Por meio de impressão 3D e metodologias lúdicas, pesquisa do IFMA em Grajaú ensina estudantes crianças sobre os limites do próprio corpo
Calebe Xavier Dias

Estudante do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão (IFMA) – Campus Grajaú
VENCEDOR DO PRÊMIO FAPEMA 2026
Categoria: Pesquisador Júnior
Área de conhecimento: Ciências Humanas
Título: Kit educativo em impressão 3D para prevenção ao assédio, abuso sexual de crianças e adolescentes e ensino da educação sexual
Orientadora: Reysi Jhayne Pegorini

A união entre tecnologia, educação e sensibilidade deu origem a uma iniciativa de forte apelo para a segurança de crianças e jovens. Desenvolvido no município de Grajaú, um inovador kit educacional promete mudar a forma como escolas abordam um tema ainda coberto por tabus: a prevenção ao abuso sexual infantil. Utilizando personagens modelados em 3D e um sistema visual de cores, o projeto ensina crianças a reconhecerem os limites do próprio corpo e a identificar situações de risco, de forma interativa e acolhedora.
O kit é resultado do trabalho de pesquisa ‘Kit educativo em impressão 3D para prevenção ao assédio, abuso sexual de crianças e adolescentes e ensino da educação sexual’, desenvolvido por Calebe Xavier Dias e orientado pela professora Reysi Jhayne Pegorini, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão (IFMA) – campus Grajaú.
Os dados alarmantes sobre o número de crianças vítimas de abuso serviram de combustível para a equipe. Segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), mais de 57 mil casos de estupro de vulnerável foram registrados no Brasil apenas em 2025.
“Ficamos abismados com o fato de que esses casos são apenas os denunciados, que os abusadores são, em sua maioria, pessoas próximas da família da criança; há ainda um número significativo de casos que não são denunciados porque a criança não compreende que sofreu uma violência”, pontua Calebe Dias.
A próxima etapa do projeto é o monitoramento. A equipe planeja acompanhar as instituições que receberem as doações para analisar como os educadores estão manuseando o material e qual o impacto real na aprendizagem dos alunos.
Calebe Dias ganhou o primeiro lugar na categoria Pesquisador Júnior do Prêmio FAPEMA 2026.

O ‘semáforo do toque’
Para traduzir um tema complexo para a linguagem infantil, a equipe apostou na gamificação e no dinamismo. O kit funciona com base nas três cores de um semáforo: vermelho (onde a criança não pode ser tocada), amarelo (áreas de atenção e cuidado) e verde (toques normais e seguros).

A experiência ganha vida através de um conjunto de personagens diversificados, que inclui um menino, uma menina, um boneco de gênero neutro para maior inclusão, além de representações de adultos do convívio diário: um avô, uma avó, pai, mãe, professora e um estranho. Para ilustrar que o perigo nem sempre vem de desconhecidos, o kit conta com cenários como parquinho, shopping e sala de aula.
O diferencial interativo está no magnetismo. Dentro dos semáforos e dos personagens existem ímãs. “A pessoa que está interagindo pega uma das cores e passa por cima da área que deseja demonstrar. Utilizando os cenários e os diferentes personagens, a experiência se torna bem mais detalhada”, explica o pesquisador.
Kits em 3D
Os personagens foram modelados na plataforma on-line Tinkercad, dedicada à criação de estruturas 3D. Após várias tentativas, os personagens foram impressos em duas camadas com espessuras diferentes para abrigar os ímãs antes de serem fundidos em uma única peça. A recepção do kit nas escolas tem sido promissora.
Durante as apresentações, a interação das crianças surpreendeu positivamente a equipe. A iniciativa foi aprovada no Proext/IFMA. Com os recursos disponibilizados, a equipe confeccionou kits para doação na rede de ensino municipal de Grajaú.





