Com 145 artigos, 21 patentes depositadas e liderança em redes de pesquisa, a professora contribui para a bioeconomia, formação científica e desenvolvimento sustentável
Cláudia Quintino da Rocha

Licenciada e Bacharel em Química pelo UNIPAM, mestre em Química pela UNIFAL e doutora em Química Orgânica pelo Instituto de Química – UNESP/Araraquara. Tem pós-doutorado pela Université de Genève e no IB-UNESP/FAPESP.
VENCEDORA DO PRÊMIO FAPEMA 2026
Categoria: Pesquisador Sênior
Área do Conhecimento: Exatas e Engenharias
Título: Memorial Descritivo

A biodiversidade maranhense e suas possibilidades de aplicações tecnológicas e inovadoras permeiam as produções acadêmico-científicas de Cláudia Quintino da Rocha. Doutora em Química e professora da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), com seus trabalhos e orientações tem contribuído para ampliar o conhecimento sobre esta biodiversidade. À frente de estudos na área de Química de Produtos Naturais, ela investiga substâncias de espécies da Amazônia Oriental e Cerrado com potencial farmacológico e biotecnológico. A pesquisadora defende que a biodiversidade maranhense é um estratégico ativo científico na geração de conhecimento, inovação e oportunidades de desenvolvimento.
Entre os resultados de maior relevância de sua produção está o isolamento e caracterização de uma classe de moléculas inéditas na literatura científica, obtidas a partir de plantas da flora maranhense. A descoberta amplia as fronteiras da química de produtos naturais e mostra o potencial da biodiversidade local para a identificação de novos compostos bioativos.

Além da caracterização estrutural das substâncias, a pesquisadora nomeou nova classe molecular. “Investigações nessa área abrem caminhos para futuras aplicações em setores como saúde, cosméticos e agricultura”, observa Cláudia Quintino.
Estruturação da infraestrutura científica também é parte das contribuições de Cláudia Quintino à pesquisa no estado. Na UFMA, iniciativas como a Central Analítica Multiusuária e o Centro Multidisciplinar para Impulsionamento da Transição Ecológica (CEMIT) auxiliaram na realização de análises complexas e no avanço de pesquisas inovadoras. “Favorecer essa infraestrutura é promover autonomia científica e transformar conhecimento em soluções para a sociedade”, afirma Cláudia Quintino.

Outro eixo está na articulação entre instituições e pesquisadores. Como coordenadora-geral da Rede PPBio Amazônia Oriental, lidera uma ação que reúne mais de 20 instituições e mais de 100 pesquisadores. O trabalho refere-se a inventário e monitoramento da biodiversidade, conservação ambiental e uso sustentável de recursos naturais. Sua atuação também abrange ações na Rede FitoAmazônia e projetos de cooperação acadêmica; e participação ativa em debates sobre políticas públicas de conservação da biodiversidade, tendo contribuições em planos nacionais, no âmbito do Ministério do Meio Ambiente.
Disseminação do conhecimento
A formação de recursos humanos é outro destaque de sua trajetória. A pesquisadora orientou 36 estudantes de iniciação científica, 12 dissertações de mestrado e nove teses de doutorado, além de supervisionar nove estágios de pós-doutorado. Também coordenou a criação do curso de Doutorado em Química da UFMA, aprovado em 2023. Do total de artigos publicados, 53 têm coautoria com orientandos, mostrando integração entre pesquisa e formação acadêmica. Além desses, coordenou 18 projetos via CAPES, CNPq, FINEP e FAPEMA. “Formar novos pesquisadores é assegurar a continuidade da produção científica”, ressalta Cláudia Quintino. No âmbito da cooperação internacional, possui parcerias acadêmicas na Universidad de Sonora (México) e Universidade do Porto (Portugal).
Produção e reconhecimento
Cláudia Quintino contabiliza 145 artigos em periódicos científicos, mais de 2 mil citações em publicações, 21 patentes depositadas (incluindo registros internacionais, das quais duas já foram concedidas). Recebeu o Prêmio Nacional Otto Richard Gottlieb, da Sociedade Brasileira de Química; foi reconhecida quatro vezes consecutivas no Prêmio Maria Ozanira, por sua produção científica em Ciências Exatas; e mais recentemente, o Prêmio FAPEMA 2026, na categoria Pesquisador Sênior, por sua obra.





