Estudo identificou aumento de cerca de 130% no teor de proteína bruta, após enriquecimento do bagaço da fruta com leveduras
Felype Isac Meireles

Estudante de Zootecnia da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), é bolsista de iniciação científica da FAPEMA e integra o Núcleo de Pesquisa em Produção e Conservação de Forragens do grupo GEPRUMA.
Vencedor do Prêmio FAPEMA 2026
Categoria: Pop Vídeo Ciências
Área do Conhecimento: Ciências Agrárias
Título: Microrganismos leveduriformes como potencializador proteico em resíduos da agroindústria de acerola para alimentação de ruminantes
Orientador: Anderson de Moura Zanine
O aproveitamento de resíduos da agroindústria pode contribuir para uma alimentação animal mais nutritiva e para a redução de impactos ambientais causados pelo descarte inadequado de materiais orgânicos. Com essa proposta, a pesquisa “Microrganismos leveduriformes como potencializador proteico em resíduos da agroindústria de acerola para alimentação de ruminantes” investigou o uso de leveduras para enriquecer nutricionalmente o bagaço de acerola.
O estudo identificou aumento em 130% no teor de proteína bruta do material enriquecido em comparação com o resíduo não tratado, além de uma redução da fração fibrosa, característica que pode favorecer a digestibilidade do alimento.
Desenvolvido por Felype Isac Meireles Boaventura, estudante do curso de Zootecnia da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), campus Chapadinha, o trabalho teve orientação do professor doutor Anderson de Moura Zanine, e apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (FAPEMA). A pesquisa foi reconhecida no Prêmio FAPEMA 2026, na categoria Pop Vídeo Ciências.
O processamento industrial de frutas gera resíduos que, quando descartados de maneira inadequada, podem provocar impactos ambientais. Entre esses materiais está o bagaço de acerola, que conserva açúcares e outros nutrientes capazes de torná-lo uma alternativa para a alimentação de animais ruminantes como bovinos, ovinos e caprinos.
A pesquisa investigou o potencial da levedura Saccharomyces cerevisiae para melhorar a composição nutricional desse resíduo. Por meio da fermentação, o microrganismo contribui para a transformação do material em uma biomassa enriquecida em proteínas, ampliando suas possibilidades de aproveitamento na nutrição animal.
A proposta se insere no contexto da valorização de subprodutos agroindustriais, ao buscar alternativas para converter materiais frequentemente descartados em recursos úteis à produção pecuária.
Processo de execução
Para avaliar a eficácia do processo, o bagaço de acerola passou por etapas de secagem, tratamento e enriquecimento, seguidas da fermentação com o microrganismo leveduriforme. Ao final, foram realizadas análises químicas e nutricionais para comparar a composição do material e verificar as mudanças provocadas pelo tratamento. Os resultados demonstraram uma diferença expressiva no teor de proteína bruta entre o resíduo não enriquecido e o material submetido ao processo fermentativo.
De acordo com os dados apresentados pelo pesquisador, o aumento do teor foi de aproximadamente 130%. O estudo também identificou uma redução significativa da fração fibrosa, indicando uma possível melhora na digestibilidade do alimento. “Essas alterações são relevantes para a nutrição de ruminantes, uma vez que o teor proteico e a composição fibrosa influenciam o aproveitamento dos nutrientes pelos animais”, avalia o pesquisador Felype Meireles.

Pecuária sustentável
A partir dos resultados obtidos, os pesquisadores confirmaram potencial para melhorar o aproveitamento nutricional do resíduo, somar na redução do descarte de subprodutos agroindustriais e ampliar o uso de matérias-primas alternativas na produção pecuária. Felype Meireles destaca que “essa abordagem pode contribuir para o aproveitamento mais eficiente dos recursos disponíveis e, potencialmente, para redução dos custos de alimentação no meio rural”.






