Estudo analisou proteínas e lipídios de parasitas isolados, a partir de amostras clínicas

Thaiza Carvalho de Sousa

Graduada em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA)
VENCEDORA DO PRÊMIO FAPEMA 2026
Categoria: Jovem Cientista
Área do Conhecimento: Ciências Biológicas
Título: Caracterização proteômica e lipidômica de isolados clínicos de Leishmania infantum
Orientadora: Mayara Ingrid Sousa Lima
Pesquisa sobre a Leishmania infantum, parasita responsável pelo calazar (leishmaniose visceral), identificou diferenças importantes entre amostras retiradas diretamente de pacientes e cepa mantida por décadas em laboratório. O estudo, desenvolvido pela pesquisadora da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Thaiza Carvalho de Sousa, buscou caracterizar, por meio de abordagens proteômica e lipidômica, isolados clínicos de Leishmania infantum circulantes. A proposta é ampliar o conhecimento sobre a diversidade molecular desse parasita.
Para entender essas diferenças, o estudo analisou proteínas e lipídios presentes em três amostras, obtidas de pacientes maranhenses e as compararam com cepa de referência, mantida em laboratório desde 1974. A proteômica e a lipidômica são abordagens que permitem caracterizar e comparar, respectivamente, as proteínas e os lipídios presentes nas células. É como produzir uma ‘fotografia molecular’ do parasita para entender como ele funciona e responde a diferentes condições.
Foram identificadas 12 proteínas e cinco lipídios que apresentaram diferenças nos seus níveis de abundância entre as amostras. Algumas das proteínas encontradas nos parasitas retirados dos pacientes estavam relacionadas à produção de energia, à fabricação de novas proteínas e à resposta ao estresse celular. Um dos principais achados foi a maior abundância da proteína da família AhpC/TSA. Ela ajuda o parasita a neutralizar substâncias produzidas pelo sistema imunológico durante o combate à infecção.
Quando as células de defesa – chamadas macrófagos – atacam o parasita, produzem moléculas conhecidas como espécies reativas, especialmente relacionadas ao estresse oxidativo. Elas funcionam como uma espécie de ‘arma química’ contra os microrganismos. A maior presença da AhpC/TSA nos isolados clínicos pode sugerir uma maior capacidade de resposta ao estresse, embora essa relação ainda precise ser investigada experimentalmente.
Os resultados podem servir de base para pesquisas futuras sobre a relação entre as características moleculares do parasita e a forma como ele interage com o organismo humano. Orientado pela professora doutora Mayara Ingrid Sousa Lima, a pesquisa foi vencedora do Prêmio FAPEMA 2026, na categoria Jovem Cientista – Ciências Biológicas.





