Revista Inovação FAPEMA

DESIGN PARTICIPATIVO E INFÂNCIA: PESQUISA MARANHENSE É DESTAQUE NO 36º PRÊMIO MUSEU DA CASA BRASILEIRA

Tese de doutorado apoiada pela FAPEMA propõe que crianças atuem na cocriação do planejamento urbano e ganha visibilidade em uma das principais premiações de design do país.

Em primeiro plano, livro comunitário desenvolvido pela autora numa estante de livros

Camila Andrade dos Santos

Doutora em Design pela Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa e professora do Departamento Acadêmico de Design do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão (IFMA).

O planejamento de espaços públicos voltados para brincadeiras costuma ser uma tarefa limitada a adultos, muitas vezes guiada por critérios técnicos que não contemplam a visão de quem realmente utiliza esses locais. No entanto, a tese de doutorado da Dra. Camila Andrade dos Santos, selecionada para a exposição do 36º Prêmio Design Museu da Casa Brasileira (MCB), propõe uma mudança nessa perspectiva: o protagonismo infantil no desenvolvimento das cidades.

Intitulada “Coisas de brincar: design participativo nas margens”, a pesquisa investigou o direito à cidade e ao brincar em comunidades residentes em margens urbanas, estabelecendo um comparativo entre realidades na Ilha do Maranhão, onde está situada a capital do estado (São Luís), e na Área Metropolitana de Lisboa, em Portugal. O reconhecimento nacional veio com a seleção para a mostra oficial do prêmio, inaugurada no dia 25 de abril de 2026, no Complexo Cultural Oswald de Andrade, em São Paulo.

A metodologia do design participativo

A pesquisa utiliza o Design Participativo como uma ferramenta para valorizar o saber das crianças. Longe de serem vistas apenas como usuárias passivas, elas são integradas ao processo criativo. Por meio de quatro experimentos sociais, a tese demonstra que a percepção infantil é capaz de diagnosticar demandas reais e planejar objetos lúdicos que o planejamento urbano convencional costuma ignorar.

 

“A tese ensaia formas de fazer design que resultem em coisas socialmente úteis, em que a agência e a individualidade da infância prevalecem sobre a lógica do mercado”, afirma Camila Andrade.

Diagrama do esquema teórico-metodológico da tese
Capa da tese de doutorado “Coisas de brincar: design participativo nas margens”

Resultados práticos e investimento em Ciência

O trabalho apresenta resultados que ultrapassam o campo teórico, entregando produtos voltados tanto para a sociedade quanto para o meio acadêmico:

  • Livro Comunitário: Criado para retornar o conhecimento gerado às comunidades participantes, servindo como uma ferramenta de empoderamento local.
  • Cartografia para Designers: Um guia técnico-metodológico voltado a profissionais, estabelecendo princípios para que as crianças sejam efetivamente incluídas no processo da cocriação de artefatos lúdicos.

Do Maranhão para o Museu da Casa Brasileira

A seleção para o Prêmio Design MCB reafirma que o design contemporâneo deve ser indissociável do compromisso político e social. Ao colocar em foco o “direito à cidade” e o direito ao brincar, o trabalho da doutora, gestado com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (FAPEMA), contribui para o debate urgente sobre a inclusão de grupos marginalizados no pensamento urbanístico moderno.

A tese foi também uma das finalistas no Prêmio FAPEMA 2025, na área de Ciências Sociais e Humanas. 

A exposição em São Paulo, que segue até julho de 2026, é uma vitrine para a produção intelectual que une o rigor da pesquisa lúdica à necessidade de cidades mais humanas. Para o Maranhão, é a confirmação de que o investimento em pesquisa de alta qualidade gera impacto direto na forma como pensamos o futuro das nossas comunidades.

 



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