A proposta é identificar regiões mais adequadas para implantação de usinas solares e parques eólicos, utilizando o potencial do estado e contribuindo para promover mais sustentabilidade ambiental
Marcos da Silva

Graduado em Engenharia Agrícola pela Universidade Estadual de Goiás (UEG), mestre e doutor no Programa de Pós-Graduação em Engenharia Agrícola da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e pós-doutorado pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências Florestais na Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).

A pesquisa ‘Zoneamento do potencial energético solar e eólico no estado do Maranhão: identificação de áreas de aptidão via avaliação de múltiplos critérios (MCE) está identificando regiões com alto potencial para a implantação de usinas solares e parques eólicos. A proposta do pesquisador Marcos Vinícius da Silva, doutor em Engenharia Agrícola e professor da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), campus Chapadinha, é oferecer uma base científica para orientar investimentos e políticas públicas no setor energético.
O estudo organiza o mapeamento e será base para elaboração de um mapa detalhado de aptidão energética do Maranhão, capaz de orientar investimentos públicos e privados no setor de energias renováveis. O levantamento também pode contribuir para a criação de incentivos governamentais, ampliar a geração distribuída de energia e fortalecer a diversificação da matriz elétrica maranhense, reduzindo a dependência de fontes fósseis e hidrelétricas.
Também está em desenvolvimento, um aplicativo para monitorar, de forma contínua, o potencial energético eólico e solar no estado.

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“Embora o Maranhão apresente condições naturais favoráveis para a geração destas energias, a ausência de um mapeamento detalhado das áreas mais aptas ainda é um desafio para o planejamento da infraestrutura energética e para a atração de novos empreendimentos”, enfatiza Marcos da Silva.
A pesquisa é uma das 71 iniciativas que fazem parte do Edital Maranhão 2050 – Soluções Inovadoras, lançado pela FAPEMA. O edital com investimentos no valor de 10 milhões, foi lançado em em novembro de 2024. O projeto também está alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas, especialmente os ODS 7 (energia limpa e acessível) e ODS 13 (ação contra a mudança global do clima).
Segundo o pesquisador, o objetivo é identificar as regiões com maior potencial para a produção de energia sustentável e subsidiar a criação de políticas públicas para o setor. “Queremos caracterizar e identificar estas regiões potenciais para recomendar políticas públicas de desenvolvimento e criação de áreas de aptidão, voltadas à geração destas formas de energia renovável”, explica.
A transição energética global vem estimulando a adoção de fontes limpas para redução das emissões de carbono e promoção do desenvolvimento sustentável.

Metodologia e precisão dos dados
Para alcançar esse resultado, o estudo utiliza a metodologia de Avaliação de Múltiplos Critérios (MCE), integrada a ferramentas de geoprocessamento (GIS) e modelagem climática. A técnica reúne informações sobre irradiância solar (medida de potência), velocidade dos ventos, relevo, aspectos ambientais e proximidade da rede elétrica, atribuindo pesos a cada critério por meio do Processo de Hierarquia Analítica (AHP), metodologia amplamente utilizada para apoiar decisões complexas de planejamento territorial.
Os primeiros resultados apontaram aumento das áreas agrícolas, de soja, pastagens e silvicultura, associado à expansão da fronteira agrícola do MATOPIBA, região que compreende o Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Também foi identificada redução de formações florestais, vegetação natural, corpos hídricos e outras áreas não vegetadas, fruto da promoção de atividades agropecuárias.

Essa expansão da agricultura e da pecuária concentrou-se principalmente nas regiões leste e oeste do Maranhão. O Índice de Vulnerabilidade da Terra indicou maiores níveis de vulnerabilidade no oeste, relacionados à intensa conversão da vegetação nativa, enquanto o Índice de Biomassa da Vegetação Lenhosa revelou redução da biomassa, sobretudo no leste e nordeste do estado.

Observou-se ainda a concentração de parques eólicos na faixa litorânea, favorecida pela disponibilidade de ventos, e de usinas solares no nordeste do estado, próxima a áreas ambientalmente vulneráveis. “Esses resultados revelam que a expansão das energias renováveis deve ser acompanhada por monitoramento contínuo com o uso de geotecnologias, garantindo que o elevado potencial energético do Maranhão seja aproveitado de forma ambientalmente sustentável”, explica o pesquisador.
Potencialidades naturais
O Maranhão possui enorme potencial para a geração de energia eólica e solar, graças às suas condições naturais favoráveis, como altos índices de radiação solar ao longo do ano e ventos constantes, especialmente nas regiões litorâneas e em áreas abertas do interior. Essas características tornam o estado um ambiente estratégico para a expansão de fontes renováveis, contribuindo para a diversificação da matriz energética e para a redução da dependência de fontes fósseis. Além disso, o desenvolvimento desses setores soma na atração de investimentos, geração de empregos e impulso à economia local, principalmente em municípios com menor dinamismo industrial.





