Elaboração do documento partiu de estudos para a Tese de Mestrado e contribui para o fortalecimento da saúde animal e humana
Adriana Prazeres

Possui mestrado e doutorado em Defesa Sanitária Animal pelo Programa de Pós-graduação Profissional em Defesa Sanitária Animal (Universidade Estadual do Maranhão – UEMA). É especialista em Vigilância Sanitária (Universidade Federal do Maranhão – UFMA) e em Educação Ambiental pela UEMA e, graduada em Medicina Veterinária (UEMA).
VENCEDORA DO PRÊMIO FAPEMA 2025
Categoria: Tese de Doutorado
Área de conhecimento: Ciências Agrárias
Título: Plano Estratégico para aumento da cobertura vacinal contra brucelose no Estado do Maranhão – Brasil
Coordenadora: Viviane Correa Silva Coimbra
Coorientadora: Carla Janaína Rebouças Marques do Rosário

Uma pesquisa que une ciência, saúde pública e desenvolvimento econômico ganha destaque no Maranhão. A tese de doutorado “Plano Estratégico para aumento da cobertura vacinal contra Brucelose no Estado do Maranhão, Brasil”, da pesquisadora Adriana Prazeres Paixão, apresenta um caminho concreto e viável para transformar a realidade sanitária da pecuária maranhense. O estudo foi desenvolvido na Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), sob orientação da professora Viviane Corrêa Silva Coimbra e a coorientadora professora Carla Janaina Rebouças Marques do Rosário.
A brucelose é uma doença bacteriana que afeta principalmente bovinos e bubalinos, causando abortamentos em fêmeas, infertilidade em machos e expressivos prejuízos econômicos à cadeia produtiva. Além disso, representa um risco direto à saúde humana, já que pode ser transmitida pelo consumo de alimentos contaminados.
A partir dos dados coletados, o trabalho propôs um Plano Estratégico de Vacinação robusto, que inclui a institucionalização de uma campanha estadual de vacinação contra a brucelose, ações contínuas de educação em saúde e comunicação social, fortalecimento de parcerias público-privadas e a criação de um Comitê Gestor com participação de diferentes atores da cadeia produtiva.
A vacinação contra brucelose em bezerras entre 3 e 8 meses, conforme preconiza o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), é uma das principais ferramentas de controle da enfermidade.
Com a implementação do plano proposto, espera-se um impacto socioeconômico significativo para o estado, com a valorização dos produtos lácteos e cárneos, maior competitividade nos mercados interno e externo, melhoria da sanidade do rebanho e avanço em busca de um novo status sanitário: a classificação de área livre de brucelose sem vacinação. Um passo decisivo para que o Maranhão consolide sua posição no cenário agropecuário, aliando ciência e saúde pública.

Diagnóstico situacional
A pesquisa desenvolvida por Adriana Prazeres Paixão parte de um diagnóstico situacional
aprofundado, ouvindo produtores rurais, médicos veterinários, responsáveis por casas de revenda de vacinas e servidores do Serviço Veterinário Oficial.
Esse levantamento permitiu identificar entraves reais à vacinação, como o alto custo do serviço veterinário para pequenos produtores, a dificuldade de aquisição da vacina, a carência de informação técnica e a inexistência de casas agropecuárias que comercializem a vacina em alguns municípios do território maranhense.
Outro achado relevante foi a identificação de regiões com baixíssimos ou ausência de registros de vacinação contra brucelose, como comunidades quilombolas, indígenas, ribeirinhas, bacias leiteiras e a Baixada Maranhense, apontadas como áreas prioritárias para intervenções estratégicas.
Para Adriana Prazeres Paixão, autora da tese, o impacto do estudo vai além do meio acadêmico. “Essa pesquisa nasce da escuta e da realidade do campo. O plano estratégico foi pensado para ser executável, considerando as dificuldades dos produtores e a necessidade de fortalecer o serviço veterinário, com foco na saúde animal, na saúde humana e no desenvolvimento do Maranhão”, destaca.
O apoio da FAPEMA foi importante para a qualidade e o alcance da pesquisa, viabilizando intercâmbios interinstitucionais, participação em eventos científicos, publicações, aquisição de equipamentos e insumos, além do fortalecimento da pós-graduação. O reconhecimento por meio do prêmio confirma a importância de pesquisas com impacto social, econômico, sustentável e inovador, capazes de dialogar com demandas locais e projeções nacionais e globais.






