Estudo busca aproximar ferramentas computacionais de pesquisadores das Ciências Sociais Aplicadas e Humanas
Marcio Carneiro dos Santos
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Doutorado em Tecnologias da Inteligência e Design Digital pela PUC-SP e Pós-Doutorado pela UnB. É professor do Departamento de Comunicação Social e coordenador do Mestrado Profissional em Comunicação da UFMA.
Uma pesquisa desenvolvida na Universidade Federal do Maranhão (UFMA) vem criando caminhos para democratizar o uso da inteligência artificial generativa no meio científico. Esse tipo de tecnologia, capaz de produzir textos, imagens e vídeos a partir de comandos em formato de conversa (os chamados prompts), aproxima a inovação e a criatividade da rotina de pesquisadores.
Coordenado pelo professor doutor Marcio Carneiro, o estudo tem como foco o desenvolvimento de metodologias que permitam a pesquisadores de áreas não diretamente ligadas à tecnologia utilizar recursos computacionais avançados para análise e processamento de dados.
Segundo o coordenador, a pesquisa surgiu a partir da necessidade de construir uma ponte entre pesquisadores das áreas de Comunicação, Informação e Humanas e as novas possibilidades oferecidas pelas tecnologias digitais. “A nossa pesquisa é uma pesquisa de desenvolvimento de metodologia. Eu chamo ela de uma metasolução, ou seja, uma solução que serve para ser usada por profissionais da área da Comunicação, da Ciência da Informação, além da Biologia”, explica o professor.
A proposta central do estudo é criar um conjunto de procedimentos e ferramentas que facilite o uso de grandes volumes de dados sem exigir conhecimentos aprofundados em programação. A metodologia busca tornar mais acessíveis recursos que tradicionalmente estavam restritos a profissionais com formação específica em tecnologia.
“É um método para utilizar recursos computacionais de uma forma mais simples, sem que você tenha necessidade de ser um programador. A ideia é usar formas de processar volumes de dados maiores com mais eficiência”, destaca Carneiro.


Pesquisa com trajetória consolidada
O trabalho possui uma trajetória de continuidade, tendo sido contemplado em várias edições do Edital Universal (FAPEMA). Atualmente integra uma bolsa de produtividade em pesquisa, também da Fundação, em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Ao longo do desenvolvimento, a pesquisa deixou de ser apenas uma investigação teórica e passou a gerar diferentes produtos e aplicações. Entre os desdobramentos estão artigos científicos, capítulos de livros, livros e iniciativas voltadas à inovação tecnológica.
De acordo com o coordenador, a metodologia desenvolvida passou a ser aplicada em diferentes contextos, inclusive fora da área inicial de Ciências Sociais Aplicadas. “Ela começou com uma proposta teórica, mas hoje tem aplicação em várias áreas, inclusive fora das Ciências Sociais Aplicadas”, afirma.
Um dos exemplos é uma parceria com pesquisadores da área de Biologia, em um projeto desenvolvido em colaboração com a Universidade de Brasília (UnB), no qual os métodos produzidos pela pesquisa são utilizados para treinar modelos de inteligência artificial capazes de identificar estratégias de desinformação climática em textos jornalísticos.

Da pesquisa para a difusão científica e inovação
Os resultados do estudo também contribuíram para iniciativas de divulgação científica e aproximação entre universidade, mercado e sociedade. Um desses espaços é o APLICOM – Encontro Nacional de Pesquisa Aplicada em Comunicação e Informação, evento coordenado pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação Profissional da UFMA (PPGCOMPro), em parceria com a FAPEMA, a CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) e CNPq.
Realizado em formato bianual, o APLICOM reúne pesquisadores, estudantes, profissionais, startups e instituições para discutir soluções aplicadas em Comunicação e Informação. A edição de 2025 contou com mais de 100 trabalhos apresentados, além de oficinas, mesas temáticas e demonstrações de tecnologias emergentes.
Segundo Carneiro, embora o evento não seja a própria pesquisa, ele representa um espaço onde os conhecimentos desenvolvidos pelo estudo conseguem circular e gerar novas conexões. “O APLICOM não é a pesquisa em si, mas sua aplicação num espaço de difusão, aparecendo e sendo um eixo organizador do evento. Em 2025, fizemos pela primeira vez o APLICOM EX, momento em que demonstramos vários dos nossos artefatos, plataformas e assistentes de IA”, explica.
Durante o APLICOM 25, foram apresentadas ferramentas de IA generativa voltadas para comunicação institucional, jornalismo, marketing, educação e gestão pública, incluindo assistentes digitais para planejamento editorial, produção de textos e estratégias de comunicação.
Tecnologia acessível para diferentes campos do conhecimento
Para o pesquisador, um dos principais impactos da iniciativa está em permitir que áreas tradicionalmente afastadas da computação possam incorporar novas ferramentas sem perder sua autonomia científica.
“A essência da pesquisa é um desenvolvimento de método para lidar com volumes de dados maiores e recursos computacionais de uma forma mais eficiente, principalmente em áreas de conhecimento que não têm essa formação mais direta para tecnologia”, ressalta.
Com os novos caminhos abertos pela pesquisa, a inteligência artificial deixa de ser vista apenas como uma ferramenta restrita ao campo tecnológico e passa a ser incorporada como recurso metodológico para diferentes áreas do conhecimento, sempre de forma ética e com o entendimento das oportunidades, mas também dos riscos da sua utilização. A experiência demonstra como a pesquisa aplicada pode transformar conhecimento acadêmico em soluções práticas, aproximando ciência, inovação e sociedade.





