Da biodiversidade maranhense à saúde bucal, pesquisa aposta na goma do cajueiro para desenvolver novas estratégias de proteção dos dentes.
Leily Macedo Firoozmand
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Professora Mestre e Doutora em Odontologia Restauradora (UNESP, São José dos Campos, SP), Pós-Doutora pela University of Illinois Chicago (UIC), Chicago, Estados Unidos. Professora de Graduação e Pós-Graduação em Odontologia (PPGO – UFMA)
Vencedora do Prêmio FAPEMA 2026
Categoria: Inovação Tecnológica
Título da pesquisa: Aplicação da goma do cajueiro na prevenção da erosão dentária associada ao refluxo supraesofágico
A pesquisa liderada pela professora doutora Leily Macedo Firoozmand, da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), aposta na aplicação da goma do cajueiro na prevenção da erosão dentária associada ao refluxo supraesofágico. O recurso natural regional pode ser uma alternativa para desenvolver uma nova tecnologia odontológica, com potencial para fortalecer a saúde e a bioeconomia maranhense.
Vencedora do Prêmio FAPEMA 2026, na categoria Inovação Tecnológica, a pesquisa intitulada “Aplicação da goma do cajueiro na prevenção da erosão dentária associada ao refluxo supraesofágico” já resultou no depósito de uma patente, um passo importante para o desenvolvimento de uma aplicação tecnológica.
Os estudos têm a participação de outros pesquisadores da UFMA e da Universidade Federal do Delta do Parnaíba (UFDPar). A proposta utiliza a goma do cajueiro, um biopolímero natural, após um processo de purificação, para investigar uma alternativa de proteção dos dentes contra os efeitos dos ácidos presentes no conteúdo gástrico que retorna à boca em episódios de refluxo. A exposição frequente a esses ácidos pode desgastar a estrutura dentária, comprometendo suas propriedades e favorecendo a erosão.
Os resultados laboratoriais são promissores. Em testes realizados em dentina humana, a aplicação da goma do cajueiro favoreceu a preservação da microdureza superficial e provocou menores alterações na rugosidade dentinária, em comparação ao grupo de controle, após desafios que simulavam condições de refluxo gastroesofágico. Os achados foram publicados na revista científica Archives of Oral Biology, reforçando o potencial da tecnologia. Ainda são necessários estudos adicionais para confirmar sua segurança e eficácia em seres humanos.

“Nosso objetivo é investigar o potencial da goma do cajueiro como uma alternativa tecnológica para auxiliar na proteção da estrutura dentária diante dos desafios ácidos associados ao refluxo. Os resultados laboratoriais são animadores e indicam que esse biopolímero natural merece avançar nas etapas de pesquisa”, destaca a professora e pesquisadora Leily Firoozmand.

Além da contribuição para a Odontologia, a pesquisa evidencia como a ciência produzida nas universidades pode transformar recursos naturais regionais em soluções inovadoras. No Maranhão, a iniciativa aproxima as áreas de saúde e biotecnologia, estimula a formação de estudantes e pesquisadores e abre perspectivas para futuras parcerias com o setor produtivo. Caso as próximas etapas confirmem seu potencial, a tecnologia poderá contribuir para estratégias preventivas em saúde bucal e para o fortalecimento da bioeconomia, com valorização sustentável de matérias-primas regionais.
A trajetória do estudo também demonstra a importância do investimento público em ciência e inovação. O apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (FAPEMA), por meio da iniciação tecnológica, contribuiu para a participação e a formação de estudantes nas atividades experimentais. Em 2022, a pesquisa recebeu reconhecimento no PIBIT/UFMA, com bolsa da Fundação, e ganhou visibilidade em uma apresentação no estande da FAPEMA durante a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia.
“O apoio da FAPEMA foi fundamental para fortalecer essa trajetória, especialmente ao incentivar a iniciação tecnológica e a formação de estudantes de Odontologia. O Prêmio FAPEMA 2026 amplia o reconhecimento do trabalho da nossa equipe e reforça a importância de investir em pesquisas que valorizam os recursos regionais e buscam soluções para a saúde da população”, afirma a pesquisadora.

Ao reconhecer a iniciativa, o Prêmio FAPEMA 2026 destaca o potencial de uma nova aplicação odontológica como também, a capacidade da ciência desenvolvida no Maranhão de gerar conhecimento, formar profissionais e criar oportunidades de inovação a partir de recursos naturais da região.
Resina natural produzida no tronco e nos ramos do cajueiro (Anacardium occidentale)





