Modelo experimental demonstra potencial anti-inflamatório para o trato de HPV-negativo em câncer de pênis
Armando Vitor Moreno

Graduando em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA).
VENCEDOR DO PRÊMIO FAPEMA 2026
Área: Ciências da Saúde
Categoria: Jovem Cientista
Título da pesquisa: Análise morfológica sistêmica de animais expostos ao tratamento crônico com composto isolado da Scoparia dulcis L.
Orientador: Haissa Oliveira Brito
Investigação desenvolvida na Universidade Federal do Maranhão (UFMA) alerta para uma forma ainda pouco compreendida do câncer de pênis. Desenvolvida pelo graduando em Ciências Biológicas, Armando Vitor Pinto Moreno, o estudo ‘Análise morfológica sistêmica de animais expostos ao tratamento crônico com composto isolado da Scoparia dulcis L.’ parte de um problema de saúde de relevância nacional e sua associação ao Papilomavírus Humano (HPV). Neste sentido, a pesquisa avalia o potencial anti-inflamatório de uma substância natural, extraída da Scoparia dulcis L. – popularmente conhecida como ‘vassourinha’ – no tratamento de casos negativos para o HPV deste tipo de câncer. Os primeiros resultados apontaram redução de danos penianos.
O câncer de pênis pode seguir diferentes vias de desenvolvimento. Uma delas está associada à infecção pelo HPV, principalmente pelos subtipos HPV-16 e HPV-18. A outra, independente do vírus, permanece menos esclarecida e pode envolver processos de inflamação crônica. Portanto, compreender a via HPV-negativa é importante, pois há muitas lacunas sobre os mecanismos envolvidos nesse tipo de câncer, alerta o pesquisador.
“Um modelo experimental capaz de avaliar essas alterações pode abrir caminhos para novas investigações e tratamentos da doença”, explica Armando Moreno. O trabalho, orientado pela doutora em Farmacologia e professora da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Haissa Oliveira Brito, foi vencedor do Prêmio FAPEMA 2026, na categoria Jovem Cientista.
A pesquisa utilizou ratos da raça Wistar para caracterizar alterações morfológicas provocadas experimentalmente e, a partir daí, avaliar o comportamento do cirsitakaosídeo (cirsimarina), um dos tipos de flavonoides encontrados na Scoparia dulcis L. “No nosso trabalho, utilizamos a cirsimarina isolada, e não a planta inteira, com objetivo de avaliar seus possíveis efeitos nos ratos analisados”, explica o pesquisador. O experimento envolveu animais machos, mantidos sob condições controladas de alimentação, água, temperatura e luminosidade.
Na avaliação microscópica, as diferenças entre os grupos se tornaram evidentes. Animais do grupo de controle apresentaram estrutura peniana preservada, já aqueles expostos ao elemento 4NQO, desenvolveram, entre outras complicações, inflamação grave e dificuldade de retração do prepúcio. Nos animais tratados com o composto isolado da vassourinha, especialmente quando aplicadas doses maiores, foi observada redução dos processos inflamatórios.

Os resultados sugerem que o cirsitakaosídeo pode atenuar os danos penianos induzidos pelo modelo experimental de inflamação e carcinogênese. “Porém, são necessários estudos adicionais para confirmar seu efeito antineoplásico (medicamentos usados no tratamento de tumores malignos) e esclarecer seus mecanismos de ação. O protocolo experimental foi aprovado pelo Comitê de Ética no Uso de Animais da UFMA, sob o nº 23115.031213/2021-24.
O próximo passo é aprofundar as análises morfológicas e moleculares para entender melhor como o composto atua e quais mecanismos podem estar envolvidos”, afirma o pesquisador.
Tratamento e aplicação

Os efeitos não se limitaram à região que recebeu o tratamento diretamente. Na língua, os pesquisadores observaram alterações que provavelmente ocorreram devido ao contato indireto com os agentes, durante a autolimpeza natural dos animais. Nos grupos expostos ao 4NQO e à carragenina, foram identificados inflamação da mucosa oral (estomatite), desorganização do epitélio, acúmulo de células inflamatórias e áreas localizadas de necrose (morte de células e tecidos).
A combinação dos dois agentes provocou as alterações mais intensas, caracterizadas por estomatite ulcerativa, necrose e inflamação acentuada. Por outro lado, o cirsitakaosídeo, na dose de 10 mg/kg, esteve associado a uma redução da intensidade da inflamação, sugerindo um possível efeito protetor parcial. Já a próstata e os testículos mantiveram sua estrutura tecidual preservada em todos os grupos analisados, sem alterações significativas.





