O produto mostrou potencial para impulsionar a bioeconomia regional e gerar renda para agricultores da região tocantina
Daniela Souza Ferreira
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Engenheira de Alimentos pelo Instituto Mauá de Tecnologia, Mestrado e Doutorado em Ciência de Alimentos pela Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e Pós-Doutorado no Instituto de Tecnologia de Alimentos (ITAL).
VENCEDORA DO PRÊMIO FAPEMA 2026
Categoria: Empreendedorismo
Área de conhecimento: Ciências Agrárias
Título: Pasta de castanha do Maranhão: autenticidade e sustentabilidade
A criação de uma pasta alimentícia sustentável e inovadora, desenvolvida a partir da castanha-do-Maranhão (Pachira aquatica), conquistou o segundo lugar na categoria Empreendedorismo do Prêmio FAPEMA 2026. O projeto “Pasta de Castanha do Maranhão: Autenticidade e Sustentabilidade” é liderado pela professora Daniela Souza Ferreira, do curso de Engenharia de Alimentos, da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) – campus Imperatriz, e sócia-fundadora da empresa de alimentos Maranuts. Foco do estudo, semente nativa historicamente subutilizada, mostrou potencial em produto de alto valor nutricional.
Foi identificado que a semente tem potencial para gerar renda para agricultores familiares e contribuir para o reflorestamento na região. O desenvolvimento do produto atende a um cenário epidemiológico que inclui cerca de 20 milhões de pessoas com diabetes, dois milhões de celíacos e uma parcela expressiva da população brasileira com algum grau de intolerância à lactose. Para atender a esses públicos, a pasta é produzida sob o conceito de ‘clean label’ (rótulo limpo), com ingredientes naturais da região tocantina, como o cacau, e é isenta de açúcar, glúten, lactose e ingredientes de origem animal.
A semente nativa encontrada nos biomas Amazônia e Cerrado possui aproximadamente 44% de teor lipídico e 12,9% de proteínas de alta qualidade, além de antioxidantes que auxiliam na prevenção de doenças degenerativas. A segurança alimentar do produto foi rigorosamente validada, contando com aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa e alcançando 87% de aprovação nos atributos de sabor e consistência em testes sensoriais com 58 provadores.
“Produzimos a pasta de castanha-do-maranhão como uma alternativa à Nutella, que é um produto com muito açúcar, conservantes e óleo de palma. A nossa versão tem zero açúcar, zero glúten e não utiliza derivados de animais, além de apresentar um alto conteúdo de gorduras boas e proteínas. Também já validamos chocolates produzidos com cacau adquirido na região Tocantina e desenvolvemos produtos como as balls, em uma proposta semelhante ao Nescau Balls”, pontuou Daniela Souza,
No âmbito econômico, um dos principais diferenciais da iniciativa é a verticalização da cadeia produtiva, o que inverte a lógica histórica de exportação de matéria-prima in natura do Norte e Nordeste brasileiro para outras áreas do país. Ao realizar todo o processamento no Maranhão, desde a secagem e torra até o refino, mistura e conchagem, o projeto garante que o valor agregado da produção permaneça no território, reduzindo a dependência de centros industriais do Sul e Sudeste.
O impacto social e ambiental consolida a pesquisa como uma referência em bioeconomia a partir do modelo de “floresta em pé”. A Maranuts atua na inclusão produtiva ao engajar famílias agricultoras em municípios maranhenses como Buritirana, Senador La Roque, Porto Franco e Montes Altos, oferecendo capacitação técnica em boas práticas e prevendo a futura estruturação de cooperativas.

Para combater o desmatamento desenfreado que ameaça a espécie e mitigar os efeitos das mudanças climáticas, o projeto distribuiu e realizou o plantio de mais de 400 mudas da castanheira. Essa frente de conservação é fortalecida por parcerias institucionais com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Imperatriz, Suzano e Motiva Aeroportos, que apoiam a criação de estações experimentais de plantio, corredores ecológicos produtivos e o mapeamento georreferenciado para garantir a rastreabilidade da cadeia de suprimentos.
A inovação no processo produtivo já resultou no depósito de patentes no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), assegurando a exclusividade tecnológica da formulação. Os próximos passos incluem ampliar a produção e diversificar os alimentos derivados da castanha-do-maranhão.





