Revista Inovação FAPEMA

APRIMORAMENTO EM ANESTESIOLOGIA VETERINÁRIA AMPLIA FORMAÇÃO PRÁTICA NA UEMA

Programa desenvolvido no Hospital Veterinário Universitário englobou 380 procedimentos e contribuiu para o desenvolvimento técnico e profissional

O programa possibilita ao profissional consolidar conhecimentos por meio da prática

A expansão da procura por serviços veterinários tem acompanhado a preocupação dos tutores com a qualidade de vida dos animais e também contribuído com a anestesiologia veterinária. Neste sentido, a formação prática é um dos principais pilares do Programa de Aprimoramento Profissional em Medicina Veterinária em Anestesiologia, realizado no Hospital Veterinário Universitário Francisco Edilberto Uchôa Lopes, da Universidade Estadual do Maranhão (HVU-UEMA), em São Luís. O programa possibilita ao médico veterinário consolidar conhecimentos teóricos por meio da observação e da prática profissional. 

Integram o programa, turmas em Clínica Médica, Clínica Cirúrgica e Anestesiologia Veterinária. Uma das alunas do curso, Diana Regina Silva de Melo, médica veterinária, iniciou sua formação em janeiro de 2025 e encerra o ciclo no mês de dezembro deste ano, na modalidade Anestesiologia, sob orientação do professor da UEMA e doutor em Clínica Médica, José Ribamar da Silva Junior. 

A formação prática acontece no Hospital Veterinário Universitário Francisco Edilberto Uchôa Lopes, da Universidade Estadual do Maranhão

Ela enfatiza a importância do programa como complemento à formação. “Nos possibilita uma convivência estreita com a sociedade, desenvolver relações profissionais e trabalhar em equipe. Essa experiência também contribui para compreendermos o mercado de trabalho, adquirir novos conhecimentos e desenvolver uma visão crítica sobre a área de atuação”, ressalta Diana Melo.

No HVU-UEMA, Diana Melo atua tanto em procedimentos ambulatoriais quanto no centro cirúrgico. A escolha dos protocolos considera o histórico clínico, exames laboratoriais e avaliação física dos pacientes. Entre as técnicas utilizadas está a anestesia balanceada, que associa diferentes medicamentos para proporcionar sedação, analgesia e maior segurança durante os procedimentos.

A rotina de anestesiologia inclui desde sedações para procedimentos diagnósticos e terapêuticos até a anestesia geral em cirurgias. No ambulatório, foram realizados procedimentos como desobstruções uretrais, lavagens vesicais, radiografias, ultrassonografias, toracocenteses e coletas de exames. “Este aprimoramento permite aos participantes observar os melhores protocolos anestésicos utilizados em diferentes situações, bem como desenvolver a capacidade de tomar decisões”, explica o coordenador da Anestesiologia Veterinária, José Ribamar da Silva Junior.

No centro cirúrgico, os animais passam por nova avaliação antes da anestesia, com verificação de parâmetros como frequência cardíaca e respiratória, temperatura, ausculta cardíaca e pulmonar, grau de desidratação e condições das mucosas. Também são analisados exames pré-operatórios, incluindo hemograma, avaliações das funções hepática e renal, exames cardiológicos e exames de imagem. Após essa etapa, os pacientes podem ser submetidos à anestesia geral balanceada para cirurgias oftálmicas, ortopédicas, odontológicas, oncológicas e de outras especialidades.

Bolsista do programa, Diana Melo atua em procedimentos ambulatoriais e no centro cirúrgico

Para Diana Melo, a experiência no HVU-UEMA contribuiu para seu crescimento acadêmico e profissional. Ela conta que a oportunidade possibilitou observar e aprender na prática a aplicação de diversos protocolos anestésicos balanceados e individualizados. Outro ponto observado por ela foi a estrutura do hospital e a atuação conjunta de professores, médicos veterinários e aprimorandos. “Foi uma importante contribuição para o desenvolvimento das atividades e para a aquisição de habilidades necessárias à rotina da profissão”, reitera.

Prática e resultados

No período de janeiro de 2025 até agosto de 2026 foram realizados 236 procedimentos cirúrgicos no hospital. Desse total, 124 foram relacionados ao trato geniturinário, 18 ortopédicos, 21 oncológicos, 12 oftálmicos, 36 odontológicos e 25 classificados em outras categorias. Os números demonstram a diversidade de situações acompanhadas durante a formação e a necessidade de protocolos anestésicos individualizados para diferentes perfis de pacientes.

Foram realizados 236 procedimentos cirúrgicos no hospital, no período de janeiro de 2025 a agosto deste ano

Além das cirurgias, o programa registrou 147 procedimentos com sedação ou realizados em ambiente ambulatorial, sendo 60 em cães, 86 em gatos e um em papagaio. Entre os atendimentos, destacaram-se 33 desobstruções uretrais, 26 radiografias e 25 retiradas de miíase. Também foram realizadas ultrassonografias, imobilizações, lavagens vesicais, drenagens de abscessos, enemas, toracocenteses, sondagens uretrais, retiradas de pontos, além de procedimentos como PCR, cistocentese e biópsia.

Em conjunto, esses dados apontam a ampla variedade de procedimentos acompanhados ao longo do período, abrangendo diferentes especialidades, espécies e níveis de complexidade. A formação proporcionou desenvolvimento da capacidade de avaliação individual dos pacientes, escolha de condutas anestésicas adequadas e acompanhamento perioperatório. 

Formação de alto nível

O Programa de Aprimoramento Profissional em Medicina Veterinária (PAMV) é fruto de parceria entre a Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Inovação (SECTI), Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (FAPEMA) e Universidade Estadual do Maranhão (UEMA). É voltado a profissionais graduados em Medicina Veterinária para desenvolvimento de atividades no Hospital Veterinário Universitário e laboratórios de Medicina Veterinária da universidade. 

Os selecionados recebem bolsa no valor de R$ 3 mil e atuam em áreas estratégicas da unidade hospitalar, como Clínica Médica de Pequenos Animais, Clínica Cirúrgica de Pequenos Animais e Anestesiologia Veterinária. O programa está alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), especialmente Saúde e Bem-Estar (ODS 3) e Vida Terrestre (ODS 15), além das diretrizes do Plano Maranhão 2050.

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