Com a aplicação de biotecnologias na produção de silagens e na alimentação de bovinos, foi possível reduzir em até 40% o consumo de água para irrigação
Daniele de Jesus Ferreira

Mestra e doutora em Zootecnia pela Universidade Federal de Viçosa (UFV) e pós-doutora pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).
VENCEDORA DO PRÊMIO FAPEMA 2026
Categoria: Pesquisadora Sênior
Área do Conhecimento: Ciências Agrárias
Título: Memorial Acadêmico-Descritivo
Encontrar alternativas para alimentar os rebanhos durante os períodos de seca, usando melhor a água e os recursos disponíveis na região, é um dos objetivos de uma pesquisa desenvolvida pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA), campus Chapadinha. Liderado pela professora Daniele de Jesus Ferreira, o estudo reúne soluções biotecnológicas para conservação de forragens e melhoria da nutrição de ruminantes – bois e vacas – durante os períodos de estiagem.
A pesquisa prevê transformar subprodutos e grãos da agroindústria local em alternativas nutricionais de alto valor para rebanhos leiteiros e de corte. O projeto soma para enfrentar um dos principais desafios da produção animal no período de seca, que é a garantia de alimento de qualidade para os animais, mesmo diante da indisponibilidade de água e forragem.
“Minha trajetória de pesquisa foca no desenvolvimento de soluções sustentáveis para a produção animal, especialmente nas áreas de nutrição de ruminantes, conservação de forragens, aproveitamento de resíduos e coprodutos agroindustriais e uso de tecnologias voltadas à maior eficiência no uso da água e dos nutrientes”, pontua Daniele Ferreira.
Entre as tecnologias estudadas estão os polímeros hidroretentores, materiais capazes de reter água no solo, além do uso de silício associado a microrganismos benéficos. Nos experimentos, essas estratégias permitiram reduzir em até 40% o consumo de água de irrigação no período de seca, ao mesmo tempo em que contribuíram para o aproveitamento de nutrientes e a produção de biomassa de culturas como milho, sorgo, milheto e soja.
A pesquisa também trabalha com a ensilagem da planta inteira e de grãos, utilizando bactérias lácticas (Lactobacillus) e melaço para auxiliar na fermentação. A técnica permite conservar o alimento por mais tempo, mantendo sua qualidade e disponibilidade para os animais durante a estiagem.
Outro destaque está no aproveitamento de recursos disponíveis na própria região, como o coco babaçu e forrageiras tropicais. A proposta é reduzir perdas de nutrientes durante a ensilagem, diminuir custos e oferecer alternativas que possam ser utilizadas por pequenos e médios produtores.
“Esse trabalho tem avançado com o apoio de diferentes agências de fomento, entre elas a FAPEMA, por meio da aprovação de projetos que têm contribuído para fortalecer laboratórios, ampliar a infraestrutura de pesquisa, incorporar novas metodologias e consolidar linhas de investigação voltadas às condições e aos desafios da agropecuária maranhense”, destaca a pesquisadora. O estudo foi vencedor do Prêmio FAPEMA 2026.

Além da produção científica, o grupo promove ações de difusão tecnológica junto à comunidade agrícola, incluindo dias de campo e atividades com estudantes de graduação e pós-graduação. A pesquisadora mantém parcerias com redes de pesquisa de instituições do Uruguai, Chile, Estados Unidos, França e Portugal, promovendo intercâmbio científico e ampliando a colaboração internacional.






