A professora e pesquisadora consolidou uma trajetória marcada por pesquisa interdisciplinar, formação de pesquisadores e fortalecimento da cultura e do patrimônio do Maranhão
Márcia Manir

Professora Titular do Curso de Letras da Universidade Federal do Maranhão. Graduada em Letras pela Universidade Estadual de Campinas, com Mestrado em Letras (Literatura Portuguesa) pela Universidade de São Paulo e Doutorado em Letras (Literatura Portuguesa) pela Universidade de São Paulo. Pós-Doutorado com bolsa CAPES, pelo Programa Ciência sem Fronteiras, em Estudos Comparatistas na Universidade de Lisboa.
VENCEDORA DO PRÊMIO FAPEMA 2025
Categoria: Pesquisadora Sênior
Área de conhecimento: Linguística, Letras e Artes
Título: Caminhos trilhados nos estudos de literatura: trajetória acadêmica e científica
Primeira professora titular do Departamento de Letras da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Márcia Manir Miguel Feitosa construiu uma trajetória acadêmica sólida, reconhecida nacional e internacionalmente. A partir da articulação entre literatura, espaço, memória e identidade cultural ela consolidou seu legado na pesquisa interdisciplinar, na formação de pesquisadores e no reconhecimento da cultura e do patrimônio maranhense.
Graduada em Letras e Bacharel em Linguística pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Márcia Manir possui mestrado e doutorado em Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP). Sua formação acadêmica foi ampliada com estágio pós-doutoral na Universidade de Lisboa, no Centro de Estudos Comparatistas, realizado com bolsa da CAPES, pelo programa Ciência sem Fronteiras. “Foi uma experiência decisiva para amadurecer meu olhar comparatista e interdisciplinar”, relembra a professora.
O pós-doutorado resultou no livro ‘A representação do espaço e do poder em Mário de Carvalho: uma apologia da subversão’, obra que se tornou referência nos estudos sobre literatura portuguesa contemporânea. A pesquisa dialoga com conceitos como paisagem, lugar e geograficidade, e abriu caminho para novos projetos financiados por agências como Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (FAPEMA).
Desde março de 2022, Márcia Manir é bolsista de produtividade do CNPq, nível 1D, com o projeto ‘Laços da geograficidade na Novíssima Literatura Portuguesa Contemporânea’. O foco deste trabalho é investigar a literatura do século XXI a partir do cosmopolitismo, da alteridade e da desnacionalização, compreendendo o espaço como categoria central da experiência humana.
Contribuição acadêmica
Um dos principais impactos de sua atuação científica no Maranhão é a coordenação geral do Programa de Cooperação Acadêmica da Amazônia Legal (Procad-AM), função que exerceu de 2018 a 2025. O programa envolve a UFMA, a Universidade Estadual do Maranhão (UEMA) e a Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), fortalecendo a formação de mestres, ampliando redes de pesquisa e gerando produção científica vinculada às realidades regionais. Entre os resultados, está o livro ‘Maranhão entre cenários e desafios: memória, patrimônio e cultura’, viabilizado pela CAPES.
Desde 2016, lidera o Grupo de Estudos de Paisagem em Literatura (GEPLIT), cadastrado no CNPq, que reúne estudantes de graduação, pós-graduação e pesquisadores. “Este projeto possibilita um diálogo efetivo entre ciência e arte, geografia e literatura, contribuindo para uma formação crítica e interdisciplinar”, destaca. O grupo é responsável por livros de referência sobre o escritor maranhense Josué Montello e por um e-book didático que também atende ao Ensino Médio.

A produção científica recente de Márcia Manir inclui artigos publicados em periódicos Qualis A1, A2 e A3, além de capítulos de livros e obras organizadas em parceria com pesquisadores brasileiros e estrangeiros. Textos como “Literatura e Geografia: aproximação entre arte e ciência” tornaram-se referência, especialmente no campo da Geografia Humanista Cultural.
Sua atuação também alcança o campo das práticas educacionais, com pesquisas voltadas às metodologias ativas e ao uso de tecnologias digitais no ensino de literatura. “Pensar o ensino da literatura hoje exige dialogar com as tecnologias e com a realidade dos estudantes”, afirma. Nesse contexto, coorientou uma tese defendida na Universidade do Minho, em Portugal, cujos resultados tiveram repercussões diretas no ensino médio do Instituto Federal do Maranhão (IFMA).
Produções e orientações
Ao longo da carreira, Márcia orientou dezenas de dissertações, com teses em andamento, muitas premiadas ou transformadas em livros e artigos científicos. Os trabalhos orientados abordam temas como memória, testemunho, exílio, patrimônio urbano e literatura maranhense e portuguesa, ampliando a visibilidade do Maranhão no cenário acadêmico nacional.
Reconhecida por sua contribuição ao desenvolvimento cultural e educacional do estado, a professora recebeu distinções como as Palmas Universitárias da UFMA, a Medalha do Mérito Literário Graça Aranha e a Medalha do Bicentenário de Gonçalves Dias.





