
O Programa Gestão em Saúde (PGS) surge da parceria da Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (FAPEMA) e da Secretaria de Estado da Saúde (SES-MA) com o objetivo de fortalecer a administração pública por meio da atuação técnica de profissionais bolsistas em todo o Estado e fazer parte desse programa, inserida como enfermeira na Central de Regulação Ambulatorial do Maranhão (CIRAM), representou uma experiência profissional profundamente transformadora, especialmente no que se refere à compreensão ampliada acerca do funcionamento da regulação em saúde no Sistema Único de Saúde (SUS). Desde o início dessa trajetória, tornou-se evidente que atuar na regulação vai muito além do domínio técnico ao exigir visão sistêmica, senso de responsabilidade social e compromisso com o acesso oportuno e equitativo da população aos serviços de saúde.
Ao ser integrada à rotina da CIRAM, deparei-me com um cenário desafiador, caracterizado pelo elevado número de solicitações para consultas, exames, filas cirúrgicas e procedimentos especializados, frente a uma oferta ainda insuficiente para atender à demanda existente. Essa realidade evidencia um dos principais gargalos do sistema de saúde e reforça a necessidade de estratégias que promovam organização, eficiência e justiça no acesso. Nesse contexto, o Programa Gestão em Saúde se apresentou como um elemento estruturante do processo de trabalho, trazendo diretrizes, ferramentas e suporte para qualificar a atuação dos profissionais envolvidos.
Minha atuação como enfermeira, vinculada ao PGS, está diretamente relacionada ao monitoramento de vagas por especialidade, análise técnica de autorizações de procedimentos de alta complexidade, especialmente para exames de ressonância magnética, verificação de inconsistências clínicas, gerenciamento de cotas regionais e orientação permanente às equipes municipais quanto ao correto preenchimento das solicitações e ao uso adequado do sistema. Ademais, houve participação em ação estratégica voltada à diminuição da fila de cirurgias eletivas, fortalecendo a integração entre regulação ambulatorial, planejamento assistencial e monitoramento de indicadores. Entre os resultados alcançados destacam-se a padronização de fluxos regulatórios, a elaboração de relatórios analíticos com indicadores de acesso, o aumento da agilidade nos agendamentos e a redução do tempo médio de espera registrado no sistema, monitoramento das vagas disponíveis, ao acompanhamento das cotas por especialidade e por região, bem como à organização das filas de espera por meio do sistema SISREG. Essas atividades, que inicialmente poderiam ser compreendidas como operacionais, revelaram-se estratégicas, pois cada ação realizada impacta diretamente na vida do usuário que aguarda atendimento.
A vivência também demonstrou a importância do trabalho em rede. O contato constante com profissionais das unidades de saúde, o suporte técnico ofertado e as orientações relacionadas à organização das agendas demonstraram que a regulação é um processo coletivo interdependente. Nenhuma ação é isolada. Cada ajuste realizado, cada orientação prestada e cada decisão tomada contribui para o funcionamento mais eficiente da rede de atenção à saúde como um todo.
Outro ponto relevante foi o desenvolvimento de um olhar crítico sobre os processos de trabalho. O Programa Gestão em Saúde proporciona não apenas a execução de atividades, mas a compreensão dos fluxos assistenciais, a identificação de fragilidades e a possibilidade de contribuir para a construção de soluções.
Os resultados dessa experiência são perceptíveis no cotidiano da regulação. Observa-se maior agilidade nos agendamentos, melhor organização das filas de espera, ampliação do uso das vagas disponíveis e redução do tempo de espera para atendimento. Esses avanços não são apenas indicadores de gestão, mas refletem diretamente na vida dos usuários, promovendo mais dignidade e resolutividade no cuidado em saúde.
Além dos impactos no serviço, destaco de forma significativa o crescimento e desenvolvimento profissional proporcionados pelo PGS. O programa se configura como um espaço potente de aprendizagem, que estimula o pensamento crítico, fortalece competências técnicas e gerenciais e amplia a autonomia profissional. A experiência contribuiu para o aprimoramento da minha prática como enfermeira, permitindo uma atuação mais segura, estratégica e comprometida com os princípios do SUS.
Ao final, compreendo que o PGS é mais do que uma iniciativa institucional: é uma estratégia real de mudança dos serviços e de pessoas . Ele reforça a regulação, qualifica profissionais e reafirma o compromisso com um sistema de saúde mais eficiente, mais justo e verdadeiramente resolutivo, onde cada vaga representa não apenas um atendimento realizado, mas um direito garantido.
Aracy da Silva Santos Magalhães – Enfermeira | Programa Gestão em Saúde (PGS) – CIRAM/SES-MA





