O prato maranhense vem conquistando cada vez mais espaço na gastronomia nacional e internacional e despertando o interesse na culinária maranhense.
Laís Dourado

Doutora em Patrimônios Alimentares: Culturas e Identidades pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, Portugal. Mestre em Gestão de Negócios Turísticos pela Universidade Estadual do Ceará – UECE. Especialista em Tecnologia de Alimentos pela Universidade Federal do Maranhão – UFMA.

Mais do que um prato típico, o Arroz de Cuxá carrega séculos de história, memória e identidade do povo maranhense. Estudos desenvolvidos pela pesquisadora Elaine Cristina Silva Fernandes revelam como esse símbolo da culinária local pode se consolidar como patrimônio cultural imaterial e fortalecer o turismo gastronômico em São Luís.
A pesquisa faz parte da tese “O Arroz de Cuxá como Patrimônio Imaterial: dos Tabuleiros à Mesa da Salvaguarda no Turismo de São Luís – MA”, no âmbito do Doutoramento em Patrimônios Alimentares: Culturas e Identidades, da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. A tese contou com a orientação do Professor Doutor Norberto Nuno Pinto dos Santos e das professoras doutoras Carmen Isabel Leal Soares e Liliane Faria Correa Pinto.
O estudo resgata a trajetória histórica do prato, que tem como ingredientes básicos as folhas de vinagreira e camarão seco. Retrata desde as quitandeiras negras que comercializavam alimentos em tabuleiros pelas ruas da capital maranhense até sua importância na cultura, na economia e na atividade turística da atualidade.

A tese de doutorado demonstra que a preservação do modo de fazer do Arroz de Cuxá vai além da valorização da gastronomia. A pesquisa contribui para a proteção dos saberes tradicionais, fortalece a agricultura familiar e a produção local, estimula a geração de emprego e renda, promove a segurança alimentar e amplia o potencial do Maranhão como destino de turismo cultural e gastronômico.

Entre os resultados, a investigação apresenta um dossiê voltado à salvaguarda do modo de preparo do prato como patrimônio cultural imaterial. Propõe ainda a criação de um Festival do Arroz de Cuxá, iniciativa capaz de integrar produtores, cozinheiros, comunidades tradicionais, agências de turismo, guias, empreendedores e o poder público em torno da valorização da cultura alimentar maranhense.
O trabalho também evidencia que o Arroz de Cuxá permanece vivo na memória afetiva da população, sendo presença marcante em celebrações, festas religiosas, restaurantes e roteiros turísticos. A pesquisa mostra ainda que o prato ultrapassou as fronteiras do estado, conquistando espaço na gastronomia nacional e internacional e despertando o interesse de chefs e visitantes pela autenticidade da culinária maranhense.
“A pesquisa demonstra que o Arroz de Cuxá representa muito mais do que uma receita tradicional. Ele reúne história, identidade, memória e pertencimento, além de revelar um enorme potencial para fortalecer o turismo cultural, preservar saberes e promover o desenvolvimento sustentável do Maranhão”, destaca Elaine Cristina Silva Fernandes.

O estudo também aponta que um eventual reconhecimento do Arroz de Cuxá como patrimônio cultural imaterial poderá fortalecer políticas públicas de preservação, proteger os conhecimentos tradicionais e ampliar a visibilidade do Maranhão no cenário nacional e internacional, agregando valor à cadeia integrativa do turismo e da gastronomia.
Para a pesquisadora, o apoio da FAPEMA por meio da Bolsa de Doutorado foi decisivo para a realização do doutorado e para a qualidade dos resultados alcançados. “O apoio da FAPEMA foi fundamental para viabilizar as etapas da pesquisa, permitindo o acesso a recursos, trabalho de campo, intercâmbio científico e produção de conhecimento com impacto para o Maranhão”, afirma.





