Revista Inovação FAPEMA

VOZES QUE REESCREVEM A CIÊNCIA

Projeto destaca trajetórias de professoras afrodescendentes e propõe uma educação superior mais plural e afrocentrada.

Raimunda Machado

Licenciada em Pedagogia (2005), Mestre em Ciências Sociais e Especialista em Mídias na Educação, ambos pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA). É Doutora em Educação pela Universidade Federal do Piauí (UFPI).

Professora Raimunda Machado com integrantes da pesquisa, estudantes de graduação, mestrado e doutorado.

Em um Maranhão onde tradição e inovação caminham lado a lado, um projeto acadêmico vem iluminando caminhos para uma educação mais representativa e conectada com a realidade de seu povo. “Professoras Afrouniversitárias: artesãs de educação afrocentrada” não é apenas uma pesquisa, é um movimento que valoriza saberes historicamente invisibilizados, fortalece identidades e transforma práticas pedagógicas em ferramentas de equidade social.

O projeto é vinculado ao Grupo de Estudos e Pesquisa em Educação Afrocentrada (MAfroEduc Olùkọ́/UFMA) e ao Núcleo de Estudos Afro-brasileiros (NEAB/UFMA). A pesquisa,  desenvolvida pela Prof.ª Dr.ª Raimunda Nonata da Silva Machado, investiga maneiras de fazer afrocentradas na educação básica maranhense, conectando saberes acadêmicos e experiências vividas nas escolas e comunidades. Nela, é proposta uma análise e soluções concretas, como a criação do Observatório MAfroEduc, uma plataforma digital e laboratório que sistematiza, visibiliza e dissemina práticas educativas afrocentradas.

Essa abordagem inovadora impacta diretamente o desenvolvimento do estado. Ao reconhecer e valorizar os saberes afro-maranhenses, o projeto contribui para políticas educacionais mais inclusivas, fortalece a formação docente e promove uma educação comprometida com a equidade racial. Em um estado marcado pela forte presença afrodescendente, essa valorização não é apenas necessária, é estruturante de justiça social e cognitiva.

A pesquisa também se destaca pelos resultados já alcançados. Entre eles, a realização dos Círculos Epistêmicos Afrocentrados (CEAfro), a implantação do Observatório MAfroEduc, a coleta de “oralimagens”, registros que combinam narrativas orais, escritas e visuais — e a análise de documentos curriculares da rede estadual. Além disso, o projeto articula iniciativas complementares que ampliam o alcance da produção de conhecimento afrocentrado no estado.

Apresentação do projeto no Seminário de acompanhamento Maranhão 2050

Para Raimunda Machado, o projeto nasce de um compromisso profundo com a transformação social. “Este trabalho é sobre reconhecer que existem muitas formas de produzir conhecimento e que os saberes afrocentrados precisam ocupar o lugar que sempre foi seu por direito. É uma construção coletiva, que nasce da escola, da comunidade e da resistência.”

Ela também destaca o papel essencial do apoio institucional. “O financiamento da FAPEMA foi fundamental para dar consistência e alcance à pesquisa. A Fundação acredita e apoia uma ciência comprometida com justiça social e com o fortalecimento das identidades do nosso povo.”

A iniciativa integra o Edital Plano Maranhão 2050: Soluções Inovadoras. Alinhado à área estratégica de Educação, Identidade e Cultura Transformadoras e Estruturantes e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), especialmente Educação de Qualidade e Redução das Desigualdades, o projeto demonstra como a ciência pode nascer do território e devolver a ele pertencimento e futuro.

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