Revista Inovação FAPEMA

ACESSIBILIDADE E TECNOLOGIA COMO ESTRATÉGIAS PARA O TURISMO SUSTENTÁVEL NO MARANHÃO

Plataforma criada com o apoio do Edital Inova Cerrado integra acessibilidade, inovação e ferramentas tecnológicas para ampliar a inclusão, acessibilidade e melhorar a experiência turística

Kendesson da Silva

Graduado em Administração pela Faculdade de Balsas (UNIBALSAS) e especializando em Gestão Financeira pelo Centro Universitário de Fortaleza (UNIGRANDE). Atualmente é CEO da Vertex Agência de Inovação Ltda.

A cidade de Balsas é um dos principais pontos turísticos da região do Cerrado

O turismo vive o desafio de conciliar inovação, sustentabilidade e inclusão. No Maranhão, uma iniciativa atende a essa demanda focando na tecnologia. O projeto Vem de Rotas é uma plataforma de turismo acessível, inclusiva e inteligente, que aposta na integração de informações, serviços e experiências para tornar os destinos maranhenses mais conectados, democráticos e preparados para atender diferentes perfis de viajantes.

O desenvolvimento de funcionalidades de acessibilidade digital, como a compatibilidade com leitores de tela, foi um dos principais resultados alcançados pelo projeto.

Como produto técnico-tecnológico, foi estruturada uma plataforma web e mobile, tendo como diferencial o Módulo de Acessibilidade Comunicacional, criado para apoiar pessoas com deficiência visual e auditiva, além de ampliar a autonomia durante a experiência turística. A plataforma passou por testes e correções para assegurar estabilidade, desempenho, responsividade e melhor navegação. 

 

O aplicativo web e mobile tem como diferencial ferramentas de apoio a pessoas com deficiência visual e auditiva

Idealizada pelo graduado em Administração pela Faculdade de Balsas (UNIBALSAS) e especializando em Gestão Financeira pelo Centro Universitário Unigrande (UNIGRANDE), Kendesson Mateus Pinheiro da Silva, a pesquisa foi contemplada no Inova Cerrado, programa executado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Maranhão (FAPEMA) e Sebrae. O edital apoia pequenos negócios inovadores e startups relacionadas à bioeconomia.

 Para execução do projeto, a equipe realizou visitas a hotéis e ecoparques, ouviu representantes do setor sobre dificuldades e necessidades relacionadas ao uso de plataformas digitais e estabeleceu contatos com órgãos e secretarias de turismo, associações e organizações não governamentais. O pesquisador ressalta que a aproximação com quem está na ponta foi um facilitador para entender como a tecnologia pode realmente responder às necessidades do ecossistema turístico.

 Durante seis meses, o Vem de Rotas foi submetido à validação de dados, planejamento estrutural e execução técnica. Na parte tecnológica, a equipe configurou os ambientes de desenvolvimento dos programas e construiu o esqueleto funcional da plataforma, com avanços na ferramenta de cadastro de usuários, estabelecimentos e roteiros, além das telas de login e cadastro do aplicativo. “Este desenvolvimento tecnológico caminhou com foco na inclusão, desde o início. A acessibilidade não foi pensada como um recurso complementar, mas como parte da própria concepção do produto”, enfatiza Kendesson da Silva.

Aplicação da pesquisa em campo com representantes da Associação Brasileira da Pessoa com Deficiência

Como continuidade, a iniciativa contempla ações de monitoramento, marketing de tráfego e acompanhamento sistemático dos feedbacks dos usuários. Com a inserção da plataforma no segmento lojista, o foco será promover a adesão massiva de usuários, possibilitar o acompanhamento de seus comportamentos e gerar dados em volume suficiente para subsidiar a validação do mercado.

Além da plataforma web e mobile, que reúne as funcionalidades de acessibilidade, foram produzidos dois produtos bibliográficos e um técnico-tecnológico. São eles, o Relatório de Validação de Dados de Mercado e Acessibilidade e a Modelagem de Dados e o Pitch Deck Institucional, que organiza a estratégia de expansão e captação de investimentos. 

