Projeto une tecnologia 3D e ergonomia para garantir segurança e humanização no tratamento de pacientes com dificuldade de colaboração
Eduardo Ferreira
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Acadêmico de Odontologia pela Universidade Ceuma, São Luís (MA). Foi aluno de Iniciação Científica do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC) ciclo 2022, ciclo 2023, e PIBITI ciclo 2024 (atual – em andamento).
Vencedor do Prêmio FAPEMA 2025
Categoria: Popvídeo Ciências
Área de conhecimento: Saúde
Título: ABREBOCA – Abridor de boca para pessoas com deficiência
Coordenadora: Cyrene Piazera Silva Costa
O atendimento odontológico de pacientes com deficiência ou com comportamentos que dificultam a cooperação clínica apresenta um desafio para os profissionais: a manutenção da abertura bucal. Frequentemente, a falta de ferramentas adequadas leva a improvisações que comprometem a biossegurança e aumentam o estresse de todas as partes envolvidas. Para solucionar essa lacuna, o acadêmico de odontologia Eduardo Coelho Ferreira desenvolveu o ABREBOCA, um dispositivo que surgiu a partir da observação prática e da escuta ativa entre profissionais e cuidadores.
Até então, a dificuldade em manter a boca aberta de forma segura resultava em procedimentos prolongados e, em casos críticos, na suspensão do atendimento. O ABREBOCA foi projetado para romper esse ciclo e a pesquisa foi coordenada pela professora Ádila Danúbia Marvão Nascimento Serrão.
Atualmente, não há um dispositivo específico, confortável e que atenda às normas de biossegurança para abrir e manter a boca de pacientes com deficiência ou comportamento difícil, durante o atendimento odontológico. Por isso, além de transformar o atendimento nos consultórios, o ABREBOCA mostra-se como uma oportunidade de empreendedorismo na saúde.
Além do aprimoramento contínuo do design e da proteção intelectual da tecnologia, Eduardo Ferreira, busca estruturar a produção em larga escala. “O objetivo final é ambicioso e socialmente relevante: a incorporação do ABREBOCA no Sistema Único de Saúde (SUS)”, pontua.
Desenvolvido com tecnologia de impressão 3D e materiais biocompatíveis, o dispositivo foca em cinco pilares fundamentais: segurança e biossegurança, ergonomia, conforto do paciente, eficiência clínica e baixo custo.
“Baseado nestes pilares conseguimos desenvolver um dispositivo que é totalmente esterilizável e reutilizável com design funcional que facilita o manuseio do cirurgião-dentista. Além disso, ele reduz o trauma físico e emocional do paciente durante a sessão, redução significativa do tempo de procedimento com uma tecnologia acessível para diferentes realidades clínicas”, destaca Eduardo Ferreira.
Além disso, informa Eduardo Coelho Ferreira, o dispositivo também diminui o desgaste físico e emocional do profissional, tornando o atendimento mais humanizado e eficiente.

Características do ABREBOCA
O dispositivo odontológico caracteriza-se como uma dedeira com ponta alavanca, em peça única feita com um material resistente, atóxico, autolavável, de baixo custo, reutilizável, obedecendo as normas de biossegurança e sustentável. Este formato possibilita a abertura da boca, mesmo quando os dentes do paciente estão cerrados, mantendo-a aberta de forma estável durante todo o procedimento.
Em abril do ano passado, o projeto “Abreboca – Abridor de boca para pessoas com deficiência” foi apresentado no estande da Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (FAPEMA), integrando a programação do II Congresso de Saúde Coletiva, realizado pela Secretaria Estadual de Saúde (SES), em parceria com a Fundação.

Aprovação nos testes realizados
Testado em ambientes acadêmicos e clínicos simulados dentro da universidade, o ABREBOCA passou por rigorosos critérios éticos. “Os resultados demonstram melhora significativa na estabilidade da abertura bucal e diminuem o desgaste físico e emocional do profissional, tornando o atendimento mais humanizado”, afirma o desenvolvedor.
O ABREBOCA foi submetido a diversas fases de teste e qualificação, incluindo testes de resistência, compressão, autoclavagem e usabilidade, e obteve aceitação de profissionais da área odontológica e também cuidadores.






