Revista Inovação FAPEMA

DUAS DÉCADAS DE CIÊNCIA NO MARANHÃO: PESQUISADORA SE DEDICA AO MONITORAMENTO E COMBATE ÀS ARBOVIROSES NO ESTADO

Valéria Cristina Soares Pinheiro celebra sua trajetória como pesquisadora à frente do Laboratório de Entomologia Médica da Uema/Caxias

Armadilha CDC instalada na floresta para monitorar e capturar mosquitos e flebotomíneos

Valéria Pinheiro

Possui graduação em Ciências Biológicas pela Universidade Estadual do Maranhão (1993), mestrado e doutorado em Ciências Biológicas (Entomologia) pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia. Professora Associado I da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), Docente Permanente nos Programa de Pós-graduação Biodiversidade, Ambiente e Saúde da UEMA e no Programa de Doutorado da Rede de Biodiversidade e Biotecnologia da Amazônia Legal BIONORTE. 

VENCEDORA DO PRÊMIO FAPEMA 2025

Categoria: Pesquisador (a) Destaque Fapema 20 anos

Área de conhecimento: Ciências Biológicas

Título: Dossiê de Valéria Cristina Soares Pinheiro apresentado ao Prêmio FAPEMA 2025 na categoria Pesquisadora Destaque FAPEMA 20 anos

 

No início dos anos 2000, o cenário da pesquisa em entomologia no Maranhão enfrentava o desafio da infraestrutura limitada frente a um estado endêmico para diversas doenças tropicais. Foi nesse contexto que a pesquisadora Valéria Cristina Soares Pinheiro iniciou uma jornada que, em 2025, completa duas décadas de contribuições ininterruptas à saúde pública. Sua trajetória é um exemplo da força da mulher na ciência brasileira e da importância vital do fomento regional para a fixação de doutores e a produção de conhecimento aplicado.

O foco de Valéria Cristina Soares Pinheiro reside no elo mais crítico da transmissão de doenças: os vetores. Suas pesquisas investigam a biologia e a epidemiologia molecular de mosquitos transmissores de arboviroses (como Dengue, Zika e Chikungunya) e flebotomíneos, responsáveis pelas leishmanioses.

“São doenças negligenciadas e endêmicas no estado e nossas pesquisas colaboram com o entendimento da transmissão, elaboração de medidas para melhorar o controle e a prevenção”, destaca.

No Maranhão, os registros anuais de dengue, Zika e chikungunya seguem elevados, sobretudo durante o período chuvoso. A circulação simultânea de diferentes arbovírus, aliada à semelhança dos sintomas clínicos, dificulta o diagnóstico precoce e reforça a necessidade de métodos laboratoriais específicos, como os propostos pelos estudos conduzidos pela pesquisadora.

“A circulação simultânea de diferentes arbovírus tem gerado casos de coinfecção e as similaridades dos sintomas dificultam o diagnóstico precoce e preciso da infecção, de modo que a realização de testes específicos é necessária. Além disso, no Maranhão, a existência de poucos laboratórios de referência e a escassez de profissionais especializados para realização destes testes, retardam a adoção de métodos adequados de tratamento ao paciente”, analisa a bióloga.

Dos diversos projetos desenvolvidos com fomento da FAPEMA a pesquisadora destaca os quatro aprovados via PPSUS (Programa de Pesquisa para o SUS), que focam em linhas prioritárias da saúde pública estadual.

“Em projetos anteriores desenvolvidas pelo grupo de pesquisa do Laboratório de Entomologia, foram detectados três sorotipos virais da dengue (DENV-1, DENV-2 e DENV-3) e uma coinfecção entre DENV-1 e CHIKV em amostras humanas do município de Caxias. O sorotipo 1 também foi identificado como causador da dengue em Codó, São Mateus e Peritoró, no Maranhão”, alerta Valéria Cristina Soares Pinheiro.

Pesquisadora trabalha na identificação dos mosquitos no microscópio

Pesquisa e capacitação

“Os editais da FAPEMA foram fundamentais desde 2005, quando comecei minha carreira de pesquisadora, permitindo a aquisição de equipamentos e insumos para montar o Laboratório de Entomologia Médica no campus de Caxias da Universidade Estadual do Maranhão (Uema), por meio do qual pude realizar as pesquisas e fazer a orientação dos alunos de iniciação científica e pós-graduação”, recorda a pesquisadora.

O apoio contínuo da Fundação permitiu a formação de recursos humanos. Sob a orientação de Valéria Cristina Soares Pinheiro, alunos de iniciação científica e pós-graduação foram capacitados, criando um efeito multiplicador de conhecimento no Maranhão.

Valéria Pinheiro ganhou o Prêmio DESTAQUE FAPEMA 20 ANOS

Legado da mulher na ciência

Ao celebrar 20 anos de carreira, Valéria Cristina Soares Pinheiro reafirma o papel feminino no comando de laboratórios de pesquisa. O trabalho desenvolvido pela pesquisadora contribuiu para a redução da vulnerabilidade da população maranhense em relação às arboviroses.

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