Revista Inovação FAPEMA

CASTANHA NATIVA DO MARANHÃO É BASE DE PRODUTO ALIMENTÍCIO SUSTENTÁVEL E NUTRITIVO

Iniciativa aposta na bioeconomia para produzir snacks saudáveis e promover geração de renda e conservação ambiental em comunidades no sul do estado

Daniela Ferreira

Engenheira de Alimentos pelo Instituto Mauá de Tecnologia, tem mestrado e doutorado em Ciência de Alimentos pela Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e pós-doutorado no Instituto de Tecnologia de Alimentos (ITAL).  É docente em Engenharia de Alimentos da UFMA. 

VENCEDORA DO PRÊMIO FAPEMA 2025

Categoria: Empreendedorismo

Área de conhecimento: Ciências Agrárias.

Título: O ‘Bombom do Maranhão: Nova Cultura da Bioeconomia’

Exposição dos produtos em feira do setor de bioeconomia

Uma castanha tipicamente maranhense é o centro de um projeto que cria um alimento nutritivo e está impactando positivamente comunidades do sul do estado. O “Bombom do Maranhão: Nova Cultura da Bioeconomia” é uma iniciativa da empresa Maranuts Indústria e Comércio de Alimentos Ltda, liderada pela empreendedora e pesquisadora Daniela Souza Ferreira, da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), campus Imperatriz. A empresa desenvolve alimentos inovadores, a partir de espécies nativas.

A pesquisa tem como base a castanha conhecida popularmente como cacau-selvagem, monguba ou mamorana, pertencente às espécies Pachira glabra, Pachira aquática ou Bombacopsis glabra. Apesar de ser abundante na região tocantina e no sul do estado, o item ainda é pouco aproveitado comercialmente, mesmo apresentando alto valor nutricional, com teores relevantes de lipídios, proteínas e compostos antioxidantes.

Geração de renda

Do ponto de vista econômico, foram elaboradas análises detalhadas de custos, margem de lucro e modelos de negócio, utilizando ferramentas como fluxo de caixa descontado e análise SWOT. As primeiras vendas em feiras de negócios já colocaram o produto em um ambiente real de mercado, validando-o.

 

Matérias-primas dos produtos: cacau, castanha do Maranhão, nibs (castanhas em pequenos pedaços)

O plano de crescimento prevê a expansão da base produtiva por meio do cooperativismo, o lançamento acelerado de novos snacks funcionais e o fortalecimento de parcerias com universidades e associações locais. “Nossa meta é verticalizar a produção, garantir matéria-prima de qualidade e consolidar a castanha do Maranhão como símbolo de inovação, sustentabilidade e identidade regional”, conclui Daniela Ferreira.

Segundo Daniela Ferreira, o projeto, que contou com o apoio da FAPEMA, surge da necessidade de unir ciência, sustentabilidade e impacto social. “Estamos falando de um recurso nativo que sempre esteve presente nas propriedades rurais, mas que nunca foi visto como uma oportunidade econômica real. Nosso trabalho mostra que é possível transformar biodiversidade em renda, sem destruir o meio ambiente”, afirma.

A proposta resultou no desenvolvimento de snacks saudáveis, como barras, pastas e bombons, voltados a públicos específicos, incluindo diabéticos, celíacos e intolerantes à lactose. Os produtos passaram por testes de conceito, prototipagem, análises microbiológicas e avaliações sensoriais com 101 provadores, dos quais 75% declararam ter gostado muito ou muitíssimo e 57% afirmaram que provavelmente ou certamente comprariam os produtos.

Os frutos utilizados na pesquisa foram coletados em municípios como Buritirana, Senador La Rocque, Porto Franco e Montes Altos. As sementes foram coletadas no estágio ideal de maturação e passaram por processos rigorosos de higienização, secagem, torra e transformação em nibs, que serviram de base para os produtos desenvolvidos. “Todo o processamento foi pensado para garantir segurança dos alimentos e preservar as propriedades nutricionais da castanha”, explica a pesquisadora.

Além da caracterização físico-química, o projeto realizou análises bioquímicas e testes in vitro de citotoxicidade, comprovando a segurança do consumo em diferentes etapas de processamento. Ensaios antimicrobianos também demonstraram potencial inibitório contra microrganismos patogênicos, reforçando a qualidade dos alimentos desenvolvidos.

Apresentação da pesquisa em evento acadêmico

Academia e comunidade

Outro eixo central da iniciativa foi o trabalho de campo com agricultores familiares. Foram mapeadas famílias em municípios do sul do Maranhão que possuem castanheiras em suas propriedades, muitas delas sem nunca terem comercializado o fruto. “Cadastramos famílias que hoje já fornecem a castanha e começam a enxergar a árvore como uma fonte de renda e não apenas como parte da paisagem”, destacou Daniela.

O projeto também investe no desenvolvimento de técnicas de cultivo e processamento de baixo impacto ambiental, em parceria com a Universidade Estadual da Região Tocantina do Maranhão (UEMASUL). Em uma estação experimental, 50 mudas estão sendo acompanhadas, com estudos sobre solo, irrigação, adubação orgânica e controle biológico de pragas, além do envolvimento direto das comunidades rurais no processo de pesquisa.

Daniela Ferreira venceu o Prêmio FAPEMA 2025 na categoria Empreendedorismo

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