Pesquisa de Joyce Melo Mesquita, vencedora do Prêmio FAPEMA 2026, aproxima ciência e saberes tradicionais, fortalece a formação de professores e valoriza o patrimônio cultural maranhense
Joyce Melo Mesquita

Joyce Melo Mesquita
Doutora em Educação em Ciências e Matemática pela REAMEC, mestre em Ensino de Ciências e Matemática pela Universidade Federal do Ceará (UFC) e licenciada em Química pela Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA).
VENCEDORA DO PRÊMIO FAPEMA 2026
Categoria: Comunidades Tradicionais e Patrimônio Cultural
Título da pesquisa: Interseção entre conhecimento científico e saberes tradicionais quilombolas: Formação de professores de ciências e produção de artesanato da fibra do buriti

Na comunidade Quilombola Marcelino, em Barreirinhas, a ciência ganha forma nas tramas da fibra do buriti, nas cores extraídas de plantas e nos conhecimentos transmitidos entre gerações. Foi nesse encontro entre ciência, educação e tradição que Joyce Melo Mesquita desenvolveu a pesquisa vencedora do Prêmio FAPEMA 2026, na categoria Comunidades Tradicionais e Patrimônio Cultural.
Realizado no Instituto Federal do Maranhão (IFMA), Campus Barreirinhas, o estudo teve como tema Interseção entre conhecimento científico e saberes tradicionais quilombolas: Formação de professores de ciências e produção de artesanato da fibra do buriti. A pesquisa aproximou a formação de professores da área de Ciências dos saberes das artesãs quilombolas, investigando técnicas tradicionais de extração, combinação e fixação de corantes naturais utilizados no tingimento da fibra do buriti.
A pesquisa demonstrou como práticas cotidianas da comunidade podem se transformar em possibilidades de aprendizagem, conectando conceitos de Química e Biologia às histórias, identidades e relações com a natureza que constituem o território. Entre as experiências realizadas estão a extração de genipina do jenipapo, em uma atividade de Química Orgânica, e a oficina Tramas e Cores do Buriti Rei, promovida durante o Universo IF 2024.

Para Joyce Melo Mesquita, a experiência evidencia o potencial dos conhecimentos tradicionais para enriquecer o ensino de Ciências e aproximar a escola da realidade das comunidades. “A pesquisa mostrou que os saberes tradicionais também são fontes de conhecimento científico e podem tornar o ensino mais contextualizado, valorizando a cultura e a história de cada território”, destaca a pesquisadora.
Desenvolvida por meio da investigação-ação crítica, a iniciativa envolveu entrevistas com artesãs, registros de campo e atividades educativas. Os resultados apontaram contribuições para uma formação docente contextualizada, intercultural e antirracista, capaz de reconhecer diferentes formas de produzir conhecimento e incorporar saberes afro-brasileiros e indígenas ao ensino de Ciências.
Além de gerar trabalhos apresentados em eventos científicos e um capítulo de livro publicado em 2025, a pesquisa fortaleceu o diálogo entre o IFMA, a educação básica e a comunidade. Essa experiência também abriu caminhos para o projeto Trilhas, saberes, sabores e movimentos: educação profissionalizante conectada aos arranjos produtivos de comunidades tradicionais dos Lençóis Maranhenses, aprovado no âmbito do Plano Maranhão 2050, ampliando as possibilidades de articulação entre educação, cultura e desenvolvimento local.
O apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (FAPEMA), por meio de uma bolsa de Iniciação Científica, foi fundamental para a participação de uma estudante nas etapas da pesquisa, inclusive nos deslocamentos até a comunidade, que é de difícil acesso. O investimento possibilitou a vivência da ciência no território e contribuiu para a construção de conhecimentos que retornam à sociedade por meio da formação, da produção científica e da valorização cultural.
Ao destacar a importância desse incentivo, Joyce ressalta o papel do financiamento à pesquisa na aproximação entre a universidade, as comunidades e a sociedade. “O apoio da FAPEMA foi essencial para viabilizar etapas importantes do trabalho e fortalecer uma pesquisa que valoriza os saberes tradicionais e contribui para uma educação mais inclusiva”, afirma.

Ao reconhecer os saberes tradicionais como parte do patrimônio cultural maranhense, o trabalho também destaca a importância do uso sustentável dos recursos naturais e do fortalecimento das identidades locais. Sua contribuição dialoga com os Objetivos de
Desenvolvimento Sustentável (ODS) 4, 10 e 12, relacionados à educação de qualidade, à redução das desigualdades e ao consumo e à produção responsáveis.

seu trabalho na oficina do Rei Buriti





