Práticas religiosas afro-indígenas ganharam visibilidade com a produção que mostra a relevância cultural e espiritual no Maranhão
Georgia Cruz

Graduanda em História – Licenciatura pela Universidade Estadual do Maranhão (UEMA) – Campus Caxias. Atua como pesquisadora remunerada pela PROEXAE no Programa Institucional de Desenvolvimento para a Primeira Infância – ACOLHER 2025/2026 com o projeto: “África na Sala de Aula: Letramento Racial na Primeira Infância a partir do Teatro de Fantoches”.
VENCEDORA DO PRÊMIO FAPEMA 2025
Categoria: Jovem Cientista
Área de conhecimento: Ciências Humanas e Sociais
Título: Documentário sobre as Práticas Religiosas de Matrizes Africana e Indígena em Caxias/MA
Orientador: Eloy Barbosa de Abreu

Entre o som dos tambores e a força de saberes ancestrais que atravessam gerações, o Maranhão ganhou, em 2025, um registro que une ciência, cultura e identidade: O documentário “Terecô: a força que vem da raiz”. A produção foi resultado dos estudos “Documentário sobre as Práticas Religiosas de Matrizes Africana e Indígena em Caxias/MA”, da pesquisadora Georgia Maria Vieira Cruz, da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), Campus Caxias.
O projeto transformou-se em um potente registro audiovisual. Disponível gratuitamente no YouTube, o curta-metragem já soma mais de 8 mil visualizações, ampliando o alcance do debate sobre diversidade religiosa e valorização cultural.
O documentário foi desenvolvido entre novembro de 2023 e outubro de 2024, com financiamento interno da UEMA por meio da Bolsa Cultura 2023/2024 e da Lei Paulo Gustavo, no Edital nº 05/2023 – Audiovisual. Antes das filmagens, a equipe realizou um grupo de estudos e pesquisa para construção de um sólido referencial teórico, seguido por visitas aos terreiros e pelo trabalho de campo, respeitando os saberes, rituais e a oralidade das comunidades.
Sob direção e orientação do professor Eloy Barbosa de Abreu, com direção de fotografia e filmagem da doutora Reinilda Oliveira dos Santos, a produção contou ainda com a participação dos estudantes Antero Boueres, Rayfran Pereira, Kadson Andrade e Sara Santiago, que atuaram em diversas etapas do processo, como roteiro, montagem, cinegrafia, edição, áudio, design, marketing e pesquisa, fortalecendo a dimensão formativa e coletiva do projeto.
A pesquisa possui grande relevância social e cultural ao promover o resgate histórico de uma manifestação religiosa fundamental para a formação do Brasil, reconhecendo os terreiros como espaços de memória, identidade e resistência. Ao registrar as práticas do Terecô em Caxias, o documentário contribui diretamente para o enfrentamento do preconceito racial e da intolerância religiosa, além de fortalecer a consciência coletiva e política das comunidades envolvidas.


Visibilidade
Para a pesquisadora Georgia Maria Vieira Cruz, o trabalho nasce do compromisso com a memória e o respeito. “Registrar o Terecô é reconhecer que essas práticas não pertencem ao passado. Elas são patrimônios vivos do Maranhão. O documentário é uma forma de devolver visibilidade, dignidade e respeito a comunidades que historicamente tiveram suas vozes silenciadas”, afirma.
Ao articular pesquisa acadêmica, extensão universitária e linguagem audiovisual, “Terecô: a força que vem da raiz” ultrapassa o registro documental e se consolida como um instrumento educativo, cultural e político. A obra evidencia a riqueza do sincretismo afro-indígena, valoriza a tradição oral e contribui para a promoção da liberdade religiosa e do combate ao racismo religioso.






