Objetivo é criar uma ferramenta que possibilite a gestão segura e eficaz do uso diário de medicamentos, a fim de promover maior adesão ao tratamento
Leidy Chavez
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Graduada em Psicologia pela Universidad del Valle, Colômbia (2012), e doutorado em Saúde Coletiva, na área de Política, Planejamento e Gestão em Saúde, pela Universidade Estadual de Campinas (2020). Atualmente, realiza pós-doutorado no Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), como bolsista de Pós-Doutorado Júnior (PDJ) do CNPq.
Cada vez mais a tecnologia tem sido parte indispensável do cuidado humano e quando se trata da saúde ela permite ampliar o acesso e melhorar a qualidade dos serviços prestados. Por isso, uma pesquisa desenvolvida no Maranhão visa desenvolver e avaliar a implementação de um aplicativo voltado para o monitoramento da saúde de pessoas idosas.
Por meio do projeto de pesquisa “Cuidado Conectado: Monitoramento Digital da Saúde da Pessoa Idosa”, a pesquisadora Leidy Janeth Erazo Chavez, da Universidade Ceuma, busca criar uma ferramenta que possibilite a gestão segura e eficaz do uso diário de medicamentos, a fim de promover maior adesão ao tratamento, melhorar o bem-estar e aumentar a segurança dos usuários.
O trabalho trata-se de uma pesquisa de intervenção realizada com pessoas idosas vinculadas ao Grupo de Estudo, Pesquisa e Extensão em Gerontologia Psicossocial (GERONPSICO) do curso de Psicologia da Universidade Ceuma.
Segundo a pesquisadora Leidy Janeth Erazo Chavez, o projeto surge como uma resposta inovadora aos desafios da transição demográfica no estado. “O processo de envelhecimento populacional no Brasil tem se intensificado nas últimas décadas. Em 2017, o país já contava com 30,2 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, conforme dados do IBGE. As projeções do IPEA indicam que, até 2060, essa faixa etária representará cerca de 25,5% da população brasileira, evidenciando um cenário de transição demográfica acelerada”, destaca.
Por isso, a iniciativa foca em um problema crítico: a adesão ao tratamento medicamentoso. “Diante deste cenário de aumento da população idosa no Brasil, ferramentas que combatam a confusão gerada pela polifarmácia e falhas de memória são vitais para evitar internações e agravos à saúde após os 60 anos”, explica a pesquisadora.

Diferente de outras soluções já existentes no mercado, o diferencial do projeto coordenado por Leidy Janeth Erazo Chavez é a sua abordagem participativa. A equipe, que conta com a vice-coordenadora Marcela Lobão de Oliveira e um grupo de discentes de Psicologia e Medicina da instituição, está desenvolvendo o aplicativo ouvindo diretamente quem mais entende do assunto por meio do GERONPSICO.
O projeto é um dos 71 projetos selecionados pelo edital Plano Maranhão 2050: Soluções Inovadoras, lançado pelo Governo do Estado, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (FAPEMA), para fomentar projetos que promovam o desenvolvimento sustentável e a inovação no estado, alinhados às metas de longo prazo para a transformação socioeconômica maranhense.

Tecnologia que nasce da escuta
O ponto de partida do projeto é o protótipo de aplicativo “MEDALERTA” desenvolvido pela professora Marcela Lobão, vice-coordenadora da proposta, no âmbito do Edital Programa Institucional de Bolsas de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (PIBIT) 023/2024 – ciclo 2025/2026. Enquanto o projeto PIBIT concentrou-se na fase de desenvolvimento tecnológico inicial da ferramenta, o Edital Maranhão 2050 amplia essa iniciativa ao incorporar uma dimensão interventiva, voltada à implementação e avaliação do aplicativo junto à população idosa.
“O aplicativo será desenvolvido para uso principalmente pela pessoa idosa, podendo também ser utilizado por cuidadores primários e profissionais de saúde envolvidos no acompanhamento do tratamento. Dessa forma, a ferramenta busca favorecer a comunicação e o monitoramento compartilhado do cuidado, contribuindo para maior segurança no uso de medicamentos e melhor acompanhamento da saúde da pessoa idosa”, reforça Leidy Janeth Erazo Chavez.
O GERONPSICO é composto por pessoas idosas a partir de 60 anos, atendidas pela Clínica-Escola de Psicologia, pelas Unidades Básicas de Saúde conveniadas com a universidade, por moradores das regiões adjacentes à instituição, além de participantes dos grupos CEUMA Sem Fronteiras e da Liga de Geriatria e Gerontologia da Universidade Ceuma, bem como por idosos assistidos por organizações não governamentais (ONGs) e instituições sociais.
O projeto reconhece que muitas pessoas idosas enfrentam barreiras no uso de tecnologias digitais. Por essa razão, a proposta adota uma abordagem centrada no usuário, priorizando design acessível, linguagem simples e recursos visuais, de modo a tornar a experiência de uso mais intuitiva e inclusiva. “Também se valoriza a escuta ativa das pessoas idosas, buscando compreender suas necessidades, expectativas e preferências em relação ao uso de ferramentas tecnológicas no cuidado à saúde”, conclui a pesquisadora.
Além do produto tecnológico que será disponibilizado para usuários de celulares com os sistemas Android e iOS, o projeto busca fortalecer a rede de pesquisa local na Universidade Ceuma, integrando alunos de graduação em práticas de iniciação científica. O projeto também busca produzir conhecimento sobre a relação dos idosos com as tecnologias, contribuindo para a formulação de estratégias mais eficazes de cuidado.





