Revista Inovação FAPEMA

AGROECOLOGIA NA PRÁTICA: PROJETO IMPULSIONA AGRICULTURA SUSTENTÁVEL E FORMAÇÃO DE AGRICULTORES NO MARANHÃO

Pesquisa coordenada pelo professor Guillaume Rousseau fortalece núcleo de agroecologia da UEMA, capacita agricultores familiares e implanta sistemas produtivos resilientes às mudanças climáticas

Guillaume Rousseau

Possui graduação em Biologia dos Organismos e das Populações – Université Paris VI (Pierre et Marie Curie), mestrado em Biologia Vegetal – Université Laval e doutorado em Biologia Vegetal – Université Laval.

As unidades de adubação verde produzem sementes de plantas adubadeiras

Localizado em São Luís, o Núcleo de Estudos em Agroecologia e Produção Orgânica (NEAPO), da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), vem se consolidando como um espaço de pesquisa, extensão e inovação voltado à agricultura sustentável. Coordenado pelo pesquisador Guillaume Xavier Rousseau, o projeto de extensão tem ampliado o acesso de agricultores familiares a práticas agroecológicas, ao mesmo tempo em que contribui para a formação de estudantes e para a implantação de sistemas produtivos mais adaptados às mudanças climáticas.

Entre as iniciativas desenvolvidas estão a criação de unidades de adubação verde para produção de sementes de plantas adubadeiras e a implantação de sistemas agroflorestais biodiversos, que integram culturas agrícolas e espécies arbóreas para melhorar a fertilidade do solo, aumentar a biodiversidade e tornar os cultivos mais resilientes.

 

Projeto ampliou ações do Núcleo de Estudos em Agroecologia e Produção Orgânica (NEAPO)

Uma das ações do projeto foi a retomada do trabalho com agricultores familiares do município de Alcântara. Além de oficinas técnicas, os participantes realizaram visitas de campo para conhecer práticas de cultivo sem uso do fogo — alternativa ao tradicional sistema de corte e queima. Durante as atividades também foram distribuídas mudas de espécies florestais e exemplares da cartilha “Como iniciar uma roça sem fogo”, que apresenta orientações práticas para a aplicação da técnica.

A roça sem fogo é uma das alternativas para a preservação do solo em substituição à tradicional técnica de “derruba e queima”

Nesse modelo de manejo, a vegetação é utilizada como cobertura morta no solo, ajudando a conservar a umidade, melhorar a fertilidade e reduzir impactos ambientais. O sistema também incorpora plantas adubadeiras e consórcios agrícolas que contribuem para a recuperação da qualidade do solo e para a estabilidade da produção.

O projeto “Consolidação do Núcleo de Estudos em Agroecologia e Produção Orgânica na Universidade Estadual do Maranhão” também promoveu a integração com instituições de ensino do campo. Quinze estudantes do Centro de Educação no Campo Roseli Nunes, localizado no município de Lagoa Grande, visitaram o núcleo da UEMA e participaram da implantação de um Sistema Agroflorestal (SAF) em sua própria escola.

A área, anteriormente degradada, passou por um processo de recuperação ambiental. Algumas árvores já existentes foram preservadas e novas espécies foram introduzidas para compor o sistema agroflorestal, transformando o local em um espaço de experimentação pedagógica voltado ao ensino de agroecologia.

Hoje, o espaço reúne diferentes espécies agrícolas e florestais, promovendo a recuperação do solo e oferecendo oportunidades de aprendizagem prática para estudantes e educadores.

Alunos do Centro de Educação no Campo Roseli Nunes de Lagoa Grande durante implantação de um Sistema Agroflorestal

Segundo o professor Rousseau, a proposta do núcleo é aproximar o conhecimento científico das realidades locais e contribuir para sistemas agrícolas mais sustentáveis. “Nosso objetivo é levar o conhecimento gerado na universidade aos agricultores do Maranhão, integrando saberes tradicionais e científicos para desenvolver práticas produtivas que aumentem a eficiência agrícola e reduzam os impactos ambientais”, afirma o pesquisador em relatório do projeto.

As unidades do NEAPO também recebem visitas frequentes de estudantes do ensino médio, agricultores familiares e integrantes de cooperativas quilombolas, ampliando a circulação de conhecimento sobre produção sustentável.

Visita dos estudantes ao NEAPO

Para o pesquisador, a agricultura familiar possui um papel estratégico na transição para modelos produtivos mais sustentáveis. “Os agricultores familiares muitas vezes estão mais próximos de práticas sustentáveis do que grandes produtores que dependem de mecanização intensiva e de insumos químicos. Ao levar técnicas de agroecologia, conseguimos ajudar na recuperação dos solos e no desenvolvimento de sistemas produtivos eficientes em pequena escala”, explica.

Recuperação ambiental e formação acadêmica

Além do impacto direto nas comunidades rurais, o projeto também tem contribuído para a formação de estudantes da universidade. Alunos de graduação participam como bolsistas em atividades de pesquisa e extensão, atuando na manutenção das unidades experimentais, produção de mudas e organização de visitas técnicas.

Entre os estudos desenvolvidos estão pesquisas sobre consórcios de culturas e adubação verde. Experimentos demonstram que determinadas espécies, como o feijão-de-porco, podem contribuir significativamente para o aumento da fertilidade do solo e para a redução da ocorrência de plantas espontâneas nas lavouras.

Ciência, extensão e impacto social

Para o professor Guillaume Xavier Rousseau, a integração entre pesquisa científica, extensão universitária e participação das comunidades é essencial para fortalecer a agricultura familiar e ampliar o alcance da agroecologia. “A agroecologia oferece respostas importantes para os desafios ambientais e sociais da agricultura, especialmente diante das mudanças climáticas e da necessidade de produzir alimentos saudáveis”, destaca.

Ao consolidar espaços de aprendizagem e experimentação no campo, iniciativas como o NEAPO demonstram o papel estratégico das universidades no desenvolvimento regional. Mais do que produzir conhecimento científico, projetos desse tipo mostram como a pesquisa pode gerar impactos concretos na vida de agricultores, estudantes e comunidades rurais do Maranhão.

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