Projeto reúne diferentes formatos e plataformas para aproximar a sociedade da produção científica do Maranhão e da Amazônia Legal, ampliando o alcance das pesquisas e valorizando quem faz ciência.
Thaísa Bueno

Jornalista formada pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), mestre em Letras pela mesma instituição (2007) e doutora em Comunicação Social pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS, 2015).
VENCEDORA DO PRÊMIO FAPEMA 2026
Categoria: Comunicação Científica
Área: Jornalismo impresso ou digital
Título: Rede FitoAmazônia: uma matéria estendida sobre a ciência produzida na Amazônia
A ciência produzida no Maranhão e nos demais estados da Amazônia Legal tem muito a contar para além dos laboratórios e das publicações acadêmicas. Para que essas histórias cheguem a diferentes públicos, a Rede FitoAmazônia aposta em uma estratégia de divulgação científica que combina jornalismo, audiovisual e redes sociais. Reunindo seis instituições públicas de ensino e pesquisa, a iniciativa busca traduzir estudos sobre biodiversidade, bioeconomia e saúde em conteúdos acessíveis, sem abrir mão do rigor científico.
Uma das principais estratégias adotadas é a chamada “matéria estendida”, que transforma uma reportagem em ponto de partida para diferentes conteúdos. Nesse modelo, o portal institucional concentra as informações mais aprofundadas, enquanto as redes sociais ampliam a circulação da pauta por meio de vídeos, entrevistas, curiosidades e outros formatos. A proposta surgiu da percepção de que uma pesquisa pode render diferentes narrativas e alcançar públicos diversos.
A jornalista e doutora em Comunicação Thaísa Bueno, pesquisadora à frente da iniciativa na UFMA, em Imperatriz, explica como essa abordagem foi concebida. “A ideia nasceu da percepção de que a divulgação científica não precisava terminar quando a reportagem era publicada”, afirma Thaísa. A pesquisadora complementa. “Em vez de inscrever uma matéria fechada, pensamos em um formato que reunisse diferentes produtos e representasse melhor o que temos feito na divulgação científica”.
Transformar pesquisas complexas em conteúdos curtos e atraentes, no entanto, exige muito mais do que adaptar textos para as redes sociais. O trabalho envolve leitura, diálogo com pesquisadores, seleção de informações e revisões constantes para garantir que a simplificação da linguagem não comprometa a precisão científica.
Comunicação como ponte entre ciência e sociedade
Além de traduzir conceitos, a divulgação científica precisa considerar as experiências e necessidades de quem recebe a informação. Nesse processo, a escuta é fundamental para aproximar a produção acadêmica da realidade das comunidades, criando conexões entre o conhecimento produzido nas universidades e as questões presentes no cotidiano da população.
“Acho que o primeiro passo é entender o que cada lado realmente busca. A comunidade quer compreender, usar aquele conhecimento e perceber como ele se relaciona com a sua realidade. O pesquisador também quer que o conhecimento produzido circule, seja compreendido e gere impacto. No fundo, existe um interesse comum, mas nem sempre esses grupos ocupam os mesmos espaços ou falam a mesma linguagem”, analisa a pesquisadora.
A estratégia também passa pela experimentação de formatos e linguagens. Quadros como o #FitoTrend e o #FitoExplica permitem explorar diferentes maneiras de apresentar os resultados das pesquisas, acompanhando a dinâmica das plataformas digitais. Para Thaísa, encontrar o equilíbrio entre alcance e profundidade é um processo contínuo, que exige observar a resposta do público sem transformar a busca por engajamento no principal objetivo da comunicação.
A experiência também tem contribuído para a reflexão sobre as próprias práticas de divulgação científica. Ao produzir conteúdos, testar abordagens e acompanhar os resultados, a equipe reúne aprendizados que podem orientar novas estratégias de comunicação e ajudar a compreender como diferentes formatos aproximam a ciência da sociedade.
Dar rosto e voz a quem faz ciência
Entre as iniciativas da Rede FitoAmazônia, o quadro “Em Cena” se destaca por colocar os próprios pesquisadores diante das câmeras. A proposta é mostrar as pessoas, as trajetórias e o trabalho que existem por trás de cada descoberta, aproximando o público de uma atividade que muitas vezes parece distante da vida cotidiana.
“O “Em Cena” parte de uma ideia muito simples: mostrar quem faz a ciência. Por trás de uma vacina, de uma pomada cicatrizante, de uma descoberta sobre plantas ou de qualquer resultado de pesquisa, existem pessoas, trajetórias, dúvidas, tentativas e muito trabalho. Quando o pesquisador aparece e fala diretamente com o público, a ciência deixa de parecer algo distante ou abstrato e ganha rosto e história. Além de humanizar, isso aproxima”, reflete Thaísa.

Divulgação científica e desenvolvimento sustentável
No Maranhão, aproximar a ciência da sociedade também significa dar visibilidade a pesquisas relacionadas às características, aos desafios e às potencialidades do território. Estudos sobre biodiversidade, plantas medicinais, inovação, saúde e conservação podem contribuir para diferentes setores, desde que seus resultados circulem e sejam compreendidos por quem pode se beneficiar deles.
“Quando divulgamos pesquisas sobre biodiversidade, plantas medicinais, inovação, saúde ou conservação, a gente não está apenas contando uma descoberta. Estamos ajudando esse conhecimento a circular e a chegar a comunidades, estudantes, gestores e outros públicos que podem se beneficiar dele”, sintetiza Thaísa Bueno.
Nesse contexto, o reconhecimento de iniciativas de divulgação científica pelo Prêmio FAPEMA reforça a importância da comunicação como parte do próprio processo de produção do conhecimento. Ao valorizar projetos que aproximam pesquisadores e sociedade, a premiação também destaca o papel da ciência no desenvolvimento sustentável do estado.
“O reconhecimento da FAPEMA reforça justamente isso: divulgação científica não é um complemento da pesquisa, é parte do seu impacto”, conclui a pesquisadora, que venceu o Prêmio FAPEMA 2026 na categoria Comunicação Científica.
Ao apostar em diferentes formatos e linguagens, a Rede FitoAmazônia mostra como o jornalismo científico pode ampliar o alcance das pesquisas e aproximar a produção acadêmica da vida cotidiana. Mais do que divulgar resultados, a iniciativa busca criar caminhos para que o conhecimento produzido na região seja conhecido, compreendido e valorizado pela sociedade.






