A pesquisa identificou alterações em camundongos geneticamente modificados e aponta perspectivas para compreender a relação vírus e sistema cardiovascular
Carlos Eduardo Dias Santos

Graduando em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA). É bolsista de Iniciação Científica, vinculado ao Laboratório de Bioanálises (LaBIO) e ao Programa de Pós-Graduação em Saúde do Adulto (PPGSAD), da UFMA.
VENCEDOR DO PRÊMIO FAPEMA 2026
Categoria: PopVídeo Ciências
Área do Conhecimento: Ciências da Saúde
Pesquisa da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) investiga a possível relação entre a presença do Papilomavírus Humano tipo 16 (HPV16) e alterações no tecido cardíaco. O estudo, desenvolvido pelo graduando em Ciências Biológicas, Carlos Eduardo Dias Santos, analisou tecidos cardíacos de camundongos transgênicos (ou geneticamente modificados) para o HPV16 e identificou lesões como vasculite, degeneração fibrinoide e espessamento da parede arterial. Intitulado ‘Estudo histopatológico de tecidos de camundongos transgênicos para o Papilomavírus Humano Tipo 16’, o trabalho foca em identificar e caracterizar possíveis mudanças nestes tecidos cardíacos.
A pesquisa teve como foco a análise de tecidos cardíacos de camundongos transgênicos para o HPV16. As amostras foram submetidas a processamento histológico, coloração com Hematoxilina e Eosina e avaliação por microscopia óptica. Entre as alterações observadas estão vasculite, degeneração fibrinoide e espessamento da parede arterial. Segundo Carlos Santos, a proposta nasceu da necessidade de ampliar a compreensão sobre os efeitos do HPV16 no organismo.
“Nossa equipe pretende compreender de que maneira a presença e a expressão do HPV16 podem estar relacionadas ao desenvolvimento de alterações no tecido cardíaco. Principalmente, as associadas a processos inflamatórios, degenerativos e vasculares”, explica o pesquisador Carlos Santos.
A etapa experimental do estudo já foi concluída e contempla o processamento e a análise histopatológica das amostras. Foram avaliados animais transgênicos positivos para HPV16 e camundongos controle negativos, considerando diferentes faixas etárias e os dois sexos. As amostras foram enviadas pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), em Portugal, instituição que mantém colaboração científica há cerca de 15 anos com pesquisadores envolvidos no estudo.
Os resultados apontaram uma diferença expressiva entre os grupos analisados. Em animais negativos para HPV16, não foram identificadas lesões. Já entre os animais positivos, 54,2% apresentaram alterações histopatológicas e a análise estatística indicou associação entre a presença do vírus e a ocorrência das lesões. Também foram verificadas diferenças relacionadas à idade, sobretudo entre os machos. Houve um aumento na frequência das alterações, subindo de 10% aos sete meses de vida do animal para 100%, aos 11 meses.

observado pelo aumento da espessura da parede do vaso sanguíneo
Os achados apontam a hipótese de que o HPV16 pode estar relacionado a alterações que ultrapassam os processos diretamente associados à carcinogênese (processo biológico pelo qual células normais se transformam em células cancerígenas). Apesar dos resultados, os pesquisadores apontam a necessidade de novos estudos para esclarecer os mecanismos envolvidos. Entre as próximas etapas do trabalho estão a ampliação do número de animais avaliados e realização de análises moleculares para investigar possíveis biomarcadores associados ao HPV16.

Reconhecimento científico
Orientado pelos professores Rui Miguel Gil da Costa Oliveira e Haissa Oliveira Brito, da UFMA, o trabalho contou com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (FAPEMA) e conquistou o Prêmio FAPEMA 2026, na categoria PopVídeo Ciências. “É o reconhecimento e valorização de todos que contribuíram para a execução deste estudo”, ressalta Carlos Santos.




