Revista Inovação FAPEMA

PESQUISA APOIADA PELA FAPEMA BUSCA AMPLIAR HABILIDADES SOCIAIS E COMUNICAÇÃO DE CRIANÇAS AUTISTAS NO MARANHÃO

Estudo investiga estratégias para estimular a comunicação social de crianças com Transtorno do Espectro Autista e avaliar se as habilidades aprendidas são utilizadas também no ambiente escolar

Nathália Pinto Martins

Graduanda em Psicologia pela Universidade CEUMA e bolsista de Iniciação Científica com apoio da FAPEMA. Desenvolve pesquisas na área de Análise do Comportamento Aplicada (ABA), com foco no ensino de habilidades de comunicação social para crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA).

As crianças foram observadas em sala de aula durante a pesquisa

Ensinar uma criança a se comunicar de forma mais independente pode representar muito mais do que o aprendizado de uma nova frase: pode significar ampliar suas possibilidades de interação, participação e autonomia no cotidiano. É com esse propósito que uma pesquisa desenvolvida no Maranhão investiga estratégias para o ensino de habilidades de comunicação social a crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), buscando compreender como esses repertórios podem ser aprendidos e utilizados para além do ambiente de intervenção.

A pesquisa “Ensino de Habilidades Sociais para Crianças Autistas e Avaliação de Generalização em Contexto Escolar” é desenvolvida pela bolsista Nathalia Pinto Martins e recebe apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (FAPEMA), por meio do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC). O trabalho é realizado no LAPITEA – Laboratório de Avaliação, Pesquisa e Intervenção em Transtorno do Espectro Autista, do Curso de Psicologia da Universidade Ceuma, sob orientação da Profa. Dra. Pollianna Galvão Soares e coorientação do Prof. Dr. Daniel Matos.

 

Pesquisa sobre o TEA foi tema de reunião realizada no IEMA

O estudo parte dos princípios da Análise do Comportamento Aplicada (ABA) e investiga procedimentos que podem favorecer a aprendizagem de respostas verbais relacionadas a situações socialmente relevantes.

 A pesquisa utiliza algumas estratégias e uma delas é o feedback instrucional, que apresenta informações adicionais relacionadas à situação social trabalhada. Com isso, o estudo busca verificar não apenas se as crianças aprendem as respostas diretamente ensinadas, mas também se são capazes de apresentar novas respostas verbais a partir das informações recebidas.

 “O projeto busca compreender de que maneira estratégias estruturadas de ensino podem favorecer o desenvolvimento de habilidades de comunicação social em crianças com TEA, especialmente para que essas habilidades não fiquem restritas ao momento da intervenção, mas possam ser utilizadas de forma mais independente em situações do cotidiano”, explica Nathalia Pinto Martins.

 Um dos aspectos de destaque da pesquisa é justamente a preocupação com a generalização das habilidades aprendidas. Depois do período de ensino, será avaliado se as crianças conseguem utilizar os repertórios desenvolvidos em situações sociais diferentes daquelas vivenciadas durante a intervenção, especialmente nas interações com outras crianças no ambiente escolar.

 Para isso, o estudo prevê a participação de três crianças com TEA e três crianças com desenvolvimento típico, com idades entre 4 e 12 anos, regularmente matriculadas em escolas regulares. A pesquisa está organizada em diferentes etapas: linha de base, intervenção, avaliação de generalização, manutenção e validação social.

 Na etapa de manutenção, será verificado ainda se as habilidades permanecem presentes um mês após o encerramento da intervenção. Os responsáveis também participarão da avaliação por meio de um questionário, contribuindo para a análise da percepção sobre a eficácia e a relevância do procedimento.

 Pesquisa avança na construção do protocolo

 Até o momento, os principais resultados estão relacionados à estruturação e ao refinamento do protocolo experimental. Foram organizados três grupos de situações sociais, reunindo nove situações ao todo, com definição de alvos primários e secundários de comunicação.

 Também foram elaborados e adaptados os roteiros de frases, as condições de avaliação e ensino e as folhas de registro utilizadas para acompanhar o desempenho dos participantes. Essa organização permitiu estabelecer um procedimento sistemático para observar tanto a aprendizagem das respostas diretamente ensinadas quanto os possíveis efeitos do feedback instrucional sobre respostas que não recebem ensino direto.

 Como a coleta de dados ainda está em andamento, não há, neste momento, resultados quantitativos suficientes para determinar a eficácia do procedimento. A etapa atual, entretanto, é fundamental para garantir que a investigação seja conduzida de maneira sistemática e que os dados obtidos possam ser analisados com rigor científico.

 Além da produção de conhecimento sobre intervenções voltadas ao TEA, a pesquisa possui uma dimensão importante de formação acadêmica. A bolsista participa de atividades que envolvem revisão bibliográfica, organização de materiais, treinamento para coleta de dados, registro das respostas, cálculo de concordância entre observadores, organização dos dados para análise gráfica e elaboração de relatório científico.

 Ciência que dialoga com a realidade do Maranhão

 Ao investigar estratégias de ensino de comunicação social para crianças autistas dentro da realidade maranhense, o estudo contribui para ampliar a produção científica local em uma área de grande relevância para a inclusão escolar e para o desenvolvimento de práticas fundamentadas em evidências.

 A expectativa é que os resultados possam futuramente oferecer subsídios para o aperfeiçoamento de práticas voltadas à aquisição de repertórios verbais socialmente relevantes e à promoção de maior independência comunicativa. A investigação também contribui para fortalecer a formação de pesquisadores e profissionais maranhenses nas áreas de Psicologia, Análise do Comportamento e TEA.

 “O apoio da FAPEMA é importante porque possibilita vivenciar a pesquisa de forma completa, desde a revisão da literatura e o planejamento metodológico até a coleta, análise e divulgação dos dados. A bolsa também favorece uma dedicação maior ao projeto e contribui diretamente para minha formação em Psicologia, além de incentivar a produção de conhecimento voltado às necessidades da nossa realidade no Maranhão.”

O estudo, além de aproximar universidade, pesquisa e escola, ainda reforça o papel da ciência na busca por soluções para desafios concretos da sociedade. No caso das crianças com TEA, compreender como habilidades de comunicação podem ser ensinadas e utilizadas em diferentes ambientes representa um passo importante para pensar práticas educacionais e de intervenção cada vez mais conectadas às necessidades individuais e ao cotidiano escolar.

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