Revista Inovação FAPEMA

COMO AS EMOÇÕES PODEM INFLUENCIAR A SAÚDE DO CORPO E DA MENTE

Pesquisa investiga a relação entre competências socioemocionais e indicadores de saúde, ampliando o conhecimento sobre fatores que contribuem para uma melhor qualidade de vida

Dandara de Lemos

Acadêmica do 7º período de Psicologia da Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Atua na Liga Acadêmica de Psiquiatria e Saúde Mental (LAMP), integra o Grupo de Estudos e Pesquisas em Psicometria e Avaliação Psicológica (GEPPAP) e participa do Grupo de Estudos de Logoterapia e Análise Existencial (GELAE) 



As habilidades que uma pessoa desenvolve para lidar com emoções, se relacionar com os outros e enfrentar desafios do dia a dia podem exercer um papel importante na forma como ela percebe a própria saúde. Essa é a principal questão investigada pela pesquisa desenvolvida pela acadêmica de Psicologia da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Dandara Mariana Costa de Lemos, sob orientação do professor Lucas Guimarães Cardoso de Sá.

O estudo busca verificar se as chamadas SEB Skills (Social, Emotional and Behavioral Skills, ou habilidades sociais, emocionais e comportamentais) são capazes de predizer uma maior satisfação com a saúde física e mental. Além disso, procura identificar quais dessas habilidades apresentam maior influência sobre o bem-estar e como elas se relacionam com indicadores de saúde.

Os resultados obtidos até o momento apontam que a Resiliência Emocional foi a habilidade que apresentou a relação mais forte tanto para a saúde física quanto para a saúde mental. Isso significa que pessoas com maior capacidade de lidar com situações difíceis, controlar as próprias emoções e se recuperar diante das adversidades tendem a apresentar melhores indicadores de saúde física e menores níveis de sofrimento mental e emocional.

Mas, afinal, o que são as SEB Skills? Elas representam um conjunto de habilidades que ajudam as pessoas a lidar com as próprias emoções, administrar comportamentos e construir boas relações interpessoais. Entre elas estão competências como resiliência emocional, autogerenciamento, cooperação, engajamento social e inovação, consideradas importantes para enfrentar desafios, tomar decisões, conviver em sociedade e promover o bem-estar.

As análises da pesquisa, que é apoiada pela FAPEMA, também mostraram que, em conjunto, os cinco domínios das SEB Skills explicam cerca de 15% da variação observada na saúde física dos participantes. Nesse caso, as habilidades que mais contribuíram para esse resultado foram a Resiliência Emocional e o Autogerenciamento.

Esquema gráfico do modelo integrativo de Christopher M Napolitano e outros autores

Saúde mental

Quando o foco é a saúde mental, a influência das SEB Skills é ainda mais expressiva. Os cinco domínios avaliados explicam aproximadamente 55% da variação dos indicadores de saúde mental, com destaque para Resiliência Emocional, Autogerenciamento, Engajamento Social e Inovação.

“Os resultados mostram que essas habilidades têm um impacto muito maior sobre a saúde mental do que sobre a saúde física. Isso reforça a importância de compreender e desenvolver competências socioemocionais, que podem contribuir significativamente para o bem-estar e para a qualidade de vida das pessoas”, destaca Dandara.

Participam da pesquisa 200 adultos, com idades entre 18 e 64 anos. A coleta de dados é realizada de forma on-line, por meio de formulários eletrônicos enviados por e-mail e aplicativos de mensagens.

“Nosso objetivo é compreender quais dessas habilidades têm maior relação com a saúde física e mental e até que ponto elas conseguem explicar uma maior satisfação das pessoas com a própria saúde. Também buscamos entender como essas habilidades se relacionam entre si e com diferentes indicadores de bem-estar”, explica a pesquisadora Dandara Mariana Costa de Lemos.

Pesquisadores utilizam instrumentos internacionalmente validados 

Para alcançar esses objetivos, o estudo utiliza três instrumentos. O primeiro é o BESSI-20, que avalia os cinco grandes domínios das SEB Skills por meio de 20 questões. O segundo é o Outcome Questionnaire (OQ-45), composto por 45 perguntas que medem o nível de sofrimento mental e emocional, considerando aspectos como relações interpessoais, desempenho no papel social e sintomas psicológicos. Já o terceiro é o STEPS, instrumento que analisa hábitos relacionados à saúde física, como alimentação, consumo de álcool e cigarro, prática de atividade física, qualidade do sono e realização de exames preventivos.

Após a coleta das respostas, os dados são submetidos a análises estatísticas para identificar quais habilidades apresentam maior relação com indicadores de saúde física e mental.

A pesquisa encontra-se atualmente na fase de discussão dos resultados e busca ampliar a compreensão sobre o papel das habilidades sociais, emocionais e comportamentais na promoção da saúde. A expectativa é que os achados contribuam para futuros estudos e para o desenvolvimento de estratégias voltadas à promoção do bem-estar e da qualidade de vida da população maranhense.

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