Revista Inovação FAPEMA

ESTUDO IDENTIFICA BIOMARCADORES SALIVARES CAPAZES DE IDENTIFICAR ALTERAÇÕES INFLAMATÓRIAS E DOENÇAS BUCAIS ASSOCIADAS À ACROMEGALIA

A pesquisa maranhense pode ajudar no monitoramento clínico de pessoas com afetadas pela doença que provoca o crescimento anormal das extremidades do corpo

Vandilson Rodrigues

Doutor e Mestre pelo PPGO-UFMA. Especialista em Ortodontia e em Estatística pela Universidade Estadual do Maranhão. Pós-graduado em Residência Multiprofissional em Saúde pelo Hospital Universitário da Universidade Federal do Maranhão. Graduação em Odontologia pela Universidade Federal do Maranhão. Visiting Scholar na School of Dentistry and Oral Health, Griffith University, Gold Coast, Austrália.

Os doutorandos do PPGO-UFMA, Luís Souza, Jessilene Rocha e Mila Assunção e o coordenador da pesquisa, Vandilson Rodrigues

O monitoramento clínico de pessoas com acromegalia, tumor benigno que causa o crescimento o anormal de partes do corpo humano e alterações metabólicas, pode ganhar mais um aliado. A utilização de biomarcadores salivares para identificação de alterações inflamatórias e doenças bucais que são associadas a acromegalia, estão sendo investigados por pesquisadores do Programa de Pós-Graduação em Odontologia da UFMA.

Coordenado pelo professor da Instituição, Vandilson Pinheiro Rodrigues, o estudo investigou como as alterações presentes na saliva, que são biomarcadores, refletem processos inflamatórios relacionados à doença e identificou moléculas promissoras para auxiliar no monitoramento clínico dos pacientes.

O método mais comum utilizado por cirurgiões dentistas para identificação de casos suspeitos de acromegalia é o exame clínico e a avaliação de radiografias para detectar e mudanças físicas na face, na arcada dentária e nos tecidos moles. Os sintomas costumam surgir lentamente, e por isso o diagnóstico frequentemente ocorre apenas muitos anos após o início da doença, o que dificulta o tratamento médico precoce.

 

Pensando em alternativas que tornem o acompanhamento odontológico desses pacientes mais simples e confortáveis, os pesquisadores voltaram a atenção para a saliva. Além de ser coletada de forma rápida, indolor e de baixo custo, ela contém diversas substâncias capazes de revelar indícios sobre o estado de saúde bucal e geral do organismo.

O estudo identificou diferenças na produção de saliva, além das alterações inflamatórias

“Uma simples amostra de saliva poderá, no futuro próximo, contribuir para o acompanhamento da situação de saúde de pessoas com acromegalia, uma doença endócrina rara, crônica e de evolução insidiosa, caracterizada pela hipersecreção de hormônio do crescimento (GH) e do seu principal mediador, o fator de crescimento semelhante à insulina tipo 1 (IGF-1)”, explicou o pesquisador Vandilson Rodrigues.

O estudo conta com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (FAPEMA), por meio do Edital Universal.

Um dos resultados da pesquisa foi a elaboração de um guia com orientações sobre pacientes com acromegalia

Diferentes órgãos do corpo podem ser afetados pela acromegalia, que é uma doença rara e crônica, e provoca também complicações cardiovasculares, metabólicas e respiratórias. Os casos de alterações físicas mais comuns são o aumento das mãos, pés e mandíbula.

 

Estudos foram realizados com pacientes do Hospital Universitário da UFMA

Foram avaliados, na pesquisa, pacientes com acromegalia acompanhados no Hospital Universitário da UFMA e indivíduos sem a doença. Os pesquisadores analisaram o fluxo salivar e a concentração de diferentes citocinas, proteínas responsáveis por regular as respostas inflamatórias do organismo. “Os resultados mostraram que pacientes com acromegalia apresentam níveis significativamente mais elevados de importantes marcadores inflamatórios na saliva, entre eles IL-6, IL-17A, TGF-α e TNF-α. Também foram observados aumentos em citocinas com ação reguladora da inflamação, como IL-4 e IL-10, indicando que o organismo tenta compensar o estado inflamatório provocado pela doença”, explicou o pesquisador Vandilson Rodrigues.

Outro achado importante foi que algumas dessas moléculas apresentaram boa capacidade para distinguir pacientes com acromegalia dos indivíduos saudáveis. A interleucina IL-10, por exemplo, alcançou elevado desempenho estatístico, sugerindo potencial para integrar futuros exames complementares de acompanhamento da doença.

O estudo identificou diferenças na produção de saliva, além das alterações inflamatórias

Além das alterações inflamatórias, o estudo identificou diferenças na produção de saliva. Os pacientes com acromegalia apresentaram maior fluxo salivar não estimulado em comparação ao grupo controle, indicando que a doença também pode provocar alterações no funcionamento das glândulas salivares.

Para o professor Vandilson Rodrigues, os resultados ampliam o conhecimento sobre uma doença ainda pouco estudada sob a perspectiva da saúde bucal. “A saliva representa uma ferramenta extremamente promissora para a medicina e a odontologia por permitir uma coleta simples, não invasiva e de baixo custo. Nossos resultados sinalizam que ela pode refletir alterações inflamatórias importantes em pacientes com a condição, contribuindo para o desenvolvimento de estratégias mais acessíveis de monitoramento da doença.”

Novos estudos são necessários para confirmar o potencial da pesquisa

Segundo o pesquisador, embora os resultados sejam bastante promissores, ainda são necessários novos estudos com um número maior de participantes para confirmar o potencial desses biomarcadores antes que possam ser incorporados à prática clínica. “A pesquisa também reforça o papel estratégico do investimento em ciência realizado pela FAPEMA. O financiamento permitiu a execução de análises laboratoriais avançadas e a formação de recursos humanos qualificados na área de Odontologia e Ciências da Saúde, fortalecendo a produção científica desenvolvida no Maranhão”, complementou Vandilson Rodrigues.

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