Revista Inovação FAPEMA

VOZES DO MARANHÃO: MATERIAIS DIDÁTICOS E TECNOLÓGICOS EM PROL DA PRESERVAÇÃO DA TOPONÍMIA REGIONAL

Projeto da UEMA em Balsas une linguística, tecnologia e história para fortalecer a identidade regional e produzir materiais didáticos inovadores com o apoio da FAPEMA

Integrantes da pesquisa discutem ações inovadores resultantes do projeto

Maria Célia Dias de Castro

Graduou-se na Universidade Estadual do Maranhão UEMA/Campus Balsas, em Letras. Mestrado em Letras e Linguística pela Universidade Federal de Goiás – UFG. Doutorado em Letras e Linguística pela UFG, Goiânia-GO. Participou de Estágio ”Doutorado Sanduíche” (PDDE – CAPES), na Universidade de Lisboa, Portugal, em 2010. Pós-Doutoramento em 2015, na Universidade Nacional de Brasília UnB, em Ecolinguística. Pós-Doutoramento na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul.

O que define a identidade de um povo? Para um grupo de pesquisadores da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), a resposta pode estar vinculada aos nomes das ruas, praças e povoados. O projeto “Vozes do Maranhão: Materiais Didáticos e Tecnológicos para a Preservação da Toponímia Regional” propõe uma jornada interdisciplinar entre a linguística, a história e a saúde pública.

Sob a coordenação da Profa. Dra. Maria Célia Dias de Castro (UEMA – Campus Balsas), que trabalha há anos com o tema, a iniciativa une rigor acadêmico e inovação tecnológica para transformar o estudo do léxico em ferramentas práticas de cidadania, visto que a toponímia é o estudo da origem e dos significados dos nomes próprios de lugares.

A pesquisa se fundamenta na premissa de que o nome de um lugar é um documento histórico vivo. Segundo a professora Maria Célia, a investigação vai além da nomenclatura. “O projeto fundamenta-se na compreensão de que pesquisar a toponímia maranhense é investigar a própria identidade e a memória linguística e cultural de nosso estado, ao analisar a origem e o significado histórico e social dos nomes de lugares em municípios como Balsas, Alto Parnaíba, Tasso Fragoso, Riachão e Feira Nova do Maranhão, articulando linguagem, território e cultura em uma perspectiva interdisciplinar”, avalia. 

De acordo com ela, “a nomeação dos lugares, entendida como prática humana ancestral e necessidade comunicativa fundamental, revela modos de perceber o mundo, registra marcas da história, da religiosidade, dos costumes e dos aspectos geofísicos, constituindo-se como indício da relação entre linguagem e realidade e como expressão singular de nossa maranhensidade”. 

Para consolidar esse conhecimento, o projeto aposta na formação de recursos humanos e na produção de materiais didáticos que aproximam o campo acadêmico da comunidade escolar. “O projeto contribui significativamente para os estudos linguístico-onomásticos do léxico, amplia a produção científica na área da Linguística, promove a formação de recursos humanos qualificados e fomenta a disseminação do conhecimento por meio de minicursos, workshops, seminários, simpósios e publicações acadêmicas”, destaca a pesquisadora.

Pesquisa gera inovação

Com o pensamento de que a pesquisa não se encerra nas bibliotecas; ela utiliza a tecnologia para diagnosticar realidades e educar as novas gerações, estão sendo trabalhados produtos inovadores que serão gerados pelo projeto, previsto para ser concluído em 2027. Entre eles, destacam-se:

  • Série de podcasts: “Maranhão em Palavras: Topônimos e Memórias de Balsas”.
  • Audiovisual: Videodocumentário e mapas interativos “Patrimônio e Turismo: Roteiros Baseados em Topônimos de Riachão e Feira Nova do Maranhão”.
  • Publicações: Cartilha “Análise Sócio-onomástica dos Topônimos de Alto Parnaíba e Tasso Fragoso” e o e-book guia “Documentação e Revitalização de Topônimos Indígenas e Tradicionais”.

Com metas que incluem ainda a formação de mestres, a orientação de bolsistas PIBIC e a publicação em periódicos internacionais, o “Vozes do Maranhão” reafirma o compromisso da ciência maranhense com o desenvolvimento sustentável e a preservação do patrimônio imaterial do estado.

Maranhão 2050

O projeto Vozes do Maranhão está inserido no eixo: Educação, Identidade e Cultura Transformadoras e Estruturantes, do Plano Maranhão 2050. A iniciativa do governo do Maranhão tem como diferencial da chamada pública, que o pesquisador entregue um produto ou serviço com aplicação prática na sociedade. 

O objetivo é gerar impacto direto na vida da população por meio de propostas ligadas também aos eixos de Economia Próspera e Inclusiva, Meio Ambiente Valorizado e Resiliente,  Sociedade Saudável, Segura e Justa e Governança Efetiva, Conectada e Inovadora.

Maria Célia Dias Castro, coordenadora da pesquisa

A viabilização de um projeto desta magnitude, que integra análise linguística e ferramentas pedagógicas só é possível graças ao suporte institucional. Ao viabilizar iniciativas dessa natureza, a FAPEMA exerce papel fundamental no fomento à pesquisa e na consolidação de políticas públicas voltadas à ciência, à tecnologia e à valorização da cultura maranhense, assegurando que projetos de relevância acadêmica e social alcancem a comunidade e contribuam para o fortalecimento da identidade regional sul maranhense”, afirmou Maria Célia Dias de Castro.

 

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