Produção de mudas, compostagem, biofertilizantes e práticas de agricultura sustentável fazem parte da iniciativa
Ilka Cantanhêde

Graduada em Agronomia pela Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), mestrada em Ciências Agrárias pela Universidade de Brasília (UnB) e doutorado em Agronomia pela Universidade Estadual Paulista (UNESP).

No Porto do Itaqui, os resíduos orgânicos gerados diariamente, como aparos de roçagem, celulose e grãos resultantes da limpeza dos pátios, poderão ganhar, em breve, um novo destino: a transformação em insumo para fortalecer a agricultura familiar e recuperar áreas degradadas da Grande Ilha. A iniciativa pretende unir ciência, sustentabilidade e desenvolvimento social ao investigar a viabilidade da produção de composto orgânico a partir de materiais descartados pelo porto.
Atualmente, o destino de boa parte desses resíduos é o aterro sanitário de Rosário, município distante cerca de 75 quilômetros de São Luís. O projeto prevê alterar este processo por meio da compostagem, técnica que transforma matéria orgânica em adubo rico em nutrientes, reduzindo impactos ambientais e incentivando a economia circular.
A pesquisa, coordenada pela Profa. Ilka South de Lima Cantanhêde, do Instituto Federal do Maranhão (IFMA) – Campus São Luís Maracanã, prevê análises físicas, químicas e microbiológicas dos resíduos antes e após o processo de compostagem, para garantir a segurança e a qualidade do material produzido. Um dos pontos centrais do estudo é verificar a presença de possíveis contaminantes, como resíduos de agrotóxicos e metais pesados, especialmente em materiais derivados de soja e trigo.
De acordo com a professora Ilka Cantanhede, o projeto, que teve início em 2024 com previsão para ser concluído este ano, pode representar uma alternativa sustentável para pequenos produtores rurais da região, historicamente marcados por baixa produtividade, dificuldades estruturais e dependência de insumos externos. O trabalho é desenvolvido com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (FAPEMA) em parceria com a Empresa Maranhense de Administração Portuária (EMAP) que tem como objetivo o apoio à pesquisa no Porto do Itaqui.

Bioinsumos
Além da produção do composto orgânico, o projeto também prevê a geração de biofertilizantes obtidos a partir do chorume produzido durante a decomposição dos resíduos. Esses bioinsumos poderão ser utilizados na adubação agrícola e na produção de mudas de espécies alimentares e florestais.
O Pátio de Compostagem de Laranjeiras, estrutura instalada na zona rural de São Luís, é o local da pesquisa in loco. O espaço tem capacidade operacional superior a 1.200 metros cúbicos anuais. No local, os pesquisadores testam diferentes aceleradores de compostagem, como fungos do gênero Trichoderma, enzimas celulases e biocarvão produzido a partir dos próprios resíduos portuários.
Capacitação: compostagem, produção de mudas, biofertilizantes e práticas de agricultura sustentável
Faz parte ainda do projeto a capacitação voltada aos produtores rurais, tendo como públicos prioritários mulheres chefes de família, agricultores com perfil empreendedor e produtores que enfrentam problemas ambientais em suas propriedades.

Nas capacitações serão ofertados cursos sobre compostagem, produção de mudas, biofertilizantes e práticas de agricultura sustentável. Entre os impactos esperados estão a redução do volume de resíduos enviados aos aterros sanitários, o fortalecimento da agricultura familiar, a recuperação de áreas degradadas e a diminuição da dependência de fertilizantes químicos.

O projeto de aproveitamento de resíduos para produção de adubo orgânico também está alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas, especialmente os relacionados à erradicação da pobreza, agricultura sustentável, consumo responsável e cidades sustentáveis.

Também fazem parte da iniciativa Jadiel Lins (Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária – SAGRIMA), Olga Oliveira e Cristina Gomes (Semear), Áurea Sousa (Instituto Estadual de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão – IEMA) e Carla Garcês ( Secretária de Agricultura e Pesca de Paço do Lumiar – SEMAGRI).
nhão.





