Um dos principais resultados foi que o consumo de refrigerantes durante a gestação apareceu como o principal indicador para o consumo precoce de açúcar pelas crianças
Luiza Queiroz
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Possui graduação em Odontologia pela Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS). Atuou como dentista contratada no projeto BRISA-UFMA (Brazilian Ribeirão Preto and São Luís Birth Cohort Studies). Mestre em Odontologia no Programa de Pós Graduação em Odontologia pela Universidade Federal do Maranhão (PPGO-UFMA). Atualmente é estudante de doutorado no Programa de Pós Graduação em Odontologia pela Universidade Federal do Maranhão (PPGO-UFMA)
VENCEDORA DO PRÊMIO FAPEMA 2025
Categoria: Dissertação de Mestrado
Área de conhecimento: Ciências da Saúde
Título: Os primeiros 1000 dias de vida da criança: desenvolvimento de algoritmo de predição para risco de cárie e elaboração de uma Biblioteca Digital de Saúde para apoio das atividades dos Agentes Comunitários de Saúde
Orientadora: Ana Emília Figueiredo de Oliveira
Coorientadora: Cecília Cláudia Costa Ribeiro de Almeida
Antes mesmo de aprender a falar, uma criança já carrega em sua história marcas decisivas para a saúde ao longo da vida. É a partir dessa compreensão, de que os primeiros mil dias são determinantes, que nasce a pesquisa que colocou o Maranhão em destaque nacional. A dissertação “Os primeiros 1000 dias de vida da criança: desenvolvimento de algoritmo de predição para risco de cárie e elaboração de uma Biblioteca Digital de Saúde para apoio das atividades dos Agentes Comunitários de Saúde”, foi desenvolvido pela professora Luiza de Jesus Queiroz.
Vinculada à Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e orientada pela professora Ana Emília Figueiredo de Oliveira, e coorientada pela professora Cecília Cláudia Costa Ribeiro de Almeida, a pesquisa alia ciência, tecnologia e compromisso social, trazendo contribuições concretas para a saúde pública.
A investigação parte de uma base sólida: a coorte populacional (estudo epidemiológico que acompanha um grupo específico de pessoas ao longo do tempo) e a Coorte BRISA (Brazilian Ribeirão Preto and São Luís Birth Cohort Studies – estudo brasileiro de grande relevância que acompanha nascimentos em Ribeirão Preto (SP) e São Luís.
Os estudos permitiram identificar fatores de risco específicos da realidade maranhense. A partir de dados coletados ainda no pré-natal e no nascimento, Luiza Queiroz desenvolveu modelos preditivos com algoritmos de Inteligência Artificial, capazes de estimar o risco futuro de cárie dentária e o consumo precoce de açúcar em crianças aos dois anos de idade.
Os resultados revelam achados relevantes. Entre eles, o consumo de refrigerantes durante a gestação apareceu como o principal preditor para o consumo precoce de açúcar pelas crianças, aumentando significativamente o risco de cárie e de outras doenças crônicas não transmissíveis.
Aspectos socioeconômicos também exerceram forte influência, como o maior número de pessoas no domicílio e a percepção materna de alterações gengivais durante a gravidez. Esses fatores evidenciam o papel central da mãe na saúde bucal infantil e reforçam a importância do pré-natal odontológico como estratégia de prevenção desde cedo.
Além do avanço científico, a pesquisa se destaca pelo impacto prático. O segundo capítulo da dissertação resultou na criação de uma Biblioteca Digital de Saúde, com materiais didáticos sobre os primeiros mil dias de vida, desenvolvidos para apoiar o trabalho dos Agentes Comunitários de Saúde durante as visitas domiciliares às gestantes. Trata-se de uma ferramenta inovadora, acessível e alinhada à realidade do território, fortalecendo a promoção da saúde em contextos de vulnerabilidade social.
Ao integrar tecnologia de ponta, como a Inteligência Artificial, com ações educativas e preventivas no território, o trabalho contribui diretamente para o fortalecimento das políticas públicas de saúde no Maranhão. A pesquisa amplia o olhar sobre a prevenção da cárie, indo além do consultório e alcançando o cotidiano das famílias, com potencial de reduzir desigualdades e melhorar a qualidade de vida das futuras gerações.
Para Luiza de Jesus Queiroz, o reconhecimento também carrega um significado coletivo. A FAPEMA foi uma parceira fundamental ao financiar a pesquisa e possibilitar a dedicação integral aos estudos. “O prêmio é uma oportunidade de prestigiar pesquisadores que se dedicam a desenvolver pesquisas relevantes e aplicáveis para a sociedade”, destaca.