O Vem de Rotas mostra como o apoio à inovação pode integrar tecnologia, estratégia empresarial e  impactar socialmente. “Nosso próximo desafio é transformar essa base em tração de mercado. Este ciclo nos deixou mais preparados para colocar a solução no mercado, ampliar as parcerias e transformar acessibilidade em uma experiência concreta de turismo para mais pessoas”, conclui o pesquisador.

 Voltada a pequenos negócios inovadores e startups da bioeconomia, o programa Inova Cerrado apoia iniciativas que atuem, direta ou indiretamente, na preservação e uso sustentável dos recursos do Cerrado. A chamada foca ainda no aproveitamento da biodiversidade presente neste bioma, que ocupa 64% do território maranhense. No Maranhão, foram selecionados 20 negócios que receberam apoio financeiro com bolsa de R$ 6,5 mil, por seis meses, além de capacitação e mentoria.

 Acessibilidade e inovação

 As oficinas, workshops e masterclasses do Inova Cerrado também tiveram aplicação direta para evolução do projeto. As atividades de networking e comunicação auxiliaram a equipe a sintetizar e aperfeiçoar o discurso voltado a investidores e parceiros. Esse aprendizado foi aplicado em apresentações públicas e, especialmente, na preparação para o Demo Day.

 Entre as capacitações, a Oficina de Acessibilidade, promovida pela Agência Marandu, teve impacto direto sobre o desenvolvimento do produto. O conteúdo reforçou a necessidade de considerar diferentes barreiras de acesso desde a construção da solução, levando à priorização e implementação de recursos compatíveis com leitores de tela. “Essa experiência demonstrou para nossa equipe que a acessibilidade pode ser incorporada, simultaneamente, como requisito de inclusão e elemento de inovação tecnológica”, avalia o pesquisador.

 O programa também contribuiu para a estruturação do modelo comercial. As mentorias de tracionamento ajudaram a definir métricas prioritárias, canais de distribuição e estratégias de retenção, enquanto as imersões no Sebrae Lab trouxeram contribuições para a experiência do usuário, a operação da plataforma e o modelo B2B2C de assinaturas. O resultado foi um novo plano comercial, com foco na expansão regional e na aproximação com empresas do trade turístico.

 Desenvolvimento estratégico

 As mentorias individuais oferecidas pelo Inova Cerrado tiveram um resultado decisivo na evolução conceitual e estratégica do projeto. Os primeiros módulos, dedicados à bioeconomia, à modelagem de negócios de impacto e às métricas de impacto, contribuíram para a formalização da missão e da visão do projeto Rotas e para a consolidação de um posicionamento orientado por princípios ESG – Environmental, Social and Governance (Ambiental, Social e Governança) e geração de valor sustentável.

Em encontro cultural com povos originários, foi vislumbrada a ideia de ampliar o projeto às demandas deste segmento

 Conteúdos de desenvolvimento de produtos, marketing digital e estratégia de vendas foram aplicados diretamente na experiência do usuário e na preparação do foco de aquisição. As discussões sobre relacionamento com o ecossistema, pitch e proteção legal também produziram resultados concretos, como a elaboração de um pitch deck profissional e o fortalecimento das articulações institucionais. “A mentoria ajudou a equipe a deixar de olhar apenas para o produto e passar a enxergar o negócio como solução escalável, com estratégia de mercado, impacto e capacidade de captação”, explica Kendesson da Silva.

 A participação em eventos como Mobiliza São Luís, Expo Indústria e Demo Day permitiu colocar os conhecimentos em prática, ampliar a rede de contatos e apresentar a proposta a potenciais parceiros e investidores. Já o módulo dedicado ao planejamento para escalabilidade e crescimento contribuiu para a construção de um plano estratégico de longo prazo, deslocando o foco da execução operacional para uma visão estratégica de expansão.

 

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