Atuação no interior do Maranhão consolida pesquisa em materiais avançados, inovação tecnológica e formação de recursos humanos qualificados
Adenilson dos Santos

Bacharel em Física pela Universidade Estadual de Londrina (1999), mestre em Física, UNICAMP(2002) e doutor em Ciências, UNICAMP(2006). Pós-Doutorado em Física pela UNICAMP (2006-2008).
VENCEDOR DO PRÊMIO FAPEMA 2025
Categoria: Pesquisador Sênior
Área de conhecimento: Ciências Exatas e Engenharia
Título: Memorial Acadêmico Científico
A trajetória do professor e pesquisador Adenilson Oliveira dos Santos, da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), campus Imperatriz, se caracteriza pela construção da ciência maranhense fora dos grandes centros. Sua linha de pesquisa concentra-se na síntese e caracterização de materiais avançados, com destaque para o uso da difração de raios X na compreensão da estrutura da matéria e de suas propriedades.
Os estudos abrangem desde complexos metálicos e cristais de aminoácidos com potencial para o tratamento do câncer até novos materiais voltados ao armazenamento de energia e ao desenvolvimento de dispositivos ópticos. Áreas que são estratégicas para a saúde, a sustentabilidade e a inovação tecnológica.
O diferencial do trabalho de Adenilson está na capacidade de transformar ciência básica em soluções para a sociedade. Ao longo de sua carreira, ele publicou mais de 170 artigos científicos e depositou 60 patentes, reforçando o compromisso com a inovação e a transferência de conhecimento. “Investigamos materiais que dialogam diretamente com desafios reais, como energia limpa, saúde e tecnologia, sempre buscando impacto social e econômico”, destaca.
Outro pilar fundamental de sua atuação é a formação de recursos humanos altamente qualificados no interior do estado. Adenilson coordenou a criação e implantação dos programas de mestrado e doutorado em Ciência dos Materiais no interior do Maranhão, o primeiro curso de doutorado do estado, um marco histórico para a região. Ao todo, orientou 20 mestres e 4 doutores, incluindo a primeira tese de doutorado defendida no interior do Maranhão. “Esse momento representa um dos maiores orgulhos da minha vida acadêmica, pois simboliza a transformação de realidades por meio da educação e da ciência”, relembra.

A consolidação da pesquisa em Imperatriz também exigiu investimentos estruturantes. Sob sua liderança, foram captados mais de R$ 15 milhões, recursos que permitiram a criação de laboratórios de ponta em um campus onde, até então, não havia tradição em pesquisa científica e tecnológica. Essa infraestrutura fortaleceu a produção de conhecimento e ampliou a capacidade de inovação regional.
Para o pesquisador, a FAPEMA desempenha papel decisivo nesse processo. “A FAPEMA representa o suporte fundamental que permite ao pesquisador maranhense desenvolver ciência de alto nível”, afirma. Ele recorda que sua trajetória foi construída em meio a desafios, aproveitando períodos de férias para realizar experimentos em grandes centros e buscando constantemente financiamento para manter os projetos ativos. “O Prêmio FAPEMA simboliza o reconhecimento de que a ciência produzida no interior do Maranhão possui excelência, impacto e relevância nacional e internacional.”
Além do reconhecimento individual, o trabalho de Adenilson contribui diretamente para a descentralização da ciência no estado, alinhando-se às diretrizes do Plano Maranhão 2050. Suas pesquisas dialogam com áreas estratégicas como saúde, energia e sustentabilidade, ao mesmo tempo em que criam um legado duradouro: a formação de uma massa crítica regional capaz de impulsionar o desenvolvimento científico local. “Estamos permitindo que jovens talentos maranhenses se tornem doutores e pesquisadores sem precisar abandonar suas raízes”, ressalta.






