Tese de doutorado apoiada pela FAPEMA propõe que crianças atuem na cocriação do planejamento urbano e ganha visibilidade em uma das principais premiações de design do país.
João Inácio Diniz Ferreira
![]()

Mestrando em Biociências Aplicada à Saúde pela Universidade CEUMA (UNICEUMA) – São Luís/MA; pós-graduando em Saúde Digital no Sistema Único de Saúde (SUS) pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA) – São Luís/MA; pós-graduando em Informática em Saúde pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP); graduado em Enfermagem pela Faculdade Supremo Redentor (FACSUR) – Pinheiro/MA.
O que para muitos é apenas um cenário de degradação ambiental, para a ciência maranhense representa um ecossistema de alta complexidade e potencial biotecnológico. E com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (FAPEMA), estudo inovador conduzido no estado está revelando que o solo de lixões pode ser a chave para a descoberta de novas moléculas terapêuticas.
A pesquisa “Avaliação da atividade antibacteriana de extrato proveniente de Streptomyces sp. contra Corynebacterium Jeikeium” é desenvolvida pelo mestrando em Biociências Aplicada à Saúde, João Inácio Diniz Ferreira, da Universidade Ceuma, sob a orientação da professora Camila Guerra Martinez.
Segundo o pesquisador, diferente da percepção comum, os solos impactados por resíduos orgânicos e químicos são ambientes extremamente seletivos. A pressão ambiental imposta por esses compostos favorece a sobrevivência de organismos altamente adaptados. A hipótese é que, para sobreviver em um ambiente tão hostil, os microrganismos desenvolvem estratégias de defesa química agressivas.
“Nesses ecossistemas, os microrganismos disputam nutrientes, espaço e resistência a compostos tóxicos, o que favorece a produção de metabólitos secundários com atividade antimicrobiana”, explica João Inácio Diniz Ferreira. Ainda de acordo com ele, essa “guerra microscópica” estimula a síntese de moléculas bioativas que podem se tornar os antibióticos do futuro.
Lixões podem gerar novas descobertas médicas
Mas a busca nos lixões por novos agentes que podem dar origens a novos medicamentos não é aleatória.

As etapas experimentais do projeto são conduzidas na Universidade Ceuma, em São Luís, e a coleta do material biológico é feita em Imperatriz. Dentre os diversos microrganismos encontrados nestes ambientes, o gênero Streptomyces, foco do estudo, já é conhecido por produzir grande parte dos antibióticos atuais.
“No entanto, a cepa isolada no nosso estudo possui um repertório genético único, moldado pelas condições específicas do solo local, o que sugere a presença de moléculas inéditas”, destaca o pesquisador.
“Historicamente, muitos antibióticos revolucionários foram descobertos em microrganismos do solo, e acreditamos que ambientes ainda pouco explorados, como solos de lixão, podem revelar novas moléculas com potencial terapêutico”.
João Inácio Diniz Ferreira.

As etapas experimentais do projeto são conduzidas na Universidade Ceuma, em São Luís, e a coleta do material biológico é feita em Imperatriz. Dentre os diversos microrganismos encontrados nestes ambientes, o gênero Streptomyces, foco do estudo, já é conhecido por produzir grande parte dos antibióticos atuais.
“No entanto, a cepa isolada no nosso estudo possui um repertório genético único, moldado pelas condições específicas do solo local, o que sugere a presença de moléculas inéditas”, destaca o pesquisador.
Universidade como motor da inovação
Um dos resultados mais promissores da pesquisa foi a eficácia demonstrada contra a Staphylococcus aureus. Esta bactéria é uma das principais causas de infecções hospitalares graves, como sepse e pneumonia. No Maranhão, assim como no resto do mundo, a multirresistência bacteriana eleva a mortalidade e os custos hospitalares, tornando a busca por novos fármacos uma prioridade de saúde pública.
Por isso, o projeto, que conta com a colaboração do professor Diego Assis (UFPA), exemplifica o papel da universidade como motor da inovação. “Embora a produção em larga escala dependa da indústria farmacêutica, é nos laboratórios acadêmicos que o risco inicial é mitigado e as descobertas são protegidas por patentes”, informa João Inácio Diniz Ferreira.

A pesquisa reforça que a biodiversidade do Maranhão vai muito além da flora e fauna visíveis. O potencial microbiológico do estado, abrangendo biomas como Amazônia, Cerrado e manguezais, é um patrimônio estratégico.
Próximos Passos
O caminho até as farmácias é longo. Após a identificação do princípio ativo, a equipe seguirá para a purificação da molécula, estudos de toxicidade e testes pré-clínicos. “Se os resultados forem positivos, o composto avançará para ensaios clínicos em humanos”, espera João Inácio Diniz Ferreira.

Além do potencial farmacêutico, iniciativas como esta posicionam o Maranhão não apenas como consumidor, mas como produtor de tecnologia e soberania científica, transformando conhecimento local em soluções de impacto global.
Além disso, ao investigar novas alternativas terapêuticas frente a patógenos multirresistentes, a proposta contribui não apenas para o avanço do conhecimento, mas também para a construção de soluções sustentáveis diante de um dos maiores desafios sanitários do século XXI.




