Revista Inovação FAPEMA

ESTUDO REVELA PAPEL PEDAGÓGICO DAS REDES SOCIAIS NA DEMOCRATIZAÇÃO DO ACESSO A DIREITOS

Tendo como fonte a Defensoria Pública do Estado do Maranhão, a pesquisa utiliza argumentação pedagógica na internet para democratizar o conhecimento jurídico

A pesquisa foi apresentada em diversos eventos acadêmicos

Ozeias Evangelista

Mestrando em Letras pelo Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e graduado em Letras Português e Espanhol pela mesma instituição. Integra os grupos de pesquisa PROTEXTO (UNILAB/CNPq) e GEPOT (UFMA/CNPq), com atuação em pesquisa, ensino e extensão, além de experiência como bolsista PIBIC e FAPEMA. 

VENCEDOR DO PRÊMIO FAPEMA 2025

Categoria: Jovem Cientista

Área de conhecimento: Linguística, Letras e Artes

Título: Intertextualidade e argumentação pedagógica na didatização de assuntos jurídicos em postagens da Defensoria Pública do Estado do Maranhão

Orientadora: Maria das Graças dos Santos Faria

A circulação de informações jurídicas nas redes sociais tem se consolidado como uma das principais formas de aproximação entre instituições públicas e a sociedade. No Maranhão, a atuação digital da Defensoria Pública do Estado destaca-se pelo uso de uma linguagem didática e próxima do cotidiano, capaz de traduzir temas complexos do direito para públicos diversos. É nesse contexto que se insere a pesquisa “Intertextualidade e argumentação pedagógica na didatização de assuntos jurídicos em postagens da Defensoria Pública do Estado do Maranhão”, desenvolvida pelo pesquisador da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Ozeias Evangelista de Oliveira Júnior.

A pesquisa investiga como a linguagem é mobilizada em ambientes digitais institucionais, com foco nas postagens da Defensoria Pública do Maranhão, no Instagram. O estudo parte do pressuposto de que as redes sociais não funcionam apenas como canais de divulgação, mas como espaços de ensino e mediação de saberes, nos quais a comunicação pública assume um papel pedagógico fundamental.

“Ao longo da minha pesquisa, busquei compreender como a linguagem circula nos ambientes digitais e, especialmente, como instituições públicas se valem desses espaços para transmitir saberes complexos de maneira acessível”, revela Ozeias Evangelista.

Ancorado nos aportes teóricos da Linguística Textual e da Teoria da Argumentação no Discurso, o trabalho analisa como textos digitais de caráter institucional constroem percursos de compreensão voltados ao público leigo. O pesquisador observa que as postagens não se limitam à transmissão de informações jurídicas, mas organizam o conteúdo de modo a conduzir o leitor à reflexão, reconhecendo-o como um sujeito ativo no processo de aprendizagem.

Um dos principais focos da investigação está na intertextualidade, entendida como o diálogo entre diferentes textos e referências culturais. A pesquisa mostra que a instituição pública recorre a elementos amplamente conhecidos do repertório social, como novelas, cenas televisivas e conteúdos virais, para aproximar conceitos jurídicos do cotidiano das pessoas. Esses recursos funcionam como pontes interpretativas, facilitando a compreensão de temas como violência contra pessoas idosas, pensão alimentícia e direitos e deveres legais.

Ao analisar esses processos, o estudo evidencia como a intertextualidade reforça a orientação argumentativa pedagógica das postagens, ampliando o alcance social das informações e contribuindo para a democratização do saber jurídico. A investigação demonstra que tais estratégias textuais tornam a comunicação institucional mais transparente, acessível e alinhada às demandas contemporâneas de cidadania digital.

Postagens do instagram da Defensoria Pública do Estado do Maranhão utilizadas como exemplos para a pesquisa.

Além de contribuir para a compreensão dos gêneros digitais e das práticas discursivas institucionais, o trabalho também dialoga com a formulação de políticas de comunicação pública. Ao explicitar como a linguagem pode ser usada de forma estratégica para ensinar e orientar, é reforçado o papel da Linguística na análise e no aprimoramento das relações entre linguagem, tecnologia e participação social.

O pesquisador, que teve a orientação da professora Maria das Graças dos Santos Faria, enfatiza que o sucesso do trabalho desenvolvido está diretamente associado ao apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (FAPEMA), especialmente no reconhecimento da Linguística como área autônoma nos editais de fomento. Esse fortalecimento institucional tem ampliado a visibilidade das pesquisas em linguagem no estado e garantido condições mais adequadas para o desenvolvimento científico na área. “A premiação evidencia o compromisso da FAPEMA em legitimar e impulsionar pesquisas que tomam a linguagem como objeto central de reflexão, garantindo espaço, visibilidade e condições reais de desenvolvimento científico”, enfatizou Ozeias Evangelista.

Ozeias Evangelista venceu o Prêmio FAPEMA 2025 na categoria Jovem Cientista

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