O potencial de absorção das fibras da semente do fruto se mostra viável para combater a pobreza menstrual e reduzir impactos ambientais
Haylana Araújo Lima

Técnica em Meio Ambiente pelo Instituto Federal de Ciência e Tecnologia do Maranhão (IFMA) – Campus Centro Histórico, São Luís. Tem experiência na área de Química, com ênfase em Química Analítica
VENCEDORA DO PRÊMIO FAPEMA 2026
Categoria: Pesquisador Júnior
Área de conhecimento: Multidisciplinar
Título da pesquisa: Absorventes Femininos Biodegradáveis à Base de Fibras Naturais
Orientadora: Laurinda Fernanda Saldanha Siqueira
Absorventes íntimos feitos com fibras de sementes do açaí. Essa descoberta vem sendo avaliada na pesquisa ‘Absorventes Femininos Biodegradáveis à Base de Fibras Naturais’, desenvolvida por Haylana Araújo Lima, pesquisadora do ensino médio do Instituto Federal do Maranhão (IFMA) – Campus Centro Histórico, em São Luís. A proposta é transformar um resíduo natural disponível na vegetação local e de baixo custo, vindo desta planta, em matéria-prima para um produto relacionado à saúde e à dignidade menstrual. A ideia ganha relevância diante do cenário da pobreza menstrual no Brasil, que afeta milhões de mulheres e pode comprometer a frequência escolar, a participação profissional e o acesso a condições adequadas de higiene.
“Investigamos a fibra da semente de açaí como componente de núcleos absorventes biodegradáveis. O objetivo é unir sustentabilidade, acessibilidade e saúde, aproveitando um material que normalmente seria descartado”, explica Haylana Lima. A pesquisadora enfatiza que, além da questão social, o problema possui dimensão ambiental. Absorventes convencionais utilizam polímeros sintéticos em sua composição e outros aditivos que geram resíduos de longa permanência no ambiente. “Assim, a substituição parcial desses componentes por fibras naturais pode representar uma estratégia de inovação baseada na economia circular”, observa Haylana Lima.
Resultados encontrados no processo de execução apontam um caminho científico promissor, que, posteriormente, pode dar origem a um produto comercial. A pesquisadora ressalta que seguem as etapas de desenvolvimento e após, validação, segurança, desempenho e escalonamento, antes de uma eventual aplicação em produtos destinados ao uso humano. “Mesmo assim, já conseguimos demonstrar que fibras de sementes do fruto podem originar núcleos absorventes biodegradáveis, combinando absorção, pH adequado, baixo potencial de custo e rápida desintegração em água. É, de fato, uma iniciativa que terá aplicação social”, enfatiza a pesquisadora.
Para além de um experimento, a proposta apresenta uma perspectiva de transformação de um passivo ambiental em matéria-prima para uma tecnologia social. A semente de açaí, por ser abundante e gratuita, reúne atributos que podem favorecer uma futura aplicação em produtos de baixo custo.
O trabalho foi orientado pela doutora em Química e professora do IFMA, Laurinda Fernanda Saldanha Siqueira, contou com apoio da (FAPEMA) e venceu o Prêmio FAPEMA 2026, na categoria Pesquisador Júnior, conquistando o terceiro lugar. Compõem ainda a equipe de pesquisa, Sabrina Rodrigues Mendes (técnica em Meio Ambiente, do IFMA) e Adriana Silva do Nascimento (técnica em laboratório, do IFMA).
Viabilidade e sustentabilidade

Para chegar ao material, os pesquisadores iniciaram com levantamento bibliográfico e seleção de fibras biodegradáveis, disponíveis na capital e região. As sementes de açaí passaram por higienização, secagem, moagem e peneiração. Em seguida, as fibras foram submetidas à extração por tratamento alcalino e ao branqueamento por tratamento peróxido-alcalino, com utilização de hidróxido de sódio (NaOH) e peróxido de hidrogênio (H₂O₂). Esses procedimentos tiveram a função de modificar a estrutura da fibra e favorecer a capacidade de retenção de líquidos.
Os resultados chamaram atenção pela velocidade e pela quantidade de líquido absorvida. Em apenas 60 segundos, os núcleos conseguiram reter água e gelatina em quantidade superior a quatro vezes sua massa seca. Em um dos testes práticos, o material assimilou 20 mililitros de fluido em aproximadamente 35 segundos. Este índice de absorção supera valores registrados na literatura para fibras naturais como algodão, cânhamo e linho.





