Revista Inovação FAPEMA

CIÊNCIA E CONSCIENTIZAÇÃO NO COMBATE À ESPOROTRICOSE FELINA NO MARANHÃO

Projeto de extensão apoiado pela FAPEMA fortalece ações educativas, atendimento veterinário e cooperação científica para enfrentar doença que já soma 686 casos na Grande Ilha

Larissa dos Santos

Possui Doutorado em Biodiversidade e Biotecnologia pela Rede de Biodiversidade e Biotecnologia da Amazônia Legal, Mestrado em Ciência Animal pela Universidade Estadual do Maranhão, UEMA e Graduação em Medicina Veterinária pela UEMA

Os projetos de extensão e pesquisa têm se consolidado como importantes elos entre a academia e a sociedade, beneficiando não apenas estudantes, mas também a população em diversas áreas do conhecimento. A aplicação do saber acadêmico em situações reais — como promoção da saúde e bem-estar animal, arte, inclusão social e educação ambiental e sanitária— vem ganhando destaque por meio dos projetos desenvolvidos nas universidades maranhenses. 

Entre essas iniciativas está o projeto voltado à esporotricose felina, uma micose grave, contagiosa e com potencial de transmissão para humanos. As ações que já eram desenvolvidas  pelo Laboratório de Micologia Veterinária da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), ganharam o reforço do projeto intitulado “Esporotricose Felina: uma abordagem educativa com estudantes, tutores de animais e profissionais da saúde”, coordenado pela Prof. Dra. Larissa Sarmento dos Santos.

A iniciativa integrou o grupo de propostas contempladas no edital de apoio a projetos de extensão financiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (FAPEMA).

De acordo com o Instituto Pet Brasil (IPB), o país possui mais de 30 milhões de gatos domésticos. No Maranhão, a preocupação é crescente. Levantamento realizado pelo Laboratório de Micologia Veterinária da UEMA aponta que, entre os anos de 2021 a 2024, foram registrados 686 casos de esporotricose felina nos municípios de São Luís, São José de Ribamar, Raposa e Paço do Lumiar. Apenas em São Luís, segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde (SEMUS), estima-se uma população de aproximadamente 75 mil gatos.

 
Equipe realiza atividades de conscientização sobre a doença

“O aumento de casos da doença em gatos gerou um alerta muito grande e tivemos a oportunidade de orientar tutores, fazer o atendimento e orientar a população. Estas atividades serviram para ampliar o conhecimento dos tutores sobre a doença e também reforçar a importância de ações integradas de saúde única no enfrentamento desta zoonose, que se trata de uma doença que pode ser transmitida do animal para os humanos”, explicou a médica veterinária Larissa dos Santos.

Concluído em setembro do ano passado, o projeto promoveu ações de conscientização voltadas a tutores que foram até o Hospital Veterinário Universitário (HVU-UEMA), ao público em geral e a estudantes de Medicina Veterinária da UEMA e de instituições privadas.

Além das atividades educativas — como orientações sobre descarte adequado de resíduos e limpeza de ambientes com acúmulo de matéria orgânica — a iniciativa também contemplou o atendimento de animais com suspeita da doença. Exames clínicos e procedimentos laboratoriais foram realizados no HVU-UEMA, fortalecendo o diagnóstico precoce e o manejo adequado dos casos.

Ao todo, foram realizadas 15 atividades presenciais em bairros como Cohatrac, Angelim, Anil e Novo Cohatrac. As ações incluíram exposição com banners, distribuição de folders informativos, participação em campanhas sociais e transmissões ao vivo nas redes sociais, por meio do perfil no instagram @esporotricosefelina. O projeto contou ainda com parcerias institucionais e apoio de programas governamentais e instituições privadas.

Rede social amplia alcance do projeto

Segundo a pesquisadora Larissa dos Santos, o perfil no Instagram tornou-se uma ferramenta estratégica para ampliar o alcance das informações. “Recebemos relatos de pessoas de diversos estados do Brasil que compartilharam suas experiências. Esses depoimentos, reunidos em destaque permanente, incentivam a busca por tratamento e combatem o abandono de animais, além de transformar o perfil em uma fonte confiável de informação e apoio para tutores e profissionais”, destacou.

Um dos casos que ganhou repercussão na rede social foi o da gata Meg, resgatada em março de 2024 por Iloma Késsia Sousa Rodrigues e seu esposo. Ao perceber sinais clínicos como lesões na pata, espirros frequentes e inchaço nasal, a tutora buscou atendimento veterinário e recebeu o diagnóstico de esporotricose.

Meg foi resgatada por tutora e recebeu tratamento para a cura da esporotricose

“No início, ficamos muito preocupados, pois não conhecíamos bem a doença. Mesmo assim, nos comprometemos a cuidar dela com responsabilidade. Mantivemos todos os cuidados de higiene, reservamos um espaço exclusivo para a Meg durante o tratamento e conseguimos evitar a transmissão. A cura é totalmente possível quando o tutor segue corretamente as orientações”, relatou.

Para Késsia, que segue o perfil no instagram, iniciativas como essa são fundamentais para combater o preconceito associado à doença. “O animal não tem culpa. Ele também é vítima e precisa de cuidado, empatia e informação”, disse ela.

A bolsista da UEMA, Isadora Novais, que atualmente integra as ações de comunicação do projeto, destacou o papel das redes sociais na orientação de tutores e profissionais. “O perfil passou a receber dúvidas de veterinários e da população em geral. Também realizamos ações presenciais em estabelecimentos de venda de produtos pet, com exposição de banner, distribuição de material informativo e diálogo direto com a comunidade”, explicou.

O projeto “Esporotricose Felina: uma abordagem educativa com estudantes, tutores de animais e profissionais da saúde” contou com o suporte institucional da UEMA, por meio do Hospital Veterinário Universitário, além de parcerias com a Secretaria Municipal de Saúde de São Luís (SEMUS) e o setor de Zoonoses do Maranhão. Também foi estabelecida cooperação técnico-científica com pesquisadores da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), ampliando a troca de conhecimentos e fortalecendo estudos sobre diagnóstico e manejo da esporotricose felina.

PRINCIPAIS RESULTADOS DO PROJETO

Elaboração do Guia Informativo e Prático sobre Esporotricose Felina, publicado pela EDUEMA em 2025.  

Implementação do aplicativo educacional EsporoVet,  ferramenta digital voltada à conscientização sobre a esporotricose felina. 

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