Revista Inovação FAPEMA

Ao Leitor- Edição 60

Ao Leitor

Há um período do ano, os meses de junho e julho, em que o Maranhão inteiro ganha um novo compasso. O som das matracas anuncia que chegou o tempo da maior expressão de sua identidade cultural. Durante 70 dias, o estado se transforma no palco do maior São João do mundo, um espetáculo de cores, ritmos, saberes e tradições que atravessam gerações e encanta quem chega de todas as partes. 

A festança é a celebração de uma herança cultural viva, onde o bumba-meu-boi, suas diferentes sonoridades e as diversas manifestações populares contam a história de um povo que preserva suas raízes enquanto reinventa, ano após ano, a própria tradição.

Vale destacar que o bumba-meu-boi é reconhecido, desde 2019, como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Unesco. São mais de cem grupos em atividade, de acordo com levantamento realizado pelo projeto Caminhos da Boiada, que contou com o apoio da FAPEMA.

No aspecto econômico, o São João do Maranhão também exerce papel fundamental na movimentação da economia. Em 2025, mais de R$ 415 milhões circularam no estado durante o período junino, números que devem ser superados em 2026. No mesmo período, o Aeroporto Marechal Cunha Machado registrou mais de 90 mil desembarques, evidenciando a força do turismo cultural maranhense.

Os grupos de bumba-meu-boi aproveitam essa época do ano para ampliar a geração de renda por meio das apresentações e da comercialização de indumentárias, que despertam o interesse não apenas dos turistas, mas também dos próprios maranhenses, reconhecidamente apaixonados por essa manifestação cultural.

Um dos mais importantes expoentes da nossa cultura, o Boi da Floresta, nascido no bairro da Liberdade, é a capa desta 60ª edição da Revista Inovação. A geração de renda por meio da produção de indumentárias para comercialização foi contemplada pelo edital de Economia Criativa, resultado da parceria entre a FAPEMA e o Sebrae, demonstrando como inovação e tradição podem caminhar juntas na preservação da cultura popular.

Ainda neste mês de festas juninas, com a descoberta de duas novas espécies de peixes, a pesquisadora maranhense Ananda Saraiva homenageou duas referências na cultura popular: Mãe Catirina e Dona Teté.

Outra iniciativa voltada à valorização, preservação e geração de renda a partir da cultura maranhense é o projeto Cultura Hub, também destaque nesta edição. A plataforma foi desenvolvida para comercializar fantasias, adereços e outros elementos simbólicos das manifestações culturais do Maranhão, ampliando oportunidades para artistas, artesãos e grupos culturais.

E como junho também é mês de Copa do Mundo, enquanto 48 seleções disputam o principal torneio internacional de futebol, no Maranhão a ciência também entra em campo. Um projeto técnico-científico robusto e permanente promete contribuir para o aprimoramento do desempenho dos atletas e para o fortalecimento do esporte por meio do conhecimento científico.

Mais do que celebrar tradições, o São João maranhense demonstra como a ciência, a inovação e a economia criativa podem contribuir para a preservação e valorização do patrimônio cultural, fortalecendo identidades e gerando novas oportunidades de desenvolvimento 

Confira estas e outras reportagens e tenha uma excelente leitura!

Nordman Wall
Presidente da FAPEMA