Projeto da UEMA em Balsas une linguística, tecnologia e história para fortalecer a identidade regional e produzir materiais didáticos inovadores com o apoio da FAPEMA
O cenário musical do Maranhão vive um momento de transformação. Com o início oficial das aulas e ensaios, a Orquestra Filarmônica do Maranhão (OFMA) se consolida como um marco para o estado, resultado de uma articulação estratégica entre poder público e instituições de fomento. São 31 músicos que tocam violino, viola de arco, violoncelo e contrabaixo acústico.
A previsão é de que ainda neste primeiro semestre a orquestra faça sua primeira apresentação. O espetáculo vai acontecer no Teatro Artur Azevedo, que está em reforma.
Em fevereiro de 2026, o projeto alcançou uma etapa logística crucial: o Teatro Arthur Azevedo entregou as novas salas destinadas à preparação dos músicos. O espaço passou por uma requalificação técnica completa, equipando a sede oficial com infraestrutura de ponta. Essa modernização visa potencializar a performance dos artistas e oferecer um ambiente de excelência para o aprimoramento técnico do corpo musical. No mesmo mês, o cronograma avançou com a realização de ensaios, preparando o grupo para os desafios da temporada.
Para Guilherme Júnior, supervisor da Escola de Música do Estado do Maranhão (EMEM) pela Seduc, a iniciativa é um motor de renovação. “A realização do projeto vai muito além de apresentar belos concertos. Ele serve como um verdadeiro pilar para nós, da classe artística. É um espaço onde jovens talentosos podem sonhar e ver a possibilidade de uma carreira real no estado, e onde músicos já experientes podem se desenvolver. Ela injeta oxigênio na cena musical. A orquestra também desempenha um papel inestimável ao preservar e executar peças que são parte da história da música maranhense, mantendo viva a nossa herança cultural e musical”.
A criação da Orquestra retira o Maranhão da lista de estados brasileiros que não possuíam uma orquestra filarmônica própria. O projeto está sob a coordenação-geral e regência do Prof. Me. Daniel Cavalcante, contando com o apoio institucional do Diretor do Teatro Arthur Azevedo, César Boaes.
O professor Rogério Chaves de Sales é um dos integrantes da orquestra e falou deste momento da sua carreira musical. “Sou violoncelista e professor há mais de 20 anos. Portanto, fazer parte de um grupo como a Orquestra Filarmônica do Maranhão é o corolário da minha carreira de músico. É muito satisfatório para mim poder fazer música de concerto e acredito também, que a OFMA será um grande presente musical para os maranhenses”, disse Rogério.
Sobre a importância estratégica do investimento público para o projeto, Guilherme revela: “Nada disso seria possível sem o apoio institucional. O fomento da Fapema tem sido o verdadeiro motor por trás disso tudo. Sem esse financiamento, grandes projetos, incluindo os da orquestra, seriam apenas ideias no papel. Quando há investimento sério na arte, como faz a FAPEMA, nós dizemos à classe artística: O trabalho de vocês tem valor. Isso encoraja os músicos a continuarem se dedicando às suas carreiras” .

Além do caráter formativo, a Orquestra Filarmônica do Maranhão assume um compromisso social e cultural relevante, promovendo a democratização por meio de apresentações gratuitas ao longo de todo o ano. Essa iniciativa fomenta o acesso à música de concerto para diversos públicos e fortalece as raízes e a produção cultural do estado, consolidando a identidade maranhense através da arte.
A segunda etapa da orquestra prevê a ampliação com a inclusão de instrumentos de sopro, como clarinete e flauta transversal, e instrumentos de percussão, como pratos de choque, bombo e xilofone.
A viabilização da OFMA é fruto de um Acordo de Cooperação Técnica assinado em outubro do ano passado. A iniciativa une os esforços da Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (FAPEMA) com as secretarias de Estado da Educação (Seduc) e da Cultura (Secma).
O acordo assegurou um investimento inicial de R$ 700 mil para a primeira etapa de execução do projeto. Esses recursos são fundamentais para a manutenção da estrutura e para a destinação de bolsas a professores e alunos, promovendo a profissionalização e a valorização direta dos talentos locais.





