Pesquisador investiga como a pressão arterial elevada em jovens altera as respostas do organismo ao esforço físico e alerta para riscos cardiovasculares precoces
Pedro Coêlho
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Mestrando em Educação Física pelo Programa de Pós-Graduação em Educação Física da Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Graduado em Educação Física (Licenciatura) pela Universidade Estadual do Maranhão (UEMA). Integrante do Grupo de Pesquisa em Fisiologia, Nutrição e Exercício (FiNEx/UEMA).
VENCEDOR DO PRÊMIO FAPEMA 2025
Categoria: Jovem Cientista
Área de conhecimento: Ciências da Saúde
Título: Avaliação da pressão arterial e aptidão cardiorrespiratória de crianças e adolescentes com e sem alterações preditivas a hipertensão
Orientador: Marcos Antônio do Nascimento
A hipertensão arterial, frequentemente associada à idade adulta, tem se tornado uma preocupação crescente nas fases iniciais da vida. Um novo estudo desenvolvido no Maranhão traz luz sobre as alterações em indivíduos que apresentam níveis elevados da pressão arterial, comparando suas respostas fisiológicas com as de grupos saudáveis. A pesquisa, que nasceu da curiosidade acadêmica e da necessidade de monitorar dados coletados em levantamentos anteriores, revela que os sinais de alerta para o coração podem surgir muito antes do esperado.
A pesquisa “Avaliação da pressão arterial e aptidão cardiorrespiratória de crianças e adolescentes com e sem alterações preditivas a hipertensão” foi desenvolvida por Pedro Gabriel Dias Coêlho.
O foco central do estudo foi entender a “ação aguda” do exercício. Para isso, os pesquisadores submeteram os participantes ao Teste de Caminhada/Corrida de 6 minutos. O objetivo era simples, mas os resultados reveladores: observar como a pressão arterial e o sistema nervoso se comportam durante e imediatamente após o esforço físico.
“Nossa pesquisa surgiu da necessidade de avaliar a resposta de indivíduos com pressão arterial elevada frente a um exercício de ação aguda. Ao compararmos esses indivíduos com um grupo controle (pessoas com pressão normal), monitoramos variáveis críticas de modulação autonômica e variabilidade da frequência cardíaca (VFC)”, explica.
Um dos achados mais significativos da pesquisa diz respeito à Modulação Autonômica. O sistema nervoso autônomo é responsável por controlar funções involuntárias, como os batimentos cardíacos. O estudo constatou que indivíduos com diagnóstico de hipertensão apresentam uma redução na VFC em comparação ao grupo controle.
“Quanto menor e mais comprometida for essa modulação autonômica, maior é a probabilidade de o indivíduo desenvolver eventos cardiovasculares graves no futuro. Essa rigidez nas respostas do coração funciona como um marcador precoce de risco”, alerta o pesquisador que atualmente é mestrando em Educação Física.
Hipertensão na infância e adolescência
A pesquisa, orientada pelo professor Marcos Antônio do Nascimento, faz um alerta contundente sobre a hipertensão precoce. Ao contrário dos adultos, onde a rigidez arterial já é um fator fisiológico estabelecido, em crianças e adolescentes a condição pode ser o sintoma de algo mais profundo. Como a hipertensão é uma doença sistêmica, ela afeta múltiplos órgãos.
“Desenvolvê-la na infância significa maior tempo de exposição, elevando drasticamente as chances de lesões nos rins (incluindo insuficiência renal) e no coração”, pontua.
Já em jovens, a hipertensão pode ser secundária, ou seja, causada por alterações hormonais.
“A identificação precoce permite tratar a causa base e, em muitos casos, reverter o quadro antes que ele se torne crônico”, conclui Pedro Gabriel Dias Coêlho.


Importância da prevenção
Embora a genética (fator não modificável) desempenhe um papel, o pesquisador enfatiza que o controle da hipertensão reside em mudanças de hábitos. “A parte alimentar e a parte de sono em relação à atividade física desses indivíduos são dois dos principais fatores que temos que controlar para amenizar as chances dessa criança ou adolescente desenvolver hipertensão futura”, informa.






