Diniz ressalta que o projeto atuou para unir, e não sobrepor, conhecimentos. “A tecnologia não pode ser vista como algo distante da realidade local. Ao trabalhar com comunidades rurais e indígenas de Grajaú, buscamos promover um diálogo sincero entre o conhecimento científico acadêmico e a sabedoria tradicional de cada território”, aponta o pesquisador.

O entusiasmo gerado nas oficinas transbordou os limites da sala de aula. Os estudantes atendidos participaram ativamente de jornadas científicas, culminando com a conquista de medalhas na Olimpíada Brasileira de Foguetes, um marco histórico para as escolas públicas da região.
Além do atendimento direto aos estudantes da educação básica, a iniciativa garantiu o potencial multiplicador ao capacitar professores da rede pública e formar 8 monitores, alunos de cursos técnicos e superiores do IFMA, que atuaram na preparação e condução das oficinas. O coordenador comemora o desempenho dos jovens e o caráter duradouro da ação. “Ver 127 jovens produzindo dezenas de protótipos e conquistando medalhas na Olimpíada Brasileira de Foguetes prova que o talento está em todo lugar; o que falta, muitas vezes, é apenas a oportunidade e o acesso aos recursos certos”, destaca.
Demonstrando que a ciência e a extensão pública são ferramentas concretas de transformação social, João Otávio Bandeira Diniz reforça a missão da instituição no interior. “A verdadeira extensão universitária é aquela que transforma realidades. Ao capacitar alunos, monitores e professores locais, deixamos uma semente plantada para a redução das desigualdades e a construção de um futuro mais inovador no nosso estado“, conclui.





