Revista Inovação FAPEMA

CIÊNCIA A SERVIÇO DA MEMÓRIA: PROJETO FORTALECE PRESERVAÇÃO DA CULTURA POPULAR MARANHENSE

Ações estratégicas estão revitalizando Centro de Cultura Popular Domingos Vieira Filho, um dos principais acervos culturais de São Luís

Em primeiro plano, livro comunitário desenvolvido pela autora numa estante de livros

Ana Cláudia Moraes Damasceno

Graduada em Letras – Português pela Faculdade Atenas Maranhense, graduanda em Turismo pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA), possui especialização em Gestão da Cultura (EGMA/FMRB) e especialização em Museologia (UEMANET)).  



Preservar a memória de um povo é também construir o seu futuro. No Maranhão, onde a riqueza cultural se manifesta em tradições centenárias, ritmos, festas e expressões populares reconhecidas nacionalmente, o projeto “Informatização, Gestão e Preservação do Acervo Museológico do Centro de Cultura Popular Domingos Vieira Filho” vem demonstrando como ciência, inovação e cultura podem caminhar juntas para garantir que esse patrimônio permaneça vivo para as próximas gerações.

O centro de cultura abriga peças de grande relevância histórica, artística e etnográfica, representativas de manifestações culturais que ajudam a definir a identidade do Maranhão, como o Bumba-meu-boi, o Tambor de Crioula, a Festa do Divino Espírito Santo e diversos folguedos tradicionais.

Entre as principais atividades desenvolvidas por meio do projeto estão a organização, catalogação, higienização e documentação técnica das peças do acervo. Cada objeto passa por um processo detalhado de registro fotográfico, identificação de materiais constitutivos, descrição das características físicas e análise de seu estado de conservação. A partir desse diagnóstico, são realizadas intervenções de conservação preventiva que contribuem para ampliar a vida útil das peças e garantir sua preservação.

Um dos destaques da iniciativa foi a realização de uma oficina de limpeza, higienização e organização do acervo museológico, promovida em parceria com o Ateliê Domus. A atividade possibilitou a capacitação técnica da equipe do centro cultural e também reuniu gestores de outras casas de cultura e museus do Centro Histórico de São Luís, ampliando a troca de experiências e a disseminação de conhecimentos sobre preservação patrimonial.

Oficinas, registro fotográfico, identificação de materiais constitutivos, descrição das características físicas e análise do estado de conservação fizeram parte do projeto

“A preservação do acervo museológico vai além do cuidado com os objetos. Cada peça guarda histórias, saberes, memórias e identidades que representam a diversidade cultural do Maranhão. Com este projeto, estamos fortalecendo práticas de conservação e criando condições para que esse patrimônio continue acessível às futuras gerações”, destaca Ana Cláudia Moraes Damascena, gestora da Casa da FÈsta e coordenadora do projeto, que também tem participação da estagiária Alany Estrela Silva e do pesquisador Ruan Matheus Martins Costa, sob orientação da professora doutora Valdirene Pereira da Conceição, da Universidade Federal do Maranhão (UFMA).

A iniciativa foi contemplada no edital de Apoio a Acervos Museológicos, Históricos e Culturais do Maranhão, lançado no ano passado  pela Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (FAPEMA). O edital incentiva a execução de ações voltadas à preservação e ao fortalecimento do patrimônio cultural maranhense.

Técnica especializada, preservação e formação profissional 

Os resultados já alcançados no Centro de Cultura Popular Domingos Vieira Filho evidenciam a importância da aplicação de métodos científicos e técnicas especializadas na gestão de acervos culturais. Além da melhoria das condições de conservação das peças, o projeto tem contribuído para a formação de profissionais, para o fortalecimento das instituições culturais e para a ampliação do debate sobre o papel dos museus na sociedade contemporânea.

Ao investir na preservação da cultura popular, a iniciativa também gera impactos para o desenvolvimento do estado. O fortalecimento dos espaços de memória favorece a educação patrimonial, estimula o turismo cultural, valoriza as identidades locais e amplia o acesso da população ao conhecimento sobre sua própria história.

“O apoio da FAPEMA foi essencial para que pudéssemos colocar em prática ações concretas de preservação e qualificação do acervo. Editais como este demonstram o compromisso da Fundação com a valorização da cultura maranhense e com o desenvolvimento científico voltado para as necessidades do nosso estado”, ressalta Ana Cláudia.

A oficina fomentou o desenvolvimento das práticas de conservação preventiva do acervo museológico.

A iniciativa está alinhada às metas do Plano Maranhão 2050, especialmente no eixo ‘Educação, Identidade e Cultura Transformadoras e Estruturantes’, ao demonstrar que a ciência também desempenha um papel importante na proteção e valorização da memória coletiva.

O projeto conserva objetos e também acentua que a preservação cultural é uma estratégia de desenvolvimento. Ao unir pesquisa, capacitação e inovação, a ação fortalece o patrimônio maranhense e contribui para que as tradições que moldam a identidade do estado continuem inspirando novas gerações.

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