Selecionado no MaraInTech, o projeto ErgoScan Marketplace aposta em análise por imagem e curadoria personalizada focada na saúde ocupacional
Úrsula Di Rocha

Graduada em Administração pela Universidade Metodista e em Direito pela Faculdade Integrada de Ensino Superior de Colinas (2005). Tem pós-graduação em Direito Tributário pela Universidade da Amazônia (Unama) e em Direito Penal e Processo Penal pela Universidade Gama Filho (UGF).

Transformar a indústria moveleira com o uso de inteligência artificial nos processos de produção e comercialização. Este é o viés do projeto “Plataforma Inteligente de recomendação e comercialização de cadeiras ergonômicas”, idealizado por Úrsula Emanuella Bezerra Jorge Di Rocha, que aposta em tecnologia de análise por imagem e coleta de dados para oferecer recomendações mais precisas aos consumidores, na hora de adquirir um móvel.

A iniciativa, que está em desenvolvimento, combina inovação e saúde ocupacional, utilizando recursos digitais para avaliar perfis e indicar modelos adequados às necessidades individuais. Além de otimizar a experiência de compra, a solução também soma para tomada de decisões mais assertivas por parte das revendas do setor mobiliário, bem como dos consumidores finais que se preocupam com a longevidade saudável de seus colaboradores.
A proposta une curadoria personalizada e tecnologia de ponta para ampliar o acesso a produtos ergonômicos.
Com foco no bem-estar no ambiente de trabalho e adequação às NR 17 e NR 1, a plataforma surge como aliada na prevenção de problemas posturais. O projeto pretende contribuir para avanços no Maranhão com o desenvolvimento de soluções inteligentes aplicadas à indústria e ao comércio moveleiro.

Selecionado no edital do Programa Maranhense de Apoio à Inovação Tecnológica-MaraInTech, desenvolvido pela Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (FAPEMA) , o projeto está em desenvolvimento e pode se consolidar como iniciativa de grande impacto no setor produtivo local.
O ErgoScan Marketplace propõe integrar, em uma única plataforma digital, um marketplace de cadeiras ergonômicas e um avançado sistema de recomendação baseado em inteligência artificial. “O diferencial está na análise antropométrica e contextual do usuário, a partir de imagens e dados inseridos, permitindo uma curadoria personalizada com foco em ergonomia, conforto e adequação ao ambiente profissional”, aponta a empreendedora Úrsula Jorge Di Rocha, que também é diretora de uma indústria e duas lojas de móveis corporativos em Imperatriz e Balsas, conferindo seu conhecimento e experiência neste mercado.
A tecnologia funciona por meio da análise de uma foto do usuário em pé, combinada a informações como altura, peso e sexo. A partir desses dados, algoritmos de visão computacional identificam padrões físicos e posturais. Em seguida, a plataforma cruza essas informações com a imagem do ambiente de trabalho, o setor e a atividade exercida, bem como a questão crucial: quantidade de horas que o consumidor passa sentado, trabalhando. Tais respostas geram uma lista ranqueada de cadeiras recomendadas dentre marcas e fabricantes parceiros.
“É possível desenvolver tecnologia de ponta no Maranhão, com impacto nacional e foco no bem-estar do trabalhador”, Úrsula Jorge Di Rocha, empreendedora.
O suporte do MaraInTech está permitindo transformar a pesquisa aplicada em soluções concretas. Neste caso do mercado de móveis será possível ter um impacto direto na saúde do trabalhador e na economia local. A empreendedora enfatiza que “o apoio contribui para o desenvolvimento do sistema de inteligência artificial, na validação técnica e para a consolidação de parcerias estratégicas com fornecedores do setor moveleiro”.
Avanços futuros
Inspirado em referências clássicas da ergonomia, como o livro Dimensionamento Humano para Espaços Interiores, de Julius Panero e Martin Zelnik, o projeto alia fundamentos científicos à inteligência artificial. O objetivo é desenvolver e lançar uma plataforma web responsiva, com cadastro de fornecedores, integração logística e sistema de recomendação automatizado, em conformidade com normas como a ABNT NBR 13962 e a NBR 9050.
Com equipe formada por especialistas em engenharia de software, UX design, ergonomia e ciência de dados, o ErgoScan nasce com arquitetura modular e escalável. Além do potencial comercial, a iniciativa posiciona o Maranhão como polo emergente de inovação aplicada à ergonomia.
Viabilidade comercial
O Brasil possui cerca de 23 milhões de empresas que compõem este mercado, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Dados da Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário apontam que, em 2023, o setor moveleiro movimentou mais de R$ 77 bilhões, sendo aproximadamente 18% referentes à produção de cadeiras. O segmento de cadeiras ergonômicas para escritórios e ambientes profissionais já ultrapassa R$ 4,5 bilhões anuais.
O mercado disponível imediato da plataforma concentra-se nas 1,7 milhão de empresas prestadoras de serviços no país. No estado, mais de 230 mil micro e pequenas empresas registradas, segundo o Sebrae Maranhão, representam um público estratégico, especialmente em consultórios, escritórios, escolas técnicas e coworkings. A estimativa do projeto é alcançar, inicialmente, pelo menos 8,5 mil empresas, o que representa 0,5% do mercado nacional de serviços.
A proposta também dialoga com o crescimento do comércio eletrônico no país, que superou R$ 185 bilhões em 2023, segundo a Neotrust. Ao oferecer recomendação personalizada baseada em dados científicos, o ErgoScan se diferencia dos grandes varejistas generalistas e inaugura uma nova categoria de consumo orientada por parâmetros fisiológicos reais.
Paralelamente, o projeto responde a um problema crítico de saúde pública – a alta incidência de dores lombares, lesões por esforço repetitivo e afastamentos decorrentes de mobiliário inadequado. A Norma Regulamentadora NR-17 determina que os postos de trabalho devem ser adaptados às características psicofisiológicas dos trabalhadores. “Porém, muitas empresas não dispõem de ferramentas acessíveis para cumprir essa exigência de forma técnica e personalizada”, observa Úrsula Jorge Di Rocha.
SETOR DE MÓVEIS
23 Milhões de empresas moveleiras no Brasil
230 Mil micro e pequenas empresas do setor, no Maranhão
77 Bilhões movimentados pelo segmento, em 2023
Fonte: IBGE e Sebrae





