Programa da FAPEMA e UFMA expande formação e aproxima pesquisadores da sociedade

Por décadas, o conhecimento produzido nas universidades ficou confinado entre muros e laudas técnicas. Um programa nascido da parceria entre a Fundação de Amparo APEMA e UFMA está mudando isso. Após os resultados expressivos alcançados em São Luís, o curso de media training voltado para pesquisadores, professores e profissionais avança para outras regiões do Maranhão. A capacitação tem como meta ampliar cada vez mais a interiorização da divulgação científica e fortalecer estratégias que evidenciam o impacto da pesquisa no desenvolvimento social e regional do Estado.
O programa tem outro objetivo: encurtar uma distância que não se mede em quilômetros. É a distância entre o pesquisador que passa anos decifrando um problema real — uma doença, um solo, uma espécie — e o cidadão que vive esse problema todos os dias sem saber que, em algum laboratório, alguém já encontrou respostas. Reduzir essa distância é, no fundo, o que move o programa “Estratégias de Comunicação para o Fortalecimento da Divulgação Científica no Estado do Maranhão”, financiado pela FAPEMA e conduzido pela equipe da Universidade Federal do Maranhão.
Além do media training, que capacita gratuitamente pesquisadores, professores e profissionais para o relacionamento com a imprensa e com diferentes públicos, a parceria sustenta ações contínuas de divulgação na Rádio Universidade FM e na TV UFMA — um fluxo permanente de ciência em linguagem pública, que não depende de um evento ou de uma edição especial para existir.

A iniciativa começou em São Luís, com um curso de media training gratuito para pesquisadores, professores e profissionais — uma formação prática sobre como traduzir ciência para a imprensa, para as redes sociais, para qualquer pessoa. Os números da primeira fase falam por si: dez turmas concluídas, 760 inscritos e 126 pesquisadores certificados. Mais de 4 mil produções e exibições de conteúdo científico. Quase 3,9 mil veiculações em rádio e TV. Mais de 450 mil visualizações digitais. Uma audiência que, antes, simplesmente não existia para aquela ciência.
Mas o programa tinha uma lacuna: contemplava apenas pesquisadores da capital e precisava atingir todas as regiões do Maranhão, segundo maior estado do Nordeste. Tem cerrado, Amazônia, litoral e sertão. Tem universidades públicas espalhadas por regiões que, por anos, viram a produção científica acontecer longe — e a formação para comunicá-la, mais longe ainda.
Pesquisadores de Imperatriz, de Chapadinha, de Bacabal são os primeiros a se beneficiar com a interiorização do programa. São pesquisas relevantes, mas com pouco acesso às ferramentas para torná-las públicas, compreensíveis e presentes na vida das comunidades ao redor.
É exatamente esse vácuo que a segunda fase do programa vem preencher. A expansão para o interior do estado é uma declaração de que ciência de qualidade não é privilégio de capital.
“Essa descentralização tem o intuito de ampliar a disseminação do conhecimento em diferentes regiões, promovendo maior integração entre universidade, pesquisadores e sociedade”, afirma Josi Bastos, diretora da Rádio Universidade FM e coordenadora geral do projeto.

Quando a ciência ganha voz
O impacto do programa não se mede apenas em audiências e certificados. Ele se mede em trajetórias. Bruno Goulart, estudante do 8º período de Jornalismo da UFMA em São Luís, participou do curso e saiu de lá com mais do que técnica.
“Com este suporte da FAPEMA, estamos desenvolvendo atividades na produção e gravação de programas para a Rádio Universidade e, inclusive, estou escrevendo meu projeto de conclusão de curso nesta linha. Esse curso nos ajuda a melhorar nossa comunicação, a produzir com mais expertise e promover uma divulgação científica ampla, acessível e democrática”
Bruno Goulart

“Quando a gente fala em ciência democrática, não é só discurso. É prática. Ciência que fica só entre especialistas não cumpre seu papel. Quando ela chega a Imperatriz, Chapadinha, Bacabal — e desses lugares conversa com o Brasil — muda tudo. É soberania do conhecimento”, afirma o presidente da FAPEMA, Nordman Wall.
Para o diretor científico da FAPEMA, Cristiano Capovilla, o que está em curso é mais do que um programa de comunicação. “A ampliação do projeto reflete o amadurecimento de uma política pública voltada à ciência, tecnologia e inovação”, disse ele no lançamento da nova etapa, em março deste ano, no auditório da UFMA em São Luís.






